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O encontro com o escritor

Em uma tarde de primavera, Samyra seguia em direção do Bairro das Laranjeiras, um dos pontos mais elevados da cidade.

Há algum tempo ela vinha experimentando inusitadas inquietudes que não conseguia compreender perfeitamente. Muito jovem, não se interessava por coisas próprias de sua idade, como noitadas em bares ou novelas televisivas. Tampouco perdia seu precioso tempo em tagarelices com as amigas.

Sem saber o motivo, começara a sentir atração por livros. Romances de amor, aventuras? Absolutamente, não. Inclinava-se por obras de psicologia aplicada, filosofia e espiritualidade. Adquirira o hábito de consultar os livros do gênero na biblioteca pública. Certo dia, olhando livros expostos em uma vitrina, sentiu-se vivamente atraída por um deles. Resoluta, ingressou na livraria e solicitou a obra. Tratava-se de um conjunto de temas muito interessantes. Um deles motivou-a profundamente: o despertar da consciência. Descobriu, também, que o autor morava em sua própria cidade. De pronto, comprou o livro. Em casa devorou-o por inteiro, noite adentro. Contudo, algumas passagens ela não conseguiu assimilar perfeitamente. Por isso tomou uma decisão,  a  de conhecer o autor.

Junto a floridos canteiros, seguia ladeira acima, rumo à casa do desconhecido escritor. O endereço e telefone descobrira-os no próprio livro. Tomada de coragem, acertara um encontro para livrar-se de certas dúvidas.

Aproximou-se de uma casa branca, dois andares, portas e janelas pintadas de azul escuro.  Conferiu  o  endereço: tratava-se da casa do escritor. Permitiu-se, por instantes, sentir a beleza do jardim, a movimentada alegria dos pássaros. Mas, logo uma suave melodia chamou-lhe a atenção. Do interior da casa, harmoniosas notas musicais tocavam sua sensibilidade. Serenamente, aguardou o término da execução e, com o coração alvoroçado, pressionou a campainha.

Ao abrir-se a porta, um senhor de cabelos grisalhos, olhar alegre e simpático, recepcionou-a cordialmente:

-  Boa tarde!

—  Boa tarde, senhor Robym!

—  Penso que sejas a Samyra ...

—  Sim, eu mesma.

—  Por favor, entre, Samyra.

Ela então experimentou uma sensação de paz e envolvimento. Tudo atraía sua curiosidade: a decoração peculiar, os móveis sóbrios, os adornos místicos, um órgão eletrônico.

O escritor convidou-a a sentar-se em uma poltrona, procurando deixá-la à vontade.

— Então, agora, tenho o prazer de conhecê-la  pessoalmente.  Através do telefone,  gostei  imensamente da tua voz.

— Gostei muito da  tua  interpretação  de  “Romeu  e Julieta”. Mas não pretendia interromper teus ensaios musicais.

—  Não te preocupe. Eles podem ficar para  outra hora.  Então,  queres  decifrar  os  mistérios  contidos  em meu livro?

—  Sim, com certeza.

—Muito bem. Para tanto,  convido-te  a  comparecer  em  meu  ambiente de trabalho, ao final das tardes. Teremos, assim, oportunidade de aprofundarmo-nos na matéria.

— Que maravilha! Mas não estarei perturbando teu trabalho?

— De forma alguma, Samyra. Ao contrário, estarás contribuindo  valiosamente para o meu novo projeto, um livro sobre autoconhecimento, filosofia de vida ...

—   Uma temática super interessante!

— Na realidade, poderemos desenvolver um curso,  de  maneira  informal.

—  Vou gostar imensamente.

— Bem, aqui está o endereço. A partir de  amanhã,  ao  final  do  expediente, espero-te todos os dias.

—  É bem mais do que eu imaginava. Não sei como demonstrar minha gratidão.

—  Eu é quem deveria agradecer por teu interesse.

Samyra despediu-se do seu novo amigo. Ao retornar a sua casa, contou tudo aos pais, e logo se encerrou em seu quarto para reler o livro recém comprado.

Samyra passou o dia seguinte sob intensa expectativa. Sentia-se motivada em relação ao curso anunciado pelo escritor, algo que buscava há algum tempo.

No decorrer das horas, dedicou-se a sua atividade, a de cuidar dos sobrinhos, filhos de uma irmã mais velha. A todo o momento os garotos exigiam-lhe plena atenção: higiene, alimento, lazer e descanso. E mais: era preciso promover constantemente  a harmonia entre as irrequietas crianças.

