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MÍLTON NASCIMENTO

Minha voz é a coragem de amar no ultraje dos desencontros.
Foi com este verso que cheguei na cobertura do hotel para uma entrevista com Mílton Nascimento. Eu já era fã, desde que conhecera sua voz no disco "Caros Amigos", de Chico Buarque, fazendo-me comprar, imediatamente, o "Gerais" e ouvi-lo ao lado de constelações como Mercedes Sosa, o próprio Chico Buarque, Clementina de Jesus e muito som originalíssimo. Isso me fez ainda e compulsivamente comprar "Minas", "Milagre dos Peixes" (o do show dedicado à Leila Diniz e Agostinho dos Santos, e o de estúdio todo instrumental), "Clube da Esquina I e II", outros anteriores, até "Txai", "Portal da cor", "Sentinela", "Caçador de mim", "Ãnima", "Ângelus", "Nascimento", "Gil & Milton", dentre muitos outros, para uma verdadeira coleção.
O que me chamava atenção, era a sempre importante letra escrita por Fernando Brant, ou Márcio Borges, ou Ronaldo Bastos, freqüentes em suas belíssimas canções, como "Cais", "Travessia", "Encontros e despedidas", "Coisas da vida", "Rouxinol", "Canções e momentos", "Coração Civil", "Planeta Blues", "Certas canções", "Guardanapos de papel", além de outras importantes parcerias de voz com Elis Regina, com Nana Caymmi, com Jon Anderson, com Caetano Veloso, com Gilberto Gil, com Peter Gabriel, com James Taylor, e outros espetaculares duos.
Foi no lançamento do disco e do show "Yauaretê" que me vi ao lado deste grande nome da música brasileira e cidadão do mundo, honra mais que excepcional. O que me pegou mesmo, foi quando estava ali, amontoada, uma enorme presença da imprensa falada, escrita e televisada, e ele já desceu querendo falar com a Quilombo FM, deixando-me cheio de pernas e tremendo além demais da conta. Todos os holofotes flagrando meu nervosismo de estar frente a frente com Mílton. Para relaxar, entreguei-lhe uns livros meus publicados, ensaiando uma apresentação que ele, entusiasmado, demonstrou interesse em veicular um programa seu na emissora, quando agradeci a deferência entregando-lhe esse poema que eu havia escrito. Rolou um papo depois.
Sou navio com rota esquecida e naufrágios muitos... quando o nublado olhar pousa em meu rio, é presságio que paira... quando minha voz é torrente de dor, no exagêro sombrio de uma canção, não é nada, é tempestade que passou e deixou danos...
Com esses versos tive a coragem de encontrar-me com ele novamente, anos depois, quando havia lançado o disco "Miltons", agora num papo descontraído na beira da piscina do hotel, uma entrevista emplacada na programação da emissora. Imagine, um fã da minha laia, tendo a oportunidade de registrar esse encontro, quando questionei o que era o disco, o show, as canções, as parcerias, a participação política, o Brasil e a esperança, quando ele arrematou: "Se eu não tivesse esperança com o Brasil, eu já tinha parado de cantar há muito tempo".
Depois reproduzi essa entrevista numa das edições do Nascente - publicação lítero-cultural, jornal que insistí publicar alguns anos atrás.
Dele, evidentemente, que guardo enormes e esclarecedoras palavras, ouvindo sempre suas canções de amor à vida, ao planeta, aos homens, ao Brasil e à natureza. Com isso fecho meu poema assim: ...quando minha voz é a coragem de amar, não é a sombra de um vendaval, é a sujeição de um eterno pavio que aceso, nunca apagará.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.
Veja mais entrevistas acessando:
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LUIZ ALBERTO MACHADO
Enviado por LUIZ ALBERTO MACHADO em 30/08/2007
Código do texto: T631095

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Sobre o autor
LUIZ ALBERTO MACHADO
Maceió - Alagoas - Brasil
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LUIZ ALBERTO MACHADO