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Colombo e o Descobrimento da América

ENSAIO
COLOMBO E O DESCOBRIMENTO DA AMÉRICA.

A história do planeta Terra é feita de conquistas e derrotas; de descobertas e colonizações, dentre elas especificamente, a descoberta da América que se caracterizou num marco surpreendente da nossa história.
O ano de 1492, segundo Todorov, é o indicado para marcar o início da era moderna, visto que foi o ano em que Cristóvão Colombo atravessou o Oceano Atlântico, numa aventura espetacular, sem certezas, levado pela convicção em uma missão divina, sem garantia de retorno. Os insistentes questionamentos sobre os verdadeiros motivos que teriam levado o Almirante a partir, conduziram pesquisadores e historiadores a conclusões interessantes a esse respeito, depois da analise dos relatos contidos nos diários de bordo, durante a grande expedição, cujo desfecho acabou por modificar o caminho da humanidade.
Colombo necessitava alardear seu imensurável desejo na conquista de novas terras com o objetivo único de explorar riquezas. Sua obsessão pelo ouro dava a entender para suas Altezas, marinheiros e pessoas outras, que era um homem ambicioso capaz de empreender viagens marítimas de grande envergadura, somente para enaltecer o seu ego de descobridor. Os marinheiros sofriam e choravam durante as longas viagens, o Almirante sabendo do grande atrativo que o ouro despertava naqueles homens, usava como artifício promessas de grandes descobertas do precioso minério. Isso realmente os acalmava, como também aos reis, patrocinadores da expedição que possibilitou o grande descobrimento. Na verdade, Colombo acreditava fielmente na sua predestinação em propagar o cristianismo; portanto, a expansão do evangelho foi decisivamente o seu maior objetivo, Assim como também , descobrir novas terras e desvendar seus segredos era algo que o motivava a se aventurar pelos mares em busca de povos onde pudesse converter em cristãos.  Supõe-se que lhe era familiar às palavras de Jesus Cristo:Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles. O Almirante, no entanto, nem sempre foi bem sucedido ao fazer as suas promessas. Em certa ocasião, por não ter enviado imediatamente navios carregados de ouro, foi desprezado pela empresa. Passou então a acumular ouro para suas altezas, sem deixar de enfatizar a quantidade de pedras preciosas e ouro maciço; usou isso de forma eloqüente para chamar-lhes à atenção para a importância da empresa. Necessitava de financiamento e para tanto, manter a credulidade e a confiança em seus propósitos era extremamente necessário.
Apesar de todos os esforços, ele não conseguiu evitar as duras discussões entre os reis e ele próprio, chegando até a ser promovido um processo entre os herdeiros de ambos, com o objetivo de ajustar o total de lucros que Colombo poderia dispor e\ou estaria devidamente autorizado a retirar das Índias.Contudo, o Almirante não se importava pelas riquezas, mas sim pelo que ela representava para o seu papel de descobridor. No íntimo, sofria terrivelmente ter que acumular riquezas, pois, sabia perfeitamente, que os bens terrenos eram vãos, por esse motivo, valorizava o que pudesse ser fruto para a honra e serviço do Senhor Deus.
O projeto criado por ele de libertar Jerusalém juntamente com o desejo extremo de tornar o cristianismo universalmente vitorioso, impulsionou o grande navegador a lutar pelos seus objetivos e concretização do que ele denominava como “missão divina. Era audacioso esse seu projeto de partir em cruzada, e em prol dele viveu muito tempo arquitetando colocá-lo em prática, mesmo sem a ajuda dos reis. Não conseguiu o seu intento, no entanto. O destino de Cristóvão estava atrelado a ser o de patrocinador, desbravador, descobridor e povoador da América.
Pela ótica de Todorov, Colombo não foi considerado um homem moderno, ao contrário, foi arcaico até em professar a sua religiosidade e enfatiza:como se aquele que faria nascer um mundo novo já não pudesse mais fazer parte dele. Essa evidência ficou explícita no desenrolar da descoberta. Com a natureza, no entanto, manteve relações de intimidade e prazer. Afirmou que a terra que ele via era na verdade um continente; fundamentava sua convicção numa divisão tríplice: a abundância de água doce, a autoridade dos livros santos e a opinião de outros homens encontrados. Esses três argumentos embora dispostos em planos diferenciados, dividiu o mundo de Colombo em natural, divino e humano.
Com base em pesquisas, Colombo demonstrou ser finalista e nem um pouco empirista; empenhava autoridade e de fato deveria saber de antemão o que iria encontrar. Mas com a natureza tinha muita perspicácia, muito mais do que quando tentava compreender os indígenas, seu comportamento, suas línguas; era difícil estabelecer comunicação com os índios principalmente porque ao que tudo indica, não se preocupava muito com essa questão por estar preocupado consigo mesmo, certamente não reconhecia também a diversidade das línguas de modo geral, por não conceber as diferenças, gostaria que fossem todas iguais. A dos índios ele a compreendia por conjecturas. A priori, os classificou como seres pacíficos, amistosos, medrosos e até covardes!  Porém, no decorrer do tempo e mediante determinados acontecimentos, o Almirante mudou completamente seu discurso.