Ao cair da tarde tomou um ônibus e dirigiu-se ao local indicado por seu novo amigo. Ao chegar, foi recepcionada por uma secretária que a conduziu à presença de Robym.

—  Com licença. Boa tarde!

—  Oh! Samyra! que bom revê-la!  Estava  à  tua espera.

—  Aqui, pelo que vejo, funciona uma  escola  de  música.  Estou  certa?

—  Sim, e mais: esta  casa  abriga  uma  entidade cultural.  Além  do  ensino  da música instrumental, dedica-se também a promoção de eventos artísticos nas áreas da música, canto coral, dança clássica e moderna, teatro...

—Imagino que desempenhas o papel de diretor.

—Sim, Samyra. Além de  conduzir  a  administração,  estou  à  frente dos vários eventos culturais que aqui são promovidos.

—  Deve ser gratificante.

—  Sem  dúvida. E ainda  tenho a   oportunidade de aprimorar meu talento  musical, no  órgão eletrônico.

—  Isto  é  ótimo.  De  minha  parte,   descobri   a   vocação  para  o  canto  coral.  Já participei de um grupo, mas atualmente estou afastada desta arte.

—  Neste caso,   convido-te   a  integrar   o   nosso  grupo de cantores, que se reunirá   na   próxima terça-feira à noite.

—  Sinto-me emocionada.

—  E eu, muito feliz,  pois  estarás  fazendo  parte  da  nossa  família cultural. Bem, a esses assuntos voltaremos em outra ocasião. Agora, creio que podemos dar início aos estudos.

—  Com certeza.

— Autoconhecer-se é fundamental. Os antigos  filósofos  preconizavam: “Conhece-te a ti mesmo!” No entanto, a maior parte das pessoas prefere buscar infinitos conhecimentos nas mais diversas áreas, em detrimento de si mesmas.

—  Já me dei conta desta realidade. Assim, desde algum tempo,  venho fazendo indagações como estas: “Quem sou?”, “Qual o sentido da vida”, “Que papel devo representar nesta existência?”

—  Não te preocupe com as respostas. Elas deverão surgir espontaneamente, com o tempo. Enquanto isso, fique atenta a tudo que acontece, dentro e fora de ti mesma. É preciso observar o que se passa no interior: pensamentos, julgamentos, sentimentos, emoções, reações... E também no exterior: acontecimentos, manifestações das pessoas...

—  Vejo que é preciso manter sempre um espírito observador.

—  Sim, Samyra. Para melhor compreendermos o nosso “eu”, começaremos abordando o tema “a  estrutura da personalidade.” Muitos cientistas dedicaram-se ao assunto, legando-nos valiosos conhecimentos. Entre eles, Sigmund Freud, o Pai da Psicanálise, que definiu os conceitos de Id, Ego e Superego. A seu turno, Eric Berne, o idealizador da Análise Transacional, destacou três instâncias psíquicas fundamentais do ser humano: Estado de Ego Pai, Estado de Ego Adulto e Estado de Ego Criança. De minha parte, prefiro identificá-las, respectivamente, como estados de ser Ético-paternal, Racional e Vivencial.

—  Muito interessante. E  quais  as  características de cada  uma  dessas “instâncias”?

— O Estado de Ser Vivencial, a  instância  primitiva, envolve instintos, emoções e sentimentos. Por sua vez, o Estado de Ser Racional ocupa-se com o pensamento, a memória, o raciocínio lógico. E, por fim, o Estado de Ser Ético-paternal relaciona-se com a lei internalizada no indivíduo, trata da formação do caráter e dos sensos ético e paternal.

—  Creio  que   posso    compreender.   Significa que  possuímos  basicamente   três   comandos   distintos  em nosso ser, cada um atuando de forma concreta.

— O estudo do tema em profundidade é necessário para uma  compreensão maior. Aqui vamos abordar noções fundamentais,  mas  suficientes para assimilar a matéria.

—  Compreendo. Podes continuar.

