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Extinção de plantas e animais

     Um dos assuntos mais comuns dentro da temática de meio ambiente é a extinção de plantas e animais. Nessa questão tem-se falado muito sobre algumas espécies bastante ameaçadas, como por exemplo, entre os animais, o mico-leão-dourado, as baleias, o urso-panda e a arara-azul; e entre as plantas, o pau-brasil, o mogno, o cedro, a aroeira e o jacarandá.
     Mas, pouca gente sabe que a extinção é algo que sempre ocorreu ao longo da História evolutiva de nosso planeta. Só para se ter uma idéia de quantas espécies já foram extintas, alguns cientistas estimam que mais de 90% de todas as formas de vida que já existiram na Terra foram extintas em tempos remotos. Sendo assim, as espécies que existem hoje (que segundo estimativas podem ser de 5 a 50 milhões!!!) são apenas uma pequena parcela do total de seres vivos que já viveu aqui.
     É verdade que a extinção sempre foi algo comum, porém, não podemos esquecer que a taxa média de desaparecimento de espécies sempre teve um valor bem baixo e essas extinções praticamente só ocorriam de forma seletiva, isto é, as chances que dois seres que ocupavam o mesmo ambiente tinham de ser extintos eram independentes. Dessa forma, a extinção local de muitos grupos de seres vivos (gêneros, famílias, ordens, etc.) ao mesmo tempo era algo bem raro.
     De fato, poucos eventos de “extinção em massa”, onde o desaparecimento total e abrupto de diversos grupos de animais e plantas em uma ampla área geográfica ocorreu poucas vezes na História do nosso planeta.
     Um fato curioso que pouca gente sabe é que aqueles nomes complicados da Escala do Tempo Geológico (Eras, Períodos e Épocas Geológicas) que são estudados na disciplina de Geografia estão associados a diversas “extinções em massa”. Assim, temos os oito principais episódios de “extinção em massa” ocorrendo no: (1) Cambriano médio, (2) Ordoviciano superior, (3) Siluriano, (4) Devoniano superior, (5) Permiano superior, (6) Triássico superior, (7) transição Cretáceo-Terciário e (8) limite Eoceno-Oligoceno. Geralmente nós não memorizamos esses nomes esquisitos da Escala de Tempo Geológico por não sabermos associar o que aconteceu de importante nesses intervalos, mas de modo geral cada um desses intervalos foi marcado pelo aparecimento e extinção de grupos de seres vivos bem peculiares.
     No Cambriano médio, antes da origem dos vertebrados, uma “extinção em massa” levou à perda de 90% ou mais das espécies animais da época, e as “extinções em massa” do limite Permiano-Triássico eliminaram mais de 50% de todas as famílias de animais e de até 80% a 90% de todas as espécies do planeta.
     A “extinção em massa” na transição Cretáceo-Terciário foi responsável pela extinção de 80% de todas as famílias de répteis existentes e acabou ficando muito conhecido por ter sido o episódio de extinção dos dinossauros. Diversos filmes e livros, alguns bem populares, têm apresentado as possíveis causas da “extinção em massa” dos dinossauros. Ressalta-se que apesar da grande popularidade da “extinção em massa” dos dinossauros, esse não foi o evento com maior número de desaparecimentos, pois em outros episódios aconteceram extinções ainda mais significativas.
      Dentro dessa questão toda, um assunto que muito se comenta é quais razões levam a “extinção em massa” de plantas e animais. Existem dois grupos de teorias sobre essas “extinções em massa” que ocorreram no passado: (1) impactos extraterrestres e (2) causas terrestres.
     O primeiro grupo sugere que asteróides e cometas colidem com a Terra com relativa freqüência. Os adeptos dessa teoria sugerem que o impacto de corpos celestes tão grandes pode provocar a suspensão de enormes quantidades de poeira no ar que seriam suficientes para sombrear a superfície da Terra, reduzindo a incidência de luz, o que conseqüentemente afetaria a fotossíntese das plantas. Acredita-se que a redução do volume de plantas no planeta levaria a “extinção em massa” de animais.
