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...ERA UMA VEZ

FRAGMENTO N. 2

...Era uma dessas épocas  em que a razão humana se encontra aprisionada em uns círculos de chamas intensas!
Ela saiu para ver o sol...
A brisa soprava suave no seu rosto, jogando levemente os cabelos para trás. Uma euforia a tomava por inteiro,junto a uma inquietante emoção do descobrir. Os olhos como faróis, atentos,  se movimentavam em expectativas do ver, do constante ver, e os lábios projetavam um sorriso, enquanto em gestos contidos falava a Neo, seu filho que a acompanhara na viagem junto com a sua namorada, descrevia o que via, e imaginou que momentos diferentes, interessantes estavam para acontecerem.
Já em Valença  o embarque foi tranqüilo, acomodaram-se e aguardaram o apito da lancha anunciando a partida. O ir e vir de turistas, de vários Estados brasileiros e dos paises  europeus,  americanos, e a movimentação frenética e um tanto simplória dos nativos ao recebê-los, dava uma atmosfera  de um país do Caribe, a diferença é que eles não dançam "hula-hula”, essa composição completava aquele cenário efervescente. O cais do porto era literalmente um caos, de barcos, lanchas, chegando e partindo, pessoas a entrar e a saírem continuadamente. A viagem dera inicio, a lancha deslizava pelo rio. Ela  direcionava o olhar em toda a volta, como se buscasse encontrar algo, como a  encontrar  alguma coisa... estava subitamente tomada por uma emoção, olhou para o Neo, sorriu, a lancha deslizava suave, enquanto a cidade ia ficando para trás. Um pequeno rio margeado por um manguezal que é um enorme berçário natural abre-se num rio canal, mais à frente e, surge uma igreja no alto de um morro. Nesse ponto o rio torna-se ligeiramente revolto e a brisa mais densa. Ela olhou tudo dentro da lancha, o barulho de vozes continuado, misturados a sorrisos, algumas pessoas bebiam um tipo qualquer de cerveja... Ela se voltou para o casal e comentou que estava adorando a viagem, pensou "nele" que não viera, seria bom que ele estivesse aqui, concluiu num pensamento, fechando os olhos... A  lancha agora se movimenta mais rápida, e ia ficando paralela à igreja no alto do morro. A viagem segue, agora passam por uma pequena ilha, que fica no meio do rio, e, então surgi à silhueta da Gambôa o primeiro vilarejo da ilha, ao fundo e um pouco mais longe  os contornos dos morros, que prenunciam a visão de Morro de São Paulo.
Aproximou-se  de Neo e o abraçou. Exclamou ! Que bela visão... Acompanhada pelo olhar sorridente da namorada do Neo. Estou feliz - disse - Estou adorando tudo isso, gosto de estar aqui - concluiu. Passou a mão pelo cabelo, enquanto a lancha se aproximava da Gambôa. Fechou os olhos, sentiu o vento no rosto e ficou absorta, como a imaginar alguma coisa, algo só pra si mesma, lembranças lhe ocorreram naquele instante, e sentiu-se bem, feliz, por estar ali... A lancha ancorou no píer da ilha, na primeira parada, Gambôa. Algumas pessoas saíram da lancha, outras entraram. Uma movimentação habitual dos nativos carregando bagagens. Em outros pontos da ponte  que conduz à estância havia diversas pessoas encostadas no para peito. Seu olhar percorreu todos os pontos possíveis da ilha, como a buscar uma referência, um vestígio, uma lembrança "dele", que ela tanto sonhara em estar junto com ela naquele momento. Derrepente pensou. Pessoas próximas a ele estão aqui. Mas como serão?Quem será? Um pensamento a inquietou. Queria perguntar a alguém. Mas... Ponderou. Melhor não - concluiu. Sentia-se eufórica, emocionada, e ligeiramente nervosa, mas, estava bem, sentia-se feliz, sim estou feliz afirmou a si mesma. A lancha afastou-se do píer e finalmente rumou em direção ao Morro. Agora Neo a ciceroniana. Mostrando com sorrisos, apontando para lugares e fazendo breves descrições. Ele também parecia estar fazendo a viagem pela primeira vez, tal a emoção dela.
Do mundo das idéias, passara ao mundo mais real das substâncias contidas e delimitadas das belas formas que se apresentavam à visão. O tom da água  começava a mudar de cor, ora mais verde, ora mais azul. Pensou... Um dia antes da viagem sentiu-se ligeiramente deprimida, havia chorado, pensara em desistir. "Ele" havia causado tal mal estar. Que bom não ter desistido. Agora aquela visão, daquele belo lugar a compensara do momento triste vivido anteriormente.
O sol forte  deixando reflexos de luzes nas pequenas ondas que se formava o céu azul, o frenesi de lanchas indo e voltando a todo instante, esse universo contido nessa estação que altera a ação e reação das pessoas, tudo era encantador. A ilha com toda a sua beleza exuberante e imponente, passando ao lado enquanto a lancha seguia. Quis abrir os braços pra sentir melhor o vento e expressar toda a emoção que sentia naquele momento, mas, conteve o gesto. Apenas olhou... Sorriu ao ver a faixa de areia, a praia  descrita por "ele" em textos que lera que "ele" havia escrito. Que interessante, pensou, estou vendo o cenário de algo que li, mexeu a cabeça sorrindo.
Os relevos dos morros facetados ficavam mais belos na medida em que a lancha se aproximava do cais. Surpreendentemente belo, pensou. A bela visão à frente das ruínas do forte,  do arco de entrada à ilha, os iates ancorados, as pedras dentro da água, compunham um cenário único. As casas no alto do morro, as pessoas indo e vindo, tudo formava  uma visão extasiaste. A lancha aportou ao cais. desceram, juntaram a bagagem e, com sorrisos e, em uníssono disseram: Chegamos.
Há muito a descobrir, e muito a ver -
Exclamou Neo.
Há belos momentos  a ser vividos - completou - a sua namorada.
E, certamente serão momentos muitos felizes - ela então concluiu.
A ponte ia ficando para trás, enquanto em passos lentos, saboreando a chegada, de quem está  pisando pela primeira vez, e, com um olhar de extrema admiração, ela sorriu. se voltou de frente para o mar, na lancha outros passageiros entravam, a bela visão do horizonte à frente a fez parar por um instante. Breves pensamentos a fizera sonhar. Neo acenou chamando-a, ela sorriu mais uma vez, e disse:
Como é bom estar aqui...  juntaram-se os três e seguiram para a pousada!
 
BY JORGE BRITTO SETEMBRO DE 2007

JORGE BRITTO
Enviado por JORGE BRITTO em 12/09/2007
Reeditado em 07/01/2010
Código do texto: T649205

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Sobre o autor
JORGE BRITTO
Sumaré - São Paulo - Brasil
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