— Em primeiro, focalizemos o Estado de  Ser  Racional. Esta instância do psiquismo humano começa  a  desenvolver-se aos dez meses de idade. Nesta fase, a criança experimenta o prazer da locomoção, a satisfação de manejar objetos, a alegria de desfrutar a liberdade. Ela descobre que é capaz de decidir, ainda que de forma rudimentar. Não apenas sente ou obedece automaticamente, mas também passa a pensar por si mesma. O Ser Racional é uma espécie de computador: filtra informações, processa dados, recolhe elementos do universo interior e exterior. Uma de suas principais funções consiste em examinar os dados coletados para avaliar sua validade e adequação à realidade, podendo aceitá-los ou rejeitá-los. Além de funcionar como sede da memória, esta instância psíquica estima probabilidades, prevê acontecimentos e decide sobre as adequadas atitudes a tomar em cada situação. Ainda é preciso evidenciar que o Estado de Ser Racional não pode atuar contaminado por  emoções, preconceitos ou dogmas, sob pena de equivocar-se.

—  Sem dúvida, professor.  Posso  concluir  que  o homem, por meio desta instância psíquica,  deve  desenvolver perfeita flexibilidade, a fim  de  reconhecer  erros  e redirecionar suas atitudes, adequando-se à realidade.

— Muito bem, Samyra. Observo  que   estás   assimilando a matéria. Em continuidade, ressalto que o homem tem necessidade de entregar-se a análise, meditação, compreensão. Jamais deve aceitar coisa alguma de forma dogmática. Ao contrário, precisa investigar, inquirir, assimilar, para então aceitar ou rejeitar. Assim, ele vai aprimorando o dom da sabedoria, que lhe faculta manter controle sobre as impressões recebidas.

— Imagino que o homem precisa descobrir  sempre as razões ocultas de cada experiência da vida. Sem dúvida, tudo o que acontece possui uma razão, por mais encoberta que possa estar. Por isso, acredito no valor da meditação, que isola o pensamento de influências negativas e propicia o poder de penetração nas causas reais.

— Bem, Samyra, já é tarde. Por hoje basta. Amanhã continuaremos.

—  Certo, professor. Desejo-te uma boa noite.

—  Boa noite, Samyra.

Durante o trajeto de volta a sua casa, no ônibus, Samyra passou a observar as pessoas, seu jeito de falar, rir, relacionar-se. Isenta de qualquer juízo ou preconceito, começou a observá-las com atenção, curiosidade e discrição. Anteriormente, fora propensa a atitudes críticas e depreciativas em relação às pessoas em geral. Isto a deixava perplexa, às vezes, perturbada. Agora, já podia compreender, ao menos em parte, as disposições de temperamento dos outros. A partir de então, formou o hábito de cultivar em seu íntimo o precioso dom da tolerância.

Após o jantar, refugiou-se em seu pequeno quarto e entregou-se a profundas reflexões. Sua vida passava por uma fase positiva. Além de desenvolver uma atividade gratificante, cuidando dos sobrinhos, participava de um curso de autoconhecimento. E, em breve, integraria um grupo de canto coral, o que lhe desenvolveria a sensibilidade musical. Tudo isso lhe despertava ânimo, alegria, vitalidade.

O dia seguinte dedicou inteiramente às irrequietas crianças, com amor, zelo, paciência e tolerância, virtudes necessárias a esta atividade. Ao final da tarde, retornou à escola de música. Robym estava em reunião com  o  presidente da entidade. Por isso ela aguardou  na  ante-sala. Nestes momentos, pode ouvir, com extremada sensibilidade, uma harmoniosa melodia provinda de uma das salas de estudo. Tratava-se de interpretação de uma peça erudita,  através de flauta transversa.

Robym não custou a aparecer:

—  Samyra, que prazer em revê-la!

—  Boa tarde, Robym! Estava escutando esta bela música.

—  É um dos nossos professores que se dedica aos ensaios, pois integra uma orquestra sinfônica.

—Bem que gostaria  de   ouvir uma    execução de uma orquestra. Tenho verdadeira paixão por música erudita.

—  Não faltarão oportunidades. Agora, vamos ao alpendre.

O ambiente situava-se junto a um jardim interno, ornado de exuberantes folhagens e coloridas flores. No centro do gramado, uma imponente nogueira. Samyra não se conteve.

—  Que lugar maravilhoso!

—Ideal para estudos e meditação. Antes de reiniciarmos nosso trabalho, sugiro comentarmos um pouco sobre a música. Beethoven afirmava que ela é a mais sublime das artes.

—  Concordo plenamente.