     O segundo grupo de “causas terrestres” apresenta um maior número de teorias para explicar os diversos episódios de “extinção em massa”. Enquanto que o primeiro grupo acredita que as mudanças que ocasionaram as “extinções em massa” ocorreram de forma brusca e não-seletiva com a queda de asteróides e/ou com a chuva de cometas, o segundo grupo acredita que diversas mudanças climáticas de longa duração agiram de forma gradual e seletiva sobre as espécies. Para eles, essas mudanças climáticas foram induzidas pela deriva tectônica dos continentes, que foi responsável pela grande variação na forma e disposição de continentes e mares. Esse fenômeno da deriva dos continentes ocorre desde a formação de nosso planeta até os dias de hoje. Conforme acreditam essa é a explicação geral que mais se adéqua a maioria dos registros de “extinções em massa”. Essas explicações também incorporam os efeitos de erupções vulcânicas nas mudanças climáticas. Acredita-se que enormes e repetitivas descargas de lava e gases (especialmente do gás carbônico) podem ter contribuído significativamente para o efeito estufa, elevando a temperatura da superfície do planeta, causando assim o desaparecimento de milhares de espécies de plantas e animais.
     Ainda não há um consenso sobre esses dois grupos de teorias das “extinções em massa” que ocorreram no passado. Todos os cientistas concordam que tais episódios de grandes extinções realmente ocorreram, mas ainda não se sabe ao certo o porquê disso.
      Agora, com relação ao aumento recente das taxas de extinção de plantas e animais que tem ocorrido nos últimos três séculos, é unânime a opinião de que todos nós, seres humanos, somos os únicos responsáveis por isso.
     Nós temos utilizado extensas áreas de terra para a agricultura, pecuária, extração de madeira, mineração e construção de rodovias, estradas, cidades e metrópoles, que são as nossas atividades mais prejudiciais em relação à vida silvestre.
     Vale relembrar que nunca no passado as “extinções em massa” ocorreram numa escala de tempo tão curta, pois nos oito episódios apresentados anteriormente o desaparecimento das espécies quase sempre levou dezenas ou até mesmo centenas de milhares de anos. Nunca um período menor que mil anos foi o intervalo de tantas mudanças, como é o caso recente das extinções que tem acontecido nos últimos três séculos.
     Hoje, nós nos intitulamos a “espécie dominante do planeta”. Temos orgulho em dizer que somos a espécie que está presente em todos os lugares, desde os mais insólitos desertos, aos picos mais altos. É comum ouvirmos amigos e parentes ensinando às crianças que a nossa espécie é a única que vive do Pólo Sul ao Pólo Norte, mas dificilmente lembramos que ter o privilégio de estarmos em todos os lugares possíveis e inimagináveis deve ser visto como uma dádiva dada a nós por Deus, e que tal privilégio deve se traduzir em responsabilidade para aqueles seres à nossa volta.
     Se nós queremos salvar animais e plantas que estão presentes na lista de ameaçados de extinção, cabe a cada um de nós revermos nossas posturas e atitudes e, juntos, nos unirmos para mudar esse cenário, antes que seja tarde demais.
     Não podemos esquecer que se não dermos a devida atenção às centenas de espécies de plantas e animais que estão ameaçadas e continuarmos a agravar ainda mais essa situação, nós podemos acabar sendo a próxima espécie a entrar nessa lista.

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Publicado no Jornal Chico, edição n. 40, p. 09, de 19/03/2008. Gurupi – Estado do Tocantins.

Publicado no Jornal Mesa de Bar News, edição n. 426, p. 15, de 12/08/2011. Gurupi – Estado do Tocantins.

Giovanni Salera Júnior
E-mail: salerajunior@yahoo.com.br

Curriculum Vitae: http://lattes.cnpq.br/9410800331827187

Maiores informações em: http://recantodasletras.com.br/autores/salerajunior
Giovanni Salera Júnior
Enviado por Giovanni Salera Júnior em 22/12/2007
Reeditado em 30/12/2011
Código do texto: T788723
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Giovanni Salera Júnior
Brasília - Distrito Federal - Brasil
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