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ENTREVISTA COM DEUS

ENTREVISTADOR
Sonhei que eu era um jornalista
De um grande e famoso jornal
E que havia marcado entrevista
Com Deus Pai, no jardim Celestial.
        Ao chegar fiquei muito encantado
        Com tamanha beleza que vi.
        Contemplava o jardim, deslumbrado,
        Quando a voz do Senhor eu ouvi:

ENTREVISTADO
- Pode entrar, meu rapaz, aqui estou
Diga tudo o que anseia saber;
Não se acanhe. Pergunte a vontade,
Pois a tudo irei responder.

ENTREVISTADOR
- Obrigado, Senhor, obrigado!
Eu não vou lhe tomar muito tempo...

ENTREVISTADO
- Fique frio, rapaz, para mim
Qualquer tempo é um breve momento...
Faça logo a sua pergunta!
O que é que você tem na mente?
Quer saber o passado, o futuro.
Ou apenas saber o presente?

ENTREVISTADOR
- Gostaria de lhe perguntar
Não abusando da sua bondade,
Qual o fato que mais o surpreende
Ao olhar para a humanidade?

(O Senhor respirou bem profundo,
Como quem as palavras procura,
E me disse, assim, lentamente,
Como quem, ao falar, se amargura.)

ENTREVISTADO
- O que mais me surpreende na terra
(Eu não sei se você percebeu)
É a criança querer ser adulta
Pouco tempo depois que nasceu...
O pior é que depois de adulta,
(Fez da vida a bagunça que fez)
Se arrepende por haver crescido,
Quer voltar ser criança outra vez!...

        O adulto é um caso mais sério.
        Se arrebenta pra ganhar dinheiro
        Acaba com a sua saúde
        Trabalhando demais, o ano inteiro;
        Depois vê a sua fortuna
        Aos poucos desaparecendo;
        Hospitais e remédios tão caros,
        E ele próprio já quase morrendo!

Mas há muitos que vêem o futuro
Com pavor e até com ansiedade,
Esquecendo-se que no presente,
É que está a felicidade!
Perdem tudo: presente e futuro
E os perdem por leviandade...
Acontece então que um dia,
Por mero capricho da sorte,
Bem mais cedo do que imaginam,
Se deparam de frente com a morte.
Então, tudo rodou água abaixo:
O dinheiro, a saúde, a paz.
Restaram-lhe apenas a tumba
E uma frase escrita “Aqui jaz...”

ENTREVISTADOR
"Nessa hora, a mão do Senhor
Por um instante pousou sobre a minha.
Foi aí que eu lhe fiz, com cuidado,
A pergunta mais séria que eu tinha:"

        - Como Pai carinhoso e bom,
        Que lições o Senhor gostaria
        Que todos, na terra, aprendessem
        Vivendo o seu dia a dia?

 "Sorrindo então, Ele disse
(Apertando até minha mão):"

ENTREVISTADO
Gostaria que aprendessem
Que bastam alguns segundos
Pra deixar num coração
Um ferimento profundo!...
É difícil cicatrizar
Uma dor, uma ferida!
Às vezes podem durar
Pelo resto de uma vida!...

        Gostaria, meu bom rapaz,
        Com profunda emoção,
        Que os homens na terra aprendessem
        O valor que se tem o perdão,
        Sendo a chave que abre as portas
        E cura qualquer coração...
        Aquele que não perdoa
        Jamais terá  salvação!...

Que soubessem que há pessoas
Que amam a todo o momento
Mas elas não sabem externar
Aos irmãos os seus sentimentos.

        Que humanidade aprenda
        A mais clara das verdades:
        O dinheiro compra tudo,
       Menos a felicidade!...

Que duas pessoas podem
Olhar o mesmo objeto
E vê-lo bem diferente,
De acordo com seus afetos...

        Que um verdadeiro amigo
        Muitas vezes não reclama.
        Sabe tudo sobre a gente...
        Assim mesmo inda nos ama!

Que aprendam que é preciso
Para ter felicidade,
Perdoar-se a si mesmos
Com profunda humildade

        Então o Senhor calou-se
        E eu fiquei ali, sentado,
        Desfrutando aquele instante,
        Pensativo e calado.
       
"Depois eu agradeci
Por tudo o que Ele me deu:
Seu tempo, minha família...
Ele então me respondeu:"

ENTREVISTADO
Não tem de quê meu rapaz!
Você me deu alegria.
Estou sempre por aqui
Vinte e quatro horas por dia...
Não se esqueça de uma coisa:
“O amor é uma conquista”
Quando quiser me procure;
Não marque mais entrevista!...
Agora arranje um tempinho
E passe pro seus amigos
Tudo aquilo que falei...

"Foi por isso, meus amigos
Que o “tempinho” eu arranjei..."

Autor:  Sebastião Gomes de Oliveira  (Paraibuna  SP)
Especilamente para os amigos do Recanto das Letras




Antônio Oliveira
Enviado por Antônio Oliveira em 10/10/2007
Código do texto: T688159
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Sobre o autor
Antônio Oliveira
São Paulo - São Paulo - Brasil, 72 anos
702 textos (561397 leituras)
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Antônio Oliveira