— A música, na  realidade, é  uma  das mais  importantes manifestações de nossa herança  cultural.  Ela encontra-se  latente  em  todas  as  pessoas,  e  deve  ser desenvolvida com plenitude. Propicia o  florescimento  da criatividade e da sensibilidade.  Habilita  a  expressão  de pensamentos e sentimentos os mais elevados.  A  música sublima o espírito humano.

—  Preciso  meditar sobre estas afirmações,  Robym.

—Posso  dizer  mais,  Samyra.    A    música  é uma forma de comportamento. Ela é responsável, em grande parte, pela formação do indivíduo, da sociedade, de todo um povo. Comunica-se diretamente com nosso corpo, nossa mente, nossas emoções e sentimentos. A música constitui uma forma de relacionamento do indivíduo com o universo.

—  Isto é fantástico!

—Ao ler um   Manifesto  de Músicos  Portugueses, compreendi que, enquanto arte, a música não é mero divertimento. Ela atua sobre a inteligência e a sensibilidade do ser humano. Enfim, a linguagem musical é um poderoso agente de motivação, educação  e  transformação do homem. No processo educacional, a partir de tenra idade, ela oferece um grande número de experiências sensoriais, emocionais, intelectuais e sociais extremamente gratificantes.

—  Posso deduzir o quanto é importante o estudo da música.

- Sem dúvida, Samyra. Bem, teremos inúmeras oportunidades para voltar a este assunto. Agora, prosseguindo em nosso tema sobre a estrutura da personalidade, abordamos a segunda instância psíquica, o Estado de Ser Ético-paternal. A formação deste estado psicológico ocorre na infância, a partir das gravações realizadas sob a influência dos pais e de outras pessoas importantes para a criança. A herança paterna e familiar é de extrema valia para a formação ética do indivíduo. Os pais são nossas matrizes de relação. As-sim, é de fundamental  importância tomarmos consciência do relacionamento que  tivemos com pai e mãe, a fim de não  ficarmos  limitados  por estes registros parentais.
A instância psíquica de que nos ocupamos divide-se em dois campos. No primeiro, são registradas as impressões de conduta moral; no segundo,  as de proteção paternal.  As gravações realizadas no primeiro campo formam no indivíduo uma espécie de “polícia interior”. A partir daí o homem desenvolve em seu íntimo a consciência de autocensura e uma escala de valores. Cultiva, então, sua própria maneira de conduzir-se nas áreas da ética, da moral e da conduta. E isto varia de forma expressiva de indivíduo a indivíduo, segundo o contexto social, cultural e familiar. Por sua vez, no segundo campo são gravadas as impressões de apoio e proteção, orientação e aconselhamento, estímulo e incentivo, permissão e tolerância, cooperação e gratificação, perdão e empatia.

A formação da personalidade do ser humano depende da qualidade das impressões firmadas na primeira infância. Uma pessoa, ao agir sob o impulso de seu “ser paternal” bem formado, comporta-se de forma cálida, afetuosa, estimulante, sem apego nem superproteção. Ensina, aconselha e protege sem subjugar nem humilhar. Promove o desenvolvimento e a auto-suficiência, ao invés da dependência.  É paternal sem ser paternalista. Por outro lado, sob o impulso do “ser ético”, o indivíduo formula e adota normas e preceitos  morais de acordo  com sua realidade.

—  Isto é fantástico!

—  Alegro-me   por teu  entusiasmo.  Vamos   continuar na próxima aula.

A cada nova lição, Samyra podia compreender melhor a si mesma e aos outros. Passou a dedicar maior atenção aos sobrinhos, pois ampliara a consciência sobre a importância de sua influência na formação da personalidade das crianças.

Ao retornar à escola de música, que se chamava Fundação Pro Arte Palestrina, permitiu-se usufruir a suave música que pairava no ambiente, enquanto esperava o escritor. Tão absorta ficou a ponto de não perceber a presença de Robym.

— Oh! professor! Sinto um renovado prazer sempre que venho a este mágico lugar.

—  Isto é muito bom... Por favor, venha à minha sala.
Acomodados nas poltronas, entregaram-se de imediato aos estudos.

— Na lição de hoje, vamos abordar outra importante parte da estrutura da personalidade, que designo  “Estado de Ser Vivencial.” Freud denominava-a  “Id”, enquanto Eric Berne, “Estado de Ego Criança.”

—  Nossa eterna “criança interior”.

