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Entrevista Com Leonardo Daniel

ENTREVISTA GENTILMENTE CONCEDIDA PELO ESCRITOR LEONARDO DANIEL AO APRENDIZ DE ESCRITOR HEBANE LUCÁCIUS




Hebane: Em breves palavras, quem é Leonardo Daniel?

Leonardo: Certa vez pensei que eu fosse um pássaro, mas não sei voar em bando, nem voo só... só sei voar com ela, minha alma gêmea esta sim conhece os mistérios que me prendem à Terra, e agora estou aprendendo a voar com minha filha, “céu de brigadeiro sobre nós”. Certa vez pensei que eu fosse um católico neomarxista com visão gnóstica da realidade, mas enfim descobri que talvez eu seja apenas um roqueiro tardio, como diz meu querido irmão de fé e de vida Marcelo Henrique.


Hebane: Quando e de que maneira se deu seu primeiro contato com a Literatura?

Leonardo: Com minha mãe que lia e contava histórias de contos-de-fadas na nossa infância, os livros sempre foram transportes para mim, eu tenho muitos irmãos que me dão muitas alegrias, e na infância era um momento sacramental. Minha mãe é a grande responsável por eu ser escritor, além dos grandes mestres que tive (in)formalmente e que por serem meus não tive que disputá-los com ninguém. Minha mãe deixou de trabalhar fora, ela era costureira para costurar nossos destinos, e ela conseguiu. Depois na escola, sempre admirei a visita de escritores e ilustradores.


Hebane: Dos ofícios a que você se dedica, qual foi o que lhe surgiu primeiro como vocação? A Educação ou a Literatura?

Leonardo: O que veio primeiro foi o treino e o ensino da arte marcial coreana tae-kwon-do. Antes fui, portanto, um artista marcial cuja materialidade é a corporeidade de um corpo em sua imagética de movimentos belos. Sou um esteta. Virgem, com Nodo Lunar Norte em Virgem e Ascendente em Libra. Esta Arte, da qual fui professor dos 15 aos 19 anos. Mudou minha vida. Antes de escrever já era fã de escritores, cuja admiração era tamanha que até, pela comparação me inibia em escrever. Pensava eu, “eu entrar no time desses escritores, é um sonho quase impossível” E isso me acompanhou até nos primeiros anos da faculdade de Letras.
Eu tive grandes professores como Jean Jardim, Prof. Geraldo (do colégio de Aplicação/CEPAE/UFG) a helenista Maria Celeste.
Só depois de cursar 2 anos do Curso de Educação Física (UFG) que por várias variáveis eu ingresso no Curso de Letras da Unesp de Araraquara, que a literatura surgiu como cura, como terapia talvez. Quando estou muito triste minha escrita me deixa alegre, quando estou eufórico trago o cinza pros meus olhos. A Literatura é minha vida. Meu Signo neste vasto mundo e sua travessia.


Hebane: Quando e como foi que você se deu conta de que poderia ser e de que seria Escritor?

Leonardo: Não fui eu que escolhi a vida escolheu por mim, meu primeiro livro, “Chanin, Chanin, Miau!” nasceu dentro de um quadro gravíssimo de euforia psicótica. A partir daí a literatura virou uma forma de autoconhecimento vivenciado na representação e complementação de minha vida como poeta e em terapia.
Só tenho uma coisa a dizer e a digo de formas com seu tempo diferente. O conflito é maior que a forma. A forma sempre em deslocamento metonímico tenta encontrar seu objeto perdido, comigo não é muito diferente. E para mim a poesia é quase um porre que vem depois da epifania, da iluminação.


Hebane: Suas vivências e experiências como Professor exercem influência sobre a sua Literatura? Se exercem, como é que se dá esta influência?

Leonardo: Sim exercem, e muito. Desenvolvi um método próprio com técnicas próprias para ensinar redação que se baseia no meu Projeto: (Re)Engenharia do Rock.
Também sou contador de histórias profissional especializado em mitologia grega.
Esta influência, no entanto é muitas vezes um acontecimento inconsciente. A intuição é muito forte na minha forma de decidir sem precisar de crise.


Hebane: Dos livros que você já leu, qual(is) foi(ram) o(s) que mais marcou(aram) sua história como Leitor?

