Morte: um contrato de aluguel

Primeiramente, aconselho que NÃO LEIAM - a menos que o momento se caracterize por: um dia que o sol nasceu, lhe deu bom dia e a sua resposta foi "por que?".

Aquele dia que tu jogaste perguntas a um universo de escuridão abrigado dentro de ti mesmo e procurou as respostas uma a uma com um foco de lanterna.

Prossiga investindo o seu tempo se isso te interessar, se isso te tocar e ATÉ onde tocar.

A única razão que me faz traduzir em palavras e enviar algo que deixei numa gaveta identificada e de fácil acesso dentro de mim, é pensar que talvez, alguém use ou até precise preencher uma lacuna com essas grafias.

Se não há lacuna, não abra. Apenas vá em direção à saída.

Se chegaste até aqui, acredite, já é uma razão, quem sabe, até uma convocação do seu "eu" necessitado.

Se a hora exigir que dividas o momento com outro afazer, também NÃO SIGA ADIANTE. Só leia o próximo parágrafo se tiveres CERTEZA que será possível começar e terminar.

Bom, nos últimos dois anos, eu sofri duas PERDAS MATERIAIS. Perdi meus avôs.

Na intensidade do afeto com cada qual, sofri.

Até que um dia, criei coragem para mexer nestes sofrimentos, até então disfarçados pelo tempo, e restabeleci tudo isso dentro de mim.

Foi então que revelei este desígnio: perdas materiais.

Imaginemos que estamos neste momento, fechando um contrato de aluguel. Alugamos uma casa, uma moradia, um abrigo.

(NASCEMOS). - Ficará claro em seguida o porque escrevi "(NASCEMOS)".

Este contrato vencerá, algum dia, vencerá. Porém, não permitiram que fosse lido até o final - onde a data de vencimento, ditada pelo Proprietário, o Administrador, estava escrita.

Assinamos. Mesmo assim, assinamos. A única forma de abrigo era aquela. Então, restou "estar ciente e de acordo" mesmo com final restrito e sem conhecimento.

Então, passamos a habitar aquele lugar.

Aos poucos, vamos mobiliando. Alguns batalham mais e compram a mobília de acordo com seu gosto, não importa o valor que pagarão, querem sentir-se bem ao ver a decoração e pensar que aquilo era exatamente o que desejavam.

Outros, se atirarão no mais "cômodo". Importa morar, ter o básico e ponto. Ninguém precisa admirar, desde que "quebre o galho" e sirva.

CRESCIMENTO. Mobiliar a casa neste momento, defino: "alimentar com 'objetos' um abrigo."

Defino "abrigo": ALMA.

Onde quero chegar: nosso corpo se torna um ABRIGO de nossa ALMA.

O nascimento é a hora que assinamos o "contrato" de aluguel.

Nossa alma então, "adentra" nosso corpo. Então, temos que "mobiliar" e "decorar" nosso espírito. VALORES, PRINCÍPIOS, EVOLUÇÃO. Cada qual escolhe a forma que vai preencher os aposentos.

Hoje, ao olhar sua casa, a decoração lhe agrada?

Podemos REFORMAR. Podemos sempre TRANSFORMAR.

Melhorias, jogar fora o que os cupins já tomaram conta, EVOLUIR.

A fachada é importante. Claro que é. Cuidar do nosso corpo, não deixar o tempo corroer o "material", pintar quando necessário, MANTER - podemos manter, SIM. As mobílias de dentro, se de qualidade, permanecerão por mais tempo. Afinal, estão protegidas da ação e degradação natural imposta pelo tempo.

Mas saiba: o tempo, algum dia, não poupará. Impiedosamente, ele vai desgastar e consumir nossa casa.

O prazo do aluguel também estoura. E de uma hora para outra, somos despejados, precisamos nos mudar. Pegamos nossas aquisições, nossa mobília e nem deu tempo para avisar os mais próximos (as visitas que deixamos frequentar nossa casa) - pessoas que amamos e carregamos em nossos corações. Mudamos de endereço. DESENCARNAÇÃO.

Por fim, entendemos que na verdade, o aluguel era o tempo que precisava para que a casa DOS SONHOS ou o barraco estivessem sendo CONSTRUÍDOS. MERECIMENTO. - vida, missão... CONSTRUÇÃO.

O penoso numa primeira impressão, é que esta "casa" está num condomínio que embora chegue perto do que imaginamos PARAÍSO, é acessível apenas para MORADORES e estes são "selecionados", pois o preço é a plenitude de um espírito sadio.

Deixamos então, nossas visitas lá, no outro endereço. Elas entristecem ao ver a carne, a casa se decompondo. Passam ali e choram. Nem imaginam que fomos na verdade, COLHER os frutos de nossa alma, que por consequência, às vezes é ir morar num condomínio que se chama PLENITUDE.

A saudade aperta, desapego carnal, físico, MATERIAL é desafiador.

Mal sabem eles que se, ao vencer o contrato, podem vir residir e dividir vizinhança conosco neste PARAÍSO.

PRAZO. VENCIMENTO. CONTRATO. MUDANÇA. MORTE.

MORTE... a mudança pode te levar à uma periferia escura, perigosa, de muita perdição, DE SAUDADE IRREMEDIÁVEL, longe daqueles que deixaste naquele endereço, naquele outro plano. A mudança pode te levar à residência num condomínio de plenitude, de "mansões espirituais" e aconchego de almas coloridas e de luz.

Até que vença o contrato neste endereço. E novamente ingressamos na viagem. DESPEDIDA. "ATÉ LOGO". RENASCER. NOVO ENDEREÇO. ASSINAR NOVO CONTRATO. ADQUIRIR NOVAS MOBÍLIAS. CICLO.

Vivemos de ALUGUEL, por isso, invista suas "mobílias". ALMA.

Morrer é MUDAR DE ENDEREÇO.

Morrer é TROCAR DE CASA sem perder a "decoração".

Morrer neste plano é entender que o TEMPO desgastou nossa "casa", e é preciso que moremos longe - até que a sua também o obrigue a fazer o mesmo. E quem sabe, lá nos reencontramos, "vizinho".

(Natalia Gross).

zn
Enviado por zn em 11/07/2017
Código do texto: T6051190
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