—Perfeitamente, Samyra.  Podemos  dividir  esta instância psíquica em três partes.  A primeira, o Estado de Ser Vivencial Natural, é a sede dos instintos, sensações, emoções e sentimentos “naturais”. Reservatório de energias, fonte do prazer, entusiasmo, otimismo, vontade. E mais: aí encontramos a criatividade,  a curiosidade, a imaginação, a inspiração, a intuição,  a fantasia. Ainda o senso artístico, o estético e o místico.

—  Descobrir tudo isso é sensacional.

— Esta é a parte mais encantadora da  personalidade humana.

—  Sem a menor dúvida, Robym.

—  Enfocamos agora a  segunda  parte,  o  Estado de Ser Vivencial Submisso. Suas  características  são  resultantes  das pressões sofridas na infância: submissão, dependência, indolência, passividade, insegurança, depressão, ansiedade, angústia, preocupação, descrença, desespero, vergonha. As várias formas de fobias e os sentimentos de culpa, inferioridade e rejeição também fazem parte deste quadro.

—  E  para  livrar-se  de  todas  essas   anomalias, creio ser necessário um longo e profundo trabalho, sob a responsabilidade de profissionais especializados. Estou certa?

— Sem dúvida. Para  concluir,  as  características do Estado de Ser Vivencial Rebelde, também adquiridas na infância em razão de influências negativas. São elas: ódio, ressentimento, vingança, desconfiança, ciúme, inveja, rivalidade, agressividade, espírito de contradição e desafio.  Da mesma forma, para perder estas nefastas qualidades, é preciso submeter-se à rigorosa terapia.

—  Muitas vezes também a completo isolamento social.

—  Com certeza. Bem, por hoje, já estudamos o suficiente. Vamos tomar um cafezinho.


Ao encontrarem-se novamente, no dia seguinte, resolveram revisar alguns pontos  do tema até então analisado. Robym deu início aos debates.

— Veja, Samyra, em síntese, a estrutura  da  personalidade humana é composta de três estados  de  ânimo: Estado de Ser Vivencial, Estado  de  Ser  Ético-paternal e Estado de Ser Racional.  As pessoas agem e  interagem continuamente alternando estes três estados,  que devem “conviver”  em perfeita harmonia para  que  o  indivíduo possa viver em equilíbrio.

—  Penso que, dependendo de cada situação, um ou outro estado de ânimo “deve tomar as rédeas” e agir adequadamente. Não é mesmo?

— Sim, Samyra. Os três estados podem  atuar  em determinada situação, cada um a seu turno. Para enriquecer nossa compreensão a este respeito, basta observar atentamente duas pessoas conversando. Com certeza, veremos a passagem de um a outro estado, repetidas vezes, em questão de segundos.

— Deve ser muito interessante. Vou prestar atenção quando estiver com minhas amigas.

— Acrescento ainda que  o  Estado  de  Ser Vivencial é comum a todas as idades, desde a mais tenra infância até a avançada velhice. Suas características referem-se à manutenção da vida, à satisfação das necessidades, à expressão dos instintos, emoções e sentimentos. Um mundo de sensibilidade, criatividade, intuição...

—  E também irracionalidade.

— Certo. Mas, é preciso desenvolver  também  os campos da ética e da razão para dominar  as forças instintivas e emocionais, e assim conviver harmoniosamente em grupo, em coletividade universal.

— Creio, Robym, que devemos ter a mais absoluta consciência de nossas necessidades primordiais, mas obedecendo sempre os ditames da ética e da razão.

—  Perfeito. Na realidade, o concurso harmonioso dos três “seres”  dentro  de  nós  proporciona  o  equilíbrio necessário a uma vida sadia e feliz, sob todos os aspectos.

— Vejo que neste final de semana terei uma  ótima temática em que me aprofundar. Mas  sem  esquecer-me das tradicionais caminhadas.

—  Exercitar  o  corpo  é  fundamental.  De   minha parte, vou ao clube jogar tênis.

— Bem, Robym, eu vou para casa. Desejo-te um ótimo fim-de-semana.

—  Obrigado. O mesmo desejo para ti.


Do livro do autor: "Encontros ao Entardecer"
Ramiro Sápiras
Enviado por Ramiro Sápiras em 08/12/2005
Reeditado em 08/12/2005
Código do texto: T82558
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Sobre o autor
Ramiro Sápiras
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 76 anos
57 textos (192574 leituras)
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Ramiro Sápiras