Leonardo: Fernão Capelo Gaivota, O Pequeno Príncipe, Grande Sertão: Veredas, Menina e Moça, Tratado de Psicologia Revolucionária, O Novo Testamento. E todos do Humberto Gessinger.


Hebane: Ainda acerca dos livros que já leu, qual(is) deles você gostaria de ter escrito?

Leonardo: Todos, sem exceção. Principalmente O Novo Testamento. Faria minha própria tradução do Grego Clássico.


Hebane: De todos os escritores com os quais você já teve contato através da leitura, qual(is) foi(ram) o(s) que, segundo sua opinião, exerceu(ram) maior influência sobre a sua maneira de escrever?

Leonardo: Samael Aun Weor.


Hebane: Qual(is) é(são) seu(s) maior(es) ídolo(s) no âmbito da Literatura?

Leonardo: Humberto Gessinger, Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, HEBANE LUCÁCIUS [...]
enfim... Quando um escritor vira amigo, a obra vira reverberação. E a respiração é quase a mesma, obra e amizade se misturam.


Hebane: Se lhe fosse concedida a oportunidade de escolher um escritor do seu conhecimento para servir de personagem a uma obra de sua autoria, que autor você elegeria?

Leonardo: Carlos Maltz. Ele é um pensador pós-moderno e um artista genial. Então a personagem perfeita, pena (ou não)  que ele mesmo já fez esta obra... ‘O Último Rei do Rock’.


Hebane: Qual(is) é(são) o(s) gênero(s) literário(s) que mais lhe agrada(m)?

Leonardo: Poemas c/ Poesia
Ensaios
Prosas Poéticas


Hebane: Entre os gêneros textuais que você pratica, qual(is) é(são) o(s) que mais lhe dá(ao) prazer?

Leonardo: Todos dão. Poesia é como um raio que vai parar no meu coração. Ela é imperativa e com a idade é mais rara, mais é também maior. Em tato, em contato, e, em emoção. A prosa é uma dívida comigo pagada a prestações, pagada a mim e deixando pegadas a humanidade.


Hebane: Qual(is) é(são) o(s) tema(s) que mais te inspira(m) a escrever?

Leonardo: O Amor e a Morte
Eros e Psiquê
O Amor penando em luto pela morte da mulher acamada, velha, e em seu leito de morte.

Obs. Mas faço isso tão bem que a catarse anímica deixa tudo belo como deve ser.


Hebane: Você crê em Inspiração? Se crê, como a define?

Leonardo: Creio. Eu sei que ela existe. Eu sinto ela, mas não é possível defini-la. É uma extensão do amor de Deus, a Bela Voz de Calíope. A inspiração não é desta dimensão, ela pertence a planos mais sutis e espirituais. Apesar que ela adora quando alguém aqui embaixo está em sintonia com ela.


Hebane: Como você acredita que pode ser definida a Literatura de Leonardo Daniel?

Leonardo: Um sonho e uma lágrima e um sorriso para Atena.


Hebane: Dos acontecimentos a que se tem assistido na recente História do Brasil, qual(is) você considera digno(s) de um Poema, de um Romance, de um Conto, ou de uma Crônica?

Leonardo: Cara eu sou apolítico, artista por opção alienado. Não acompanho esta vibe, não sei do quadro clínico e nem dou opinião. O Brasil é lindo e maravilhoso, mas sofre com os golpes dos seus traidores, dos traidores do povo, e que atentam contra a nação. E eu sofro muito também, choro e me desespero, por até agora minha arte fora mais atemporal e não uma sonata de uma brasilidade.


Hebane: Se você tivesse de escrever uma Epopéia inspirada nos dias atuais, que personagem você escolheria como herói?

Leonardo: Lúcifer, Metatron ou Judas... na verdade os três são a mesma pessoa.


Hebane: Quem conhece profundamente o seu trabalho, tanto como Escritor quanto como Professor, sabe da sua notória admiração por grandes Letristas da Música Brasileira Contemporânea, casos de Nando Reis e Humberto Gessinger. Pensando nisso, já lhe passou pela cabeça atuar como Letrista?

