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O SACRIFÍCIO DO INTELECTO

                      O Sacrifício do Intelecto, fora da Religião
            (ou a saga do perdedor Barrichelo – Vice campeão Mundial)

          Torcer é uma espécie de esperança. qui çá, de fé. Max Weber, em Ciência e Política – Duas Vocações, fala do Sacrifício do Intelecto, na briga histórica entre a razão que pode ser representada pela ciência e a fé representada pela religião.
           
          O torcedor, exercita-se nesta atitude, incluídas aí uma grande
parcela de esperança e de fé, mesmo quando todas as expectativas dão contra a possibilidade da vitória ser ou estar no campo do real.    Vou ser mais claro: Torcer é um Sacrifício do Intelecto.

         A última semana de outubro (18/10 a 24/10) abrigou a última etapa do Campeonato Mundial de Fórmula 1, no circuito paulista de Interlagos. E mais uma vez, Rubinho Barrichello e os brasileiros, que se dedicam a torcer e/ou acompanhar o esporte veloz, que é a F-1, estiveram envolvidos no sentimento, que é próprio em nascer neste período.

       O ex-presidente e atual Senador pelo PMDB-AP, José Sarney em sua (divertida e crítica) coluna semanal do Jornal do Brasil, de sexta-feira, 22/10/2004, sob o título “Onde a besta morreu”, chama a atenção para a semana , que termina,cheia de notícias.

           Dentre os fatos comentados, está a F-1, que afirma: - “Para o meu gosto é uma das coisas mais monótonas e chatas do mundo”, aproveita para alfinetar o mau humor do Schumacher, dizendo: - “que é compreensível, que ele goste mais de quarto (de hotel) do que do Brasil, pois que “com a velocidade que ele anda não vê nada (...)” , e aí radicaliza, “(...) nem os milhões de bobocas que vêem com aquela zoada de motor que não muda de tom e têm sempre os mesmos vencedores. Prefiro corrida de cavalo ou de macaco”. Sarney, esquece do Rubinho e fala ainda de sua vocação e luta pela cultura nacional que chama de vocação parlamentar e torce pela vitória de Kerry, na eleição norte-americana.

            Sarney é brasileiro, do Maranhão, com certeza mesmo não gostando de F-1, gostaria que Rubinho, fosse campeão ou que enfim, conseguisse chegar em primeiro, na etapa brasileira do caro esporte de auto-velocidade. Nesse caso específico, no da cultura e na torcida pela vitória de Kerry, Sarney não anda contra a ciência e opina a favor dos números e no que poderão representar de bom para o Brasil, com relação a Rubinho,  prefere não fazer o sacrifício do intelecto .

             Os brasileiros inclusive Rubinho, que diante de uma atitude de fé, depositam crédito e confiança, juntam overdoses de esperança, querendo que seja real o bem que desejam, gritam e gesticulam, no ato de torcer, esquecem os pressupostos e com certeza preferem a vitória nesta etapa brasileira e nela depositam toda a sua adrenalina, tanto como rasgam-se na junção das três palavras: torcer, esperança e fé, e o fazem por ser mais fácil, vencer uma que várias.Mais uma vez, souberam o que é sofrer com algo que não se materializa. Pelo menos ainda.

          Será que Sarney, não mencionou Rubinho, em sua crônica, para não entrar na torcida, que prefere o sacrifício do intelecto ou o fez de forma subliminar, mencionando-o, incluso no título da crônica que é parte de um ditado nordestino: “procure-se o chocalho da besta onde a besta
morreu”.
           
                                                                                                       
 Sylvio Neto

Sylvio Neto
Enviado por Sylvio Neto em 04/04/2005
Código do texto: T9713
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Sobre o autor
Sylvio Neto
Belford Roxo - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
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Sylvio Neto