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Breve ensaio sobre as necessidades humanas

Breve ensaio sobre as necessidades humanas

O homem tem com certeza o maior número de necessidades que qualquer outra espécie. Saímos da procura simples e direta por alimentos e reprodução, e passamos a buscar várias respostas, anseios individuais e coletivos. Dentre esses questionamentos, um dos mais importantes, senão o mais importante, é entender qual a razão de vivermos, qual a lógica para nascermos, crescermos com tantas dificuldades e dúvidas e finalmente quando começamos a nos sentir mais seguros e definidos, nossa vida se esvai repentinamente com ou sem dor, com ou sem aplausos. Por quê tudo isso? Por quê esse ciclo ingrato?
O ser humano em sua possibilidade racional, não consegue assim como os outros seres viventes, simplesmente seguir o ciclo, comer, fazer sexo e dormir. Ao tomar consciência da grandeza e complexidade de sua existência, ele começa a achar extremamente injusto que seja apenas um ciclo natural, ele quer achar um significado maior, ele que acrescentar uma continuidade. Ele quer que todas as vezes que se abrem mais de uma possibilidade, que a escolha tenha um motivo especial, um acerto ou um erro, mas que tenha um sentido. Surge quase que instantaneamente, uma ferramenta humana para suprir essa falta de sentido: as crenças, as religiões.
Essa poderosa ferramenta, em todas suas vertentes, sempre busca atender as dúvidas e anseios humanos. Por quê meu filho de dois anos morreu atropelado? Por quê fiquei paraplégico? Como vou ter ânimo para continuar procurando emprego? Qual a importância do meu nascimento? Para onde vou depois de morrer? Será bom ou ruim? A ferramenta derrama suas explicações: O ser superior quis que seu filho morresse para ir como um anjinho para o céu. Você ficou paraplégico para provar como o ser humano junto com a ajuda do ser superior pode se adaptar a tudo, ou então foi um castigo por você ter sido mau em outra encarnação, agora seu espírito tem de ser purificar. Seu nascimento é uma dádiva do ser superior, um presente aos pais, um milagre. Depois de morrer se merecer vai ter uma ejaculação eterna se for ruim sofrerá, ou então quando você morrer seu espírito vai para outro plano buscar o aprimoramento, se não voltar aprimorado talvez você encarne na pele de um ganso que vai virar “foie gras”, para aprender mais ainda a lição. Enfim, são inúmeros desdobramentos e explicações, ficamos nesses exemplos para não citar as mais estapafúrdias idéias.
É claro que devemos levar em consideração que essa ferramenta também já serviu muito para controle social. Desde tempos remotos, quando se tem mesa farta, informação e prazer, as dúvidas e anseios diminuem um pouco, quando tudo está bem, a necessidade de explicações cai consideravelmente. No entanto, sempre tivemos muita desigualdade social, e os menos favorecidos sentem uma necessidade muito maior da ferramenta, que acaba tornando-se instrumento fundamental no controle das massas, na “pseudo-harmonia” social. Não há harmonia onde as riquezas são distribuídas de tal forma que dão excessos infinitos a poucos deixando faltar o mínimo a muitos.
Não estará o ser humano já desenvolvido o suficiente para começar a abrir mão dessa ferramenta?
Acreditamos que sim, e que devemos deixar de colocar nossas dúvidas e anseios em crenças e religiões, e passarmos a enxergar o mundo com a racionalidade explícita e direta. Nós já temos informação e desenvoltura suficiente para encarar nossos anseios olhando para nós mesmos, e não enxergando anjos em nuvens, espíritos em fumaça ou imaginando o céu dos abençoados. Nossa fé e devoção devem ser dedicadas aos bons sentimentos humanos: a paz, a solidariedade, o respeito e aos mais poderosos principalmente: a paixão e o amor.
O pensamento deve ser direcionado ao questionamento e à lógica. De modo racional e simples, sem darmos atenção àqueles anseios já tão antigos; o modo mais óbvio de encararmos a morte é que ela não passa de uma noite de sono sem sonhos, para sempre. Qual o sentido da vida?  SER FELIZ! Cada um respeitando suas características individuais deve seguir o caminho para atingir um patamar de felicidade o mais alto possível. Seja revolucionando o mundo ou vivendo em uma choupana com 10 filhos e muita fartura de farinha e feijão.
Imagino que muitas pessoas pensam dessa forma, ou mesmo que não possuem uma definição apresentam um direcionamento para essas idéias. O que devemos fazer é disseminar, propagar essas idéias. O bombardeio de informações é o maior aliado. Quanto mais informação sobre tudo e para todos, mais fácil disseminar a racionalidade, e quando maior a racionalidade, mais as pessoas passam a questionar, a sentir as desigualdades e a buscar por seus direitos. Por outro lado se os mais favorecidos passarem a dar maior atenção aos sentimentos como solidariedade e amor, ao invés de ficar comprando santinhos, terços, dando dízimos e afins, dessa forma tenderão a ser mais generosos e conscientes, a responsabilidade social do ser superior diminui e a responsabilidade individual de cada um aumenta.
É possível observar que quando mostramos nossas opiniões e insistimos em nossas posições mesmo com um interlocutor que parece não dar a menor atenção ou mesmo quando ele se opõe totalmente, se mantivermos os argumentos óbvios e formos persuasivos, mesmo que seja em longo prazo e que não tenha todo o efeito esperado, de alguma forma aquela mente é alterada e lentamente as coisas mudam.
Que a criatividade seja usada em prol das artes, do desenvolvimento social e do deleite da alma humana.
Razão, paixão, amor, solidariedade, respeito e paz para todos.

Alexandre Matos
Enviado por Alexandre Matos em 17/09/2007
Reeditado em 28/04/2009
Código do texto: T656449
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Sobre o autor
Alexandre Matos
São Paulo - São Paulo - Brasil, 38 anos
44 textos (1758 leituras)
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