Leonardo: Não. Sou fã demais para isso... minha lira ficou em uma de minhas vidas passadas. Mas desenterrei-a nesta existência, eu toquei a ocarina do THE LEGEND OF ZELDA: OCARINA OF TIME.


Hebane: Se você resolvesse atuar como Letrista, com que Músico(s) e/ou Compositor(es) você gostaria de estabelecer parceria(s)?

Leonardo: Sou um fã. Só quero estar na frente do palco... Deus me dê preparo físico para isso.


Hebane: Se você tivesse de escolher uma única canção para ser a trilha sonora da sua vida, qual seria essa canção?

Leonardo: Essa é muito difícil, vou então pelo momento “Pra você guardei o amor” do Nando Reis.


Hebane: De todos os livros e textos que você já escreveu, qual considera sua obra-prima?

Leonardo: Texto: SOMOS QUEM PODEMOS SER
Livro: FRUTOS DO ÉDEN
Poesia: Não sei, meus poemas seguem num fluxo contínuo e já escrevi quase mil poemas.


Hebane: Se não fosse Professor nem Escritor, que profissão você gostaria de exercer? Por quê?

Leonardo: Gostaria de ser surfista, não profissional, pelo zen...


Hebane: Todas as pessoas que tiveram ou têm a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente logo ficam sabendo que, além da Educação, da Literatura e das Letras de Música, você tem uma outra grande paixão, a saber: a Mitologia? Sendo assim, como e quando foi que essa paixão teve início?

Leonardo: Na biblioteca da Universidade Federal de São Carlos, li todos os livros sobre Mitologia Grega, minha mente é pop, associava este conhecimento com meus desenhos animados da infância, já no curso de Letras da Unesp, fui aluno de Grego Clássico e fiz um projeto sob orientação da Profa. Dra. Maria Celeste que estudou e viabilizou uma Oficina de Contação de Histórias da Mitologia Grega. Profissionalizei-me então, trabalhando em escolas, bibliotecas e hospitais.


Hebane: Dos mitos que você conhece, qual(is) é(são) o(s) que mais lhe chama(m) a atenção?

Leonardo: Prometeu e Pandora
Eros e Psiquê
Cadmo e Harmonia

Gosto mais dos semideuses... e dos casais...


Hebane: Em sua opinião, que personalidade(s) da recente História mundial reúne(m) em si características capazes de torná-la(s) mito(s)?

Leonardo: Humberto Gessinger
Renato Russo (já é)
Nando Reis
Paulo Ricardo
Paula Toller

E


Dalai Lama e torço pelo Papa Francisco...


Hebane: De acordo com suas observações, como você descreve as atuais cenas literária e editorial brasileiras?

Leonardo: Não há cena em muitos Estados como em Goiás e isso é culpa dos governantes, com seus descasos, dos escritores com suas vaidades e dos leitores com sua preguiça condicionada.

Há a auto publicação, cara e muitas vezes  inócua, há a graça das grandes editoras, sonho ainda estar nelas e há um meio termo tal qual as publicações por demanda como no “Clube de Autores”.


Hebane: De que maneira podem os leitores desta entrevista adquirir seus livros?

Leonardo: PELOS SEGUINTES SITES:

EDITORA BARAÚNA:
http://www.editorabarauna.com.br/

EDITORA CLUBE DE AUTORES
www.clubedeautores.com.br/

EDITORA BIBIOTECA 24 HORAS
www.biblioteca24horas.com.br


Hebane: Que mensagem você gostaria de deixar aos jovens que desejam iniciar e/ou seguir uma carreira literária?

Leonardo: Não pensem no sucesso. Nem na fama. O sucesso é gradual e relativa é a fama. Pensem na sua arte, arte porque o coração pulsa, pulse com ele também. E não se compare com nenhum grande escritor isso te rouba o estilo.

PAZ E FÉ.


Muito obrigado, Leonardo! Foi um prazer imenso poder recebê-lo neste modesto espaço como meu segundo entrevistado!
Hebane Lucácius
Enviado por Hebane Lucácius em 29/09/2017
Código do texto: T6128297
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Sobre o autor
Hebane Lucácius
Inhumas - Goiás - Brasil, 31 anos
36 textos (331 leituras)
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Hebane Lucácius