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Eu sou um mascate de palavras...

Eu sou um mascate de palavras. E todas estão à venda. Quase todas. Têm algumas que são registradas, mas alugadas, licenciadas, pirateadas, enrustidas, entre outros bichos. Mas a grande maioria é liberada. Não possuem taxas, ou enchimentos de saco. Eu vendo, donativo, uso, abuso, incluo, retiro, e vou largando por onde pagar mais. É bem canibalesco esse sistema. Os desavisados são facilmente engolidos por elas e se borram totalmente.
Eu sou um mascate de palavras, com aqueles textos bonitinhos, cheios de atrativos degustativos, alusivos, esclarecedores, desibinidores, interessados em realizar a satisfação pessoal de quem compra e de quem paga. A paga nem sempre é das melhores. Tem muito chapéu, muita putaria, que só aporrinha e não quer pagar. Comprador tem saindo pelo ladrão.
Alguns inteligentes, de fino trato, cientes dos poderes delas. Têm os imbecis, que qualquer merda está bom, e se borram para estética, o certo, o justo, o legal. Basta cumprir a obrigação e está limpo. Têm os espertinhos, metidos a sabe-tudo, mas que no fundo não entendem porra nenhuma, mas se dão ao luxo de ficar mexendo aqui e acolá, correndo o texto, o contexto, tudo o mais, e, num sopro de criatividade, aparecendo com um texto pronto, que nada mais é do que a primeira idéia apresentada. Têm os duros, os cara-de-pau, os larápios, uma fauna intensa que proliferam com as mais absurdas tiradas para cima delas, e só causam problemas e mais problemas. Querem usá-las, mas não tem cacife para tanto.
Outra grande merda é os metidos à escrevinhador. Esses são a pior raça. Melam o trabalho de qualquer um, são uns puta chupadores e ralham a mercadoria com cada abobrinha que não dá para acreditar.
Tem gente boa. Muita gente mesmo, que leva o ofício a sério, com esmero e se dá ao luxo de divagar, de inventar, enfim, barbarizar com elas. Esses merecem respeito e carinho. Mas os aproveitadores, os sub-entendidos, etc,
esses são foda. Pentelham tanto que dá no saco ficar por perto. E como atrapalham.
Eu sou um mascate de palavras, como tantos outros, irmãos de fé. É, fé mesmo, pois criar é uma questão de fé, de muito suor, muito trabalho, inclusive na hora da venda, mas de um delicioso prazer quando pronto. O trabalho pronto é como um orgasmo completo e gostoso.
Puro tesão. Puro karma.

Peixão89
Peixão
Enviado por Peixão em 01/04/2005
Reeditado em 20/07/2006
Código do texto: T9155
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Peixão
Santo André - São Paulo - Brasil, 57 anos
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1 e-livros (241 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 04:26)
Peixão