Não conseguiu entender o sistema de trocas, cooperatividade, associativismo e comunidade como viviam os indígenas que ao retiraram objetos sem sua permissão de seu barco foram taxados de selvagens, primitivos e ladrões...Segundo afirmações no texto Descobrir, de Todorov.
O que Colombo pretendia era que os índios assimilassem os costumes dos espanhóis, considerava-os iguais, sem religião e sem cultura, embora tenha descrito em algumas vezes, comportamentos idolatras. Colocou-se contra as trocas entre os índios e os marinheiros por considerá-las escandalosas, mas ele próprio havia ensinado aos índios a apreciar e exigir presentes.(Diário 18-121492). Dei-lhe um belíssimo colar de âmbar que trazia no pescoço, um par de calçados vermelhos e um frasco de água de flor de laranjeira, alegrou-se muito com isso. O que Colombo não aceitava eram as trocas desleais, onde ouro era trocado até por pedaços de vidro! O que parece, no entanto, é que os presentes para os índios não tinham muita serventia. Ficou claro o choque cultural, e a dificuldade de se estabelecer equilíbrio entre diferentes costumes e visão de mundo. O que será que os índios pensavam dos espanhóis? Colombo registrou que os imaginavam seres divinos, descidos a terra à procura de ouro. Acrescentou que são crédulos, sabem que existe um Deus no céu e estavam convencidos que os espanhóis vieram de lá.
Se realmente o descobridor da América não conseguia compreender a linguagem indígena e nem fazia esforço para isso, conhecia perfeitamente os melhores ventos e as melhores velas, possuía extremo conhecimento sobre navegação e a ciência das estrelas, também descobriu a declinação magnética do globo terrestre. Era interprete brilhante dos sinais da natureza e embora tenha tido naufragado e ficado encalhado durante oito meses na costa jamaicana, usou de seus conhecimentos para conseguir alimentos com os índios que depois de certo tempo se recusaram a alimentá-lo. Os índios ficaram perplexos mediante a chantagem feita por Colombo ao afirmar que roubaria  lhes roubaria a lua,  fez isso com base num eclipse lunar iminente (conhecia a data) e no dia 29 de fevereiro de 1504 iniciou a ameaça, diante dos assustados indígenas.
Era um homem também místico, escrevia profecias e se preocupava com nomes próprios, tendo mudado o seu várias vezes, no decorrer da sua vida. Acreditava piamente que para cada missão o homem necessita de um nome energeticamente adequado, a exemplo do Cristo que mudou o nome de seus discípulos, como marco de um novo nascimento. Um dos seus sobrenomes era Cólon, que significa, povoador. O Almirante ia nomeando as ilhas que ia encontrando conforme as suas crenças, com ritual e muita formalidade. Portanto, fica evidente que os nomes eram fatores essenciais nas suas descobertas e para si próprio. Para exemplificar, no dia 11 de outubro de 1492, Colombo teve o primeiro contato com as terras recentemente descobertas, entre a Europa e o que viria a ser a América. Esse solene momento foi acompanhado pelo escrivão real e por dois de seus capitães. Fez desse momento um célebre acontecimento no exato momento da nomeação, a qual as terras passavam a fazer parte do reinado de Espanha. Os índios estupefatos assistiam à posse. Este foi o primeiro ato de Colombo na América.
A sua visão romântica quanto à existência de um Paraíso Terrestre, a religiosidade e contemplação da natureza, fizeram dele uma pessoa enigmática. Acreditava em sereias e nas mulheres guerreiras denominadas de amazonas.  No texto, Visão do Paraíso de Sérgio Buarque de Holanda, o autor relata que em 1504, algumas amazonas haviam sido avistadas em uma praia, exatamente na paragem onde Colombo tentara situar o Paraíso Terrestre. O real e o fantástico pareciam fundir-se no momento em que as combatentes faziam prodígios ao lado dos homens, ajudando-os na resistência ao invasor, com o auxílio de suas mortíferas flechas ervadas. Parecia que nesse ambiente espetacular o mito deveria nascer. O tema das amazonas é inseparável da história da conquista da América.
O almirante tinha a opinião de que o Golfo de Paria era conjunto com o Éden, que se localizava no extremo ponto do extremo oriente, onde se levantara o sol da criação. Colombo se referia a ele mesmo como estrangeiro e muitos países quiseram possuir a honra de tê-lo como patriota, mas para Todorov, ele não possuía pátria nenhuma e afirma que o grande navegador descobriu a América, mas não os americanos! Colombo, no entanto, possuía conhecimentos importantes para sua época, era conservador o que fez ser confundido como arcaico; conhecia a natureza e os seus poderes, inaugurou a Era Moderna, expandiu o cristianismo, seu principal objetivo e deixou registrado em uma carta destinada ao Papa Alexandre VI, em 1502:Espero em Nosso Senhor, poder propagar seu Santo nome e seu evangelho no Universo. Foi contraditório muitas vezes, em suas afirmações, mas nada disso, retira a sua importância para o Descobrimento da América e com base na citação de Maquiavel,os fins justificam os meios, pode-se justificar de certa maneira - levando em consideração o sistema da época, a mentalidade dos governantes para  muitas das atitudes desse grande ser humano que, com muita coragem e determinação possibilitou a duras penas para si próprio, a descoberta do Novo Mundo.

Maria de Lurdes Mattos Dantas Barbosa
Enviado por Maria de Lurdes Mattos Dantas Barbosa em 15/02/2008
Reeditado em 24/08/2009
Código do texto: T860421

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Maria de Lurdes Mattos Dantas Barbosa
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