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SINESTESIA: A FIGURA DA DESCRIÇÃO

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Figuras de Linguagem

 

Sinestesia é uma palavra oriunda da Psicologia. Designa a transferência de percepção de um sentido para outro, isto é, a fusão num só ato perceptivo, de dois ou mais sentidos (sensações visuais com auditivas, gustativas, olfativas e tácteis, para só citar essas) numa mistura de ricos efeitos expressivos. Assim, ruído áspero denota o congraçamento da audição e do tato.

Como a sinestesia consiste em aproximar, na mesma expressão, sensações percebidas por diferentes órgãos dos sentidos, ou seja, relaciona elementos de universos diferentes como na metáfora, não é sem razão dizer-se que a sinestesia é uma especie de metáfora, ou melhor, é reconhecida pelos linguistas como um tipo de metáfora, ou mesmo um grau de metáfora. Exemplos:

- Indefiníveis músicas (audição), supremas harmonias de cor (visão) e de perfume (olfato).

- A cor (visual) cantava-me (auditiva) nos olhos....

- Uma melodia azul tomou conta dá sala. (sensação auditiva e visual)

- A sua voz áspera intimidava a platéia. (sensação auditiva e tátil)

- Senti saudades amargas. (sensação gustativa)

- Esse perfume tem um cheiro doce. (sensação olfativa e gustativa)

- O brilho macio do cetim. (visão + tato)

- O doce afago materno. (paladar + tato)

Nas descrições, frequentemente, o intuito de transmitir não uma informação, mas uma impressão sob um deterrminado objeto, leva a que se empreguem determinados recurso de estilo; e, é aí, que a sinestesia encontra um vasto campo.

A sinestesia é usada em Literatura desde a Antiguidade Clássica, entrou na moda no século XIX, graças a Baudelaire (1821-1867) e os partidários de uma ruptura com a estética clássica. Os poetas simbolistas e pré-simbolistas propõem um retorno ao subjetivismo e à sensorialidade em oposição à objetividade científica e ao materialismo e é neste contexto que a sinestesia foi um dos recursos mais típicos do Simbolismo:

- "Os carinhos (tato) de Godofredo não tinham mais o gosto (paladar) dos primeiros tempos." (Autran Dourado)

- "O céu ia envolvendo-a até comunicar-lhe a sensação do azul, acariciando-a como um esposo, deixando-lhe o odor e a delícia da tarde." (Gabriel Miró)

- "Sobre a terra amarga, caminhos têm o sonho." (António Machado)

- "Que tristeza de odor a jasmim!" (Juan R. Jiménez)

- "Insônia roxa. A luz a virgular-se em medo. / O aroma endoideceu,  upou-se em cor, quebrou / Gritam-me sons de cor e de perfumes." (M. Sá-Carneiro)

- "[...] entravam claridades cinzentas e surdas,..." (C. Lispector)

- "Som que tem cor, fulgor, sabor, perfume." (Hermes Fontes)

Enfim, cabe lembrar que o termo cinestesia não é sinônimo de sinestesia e, muito menos, configura-se uma figura de linguagem. “Cinestesia refere-se ao sentido muscular, a um conjunto de sensações que nos permite a percepção dos movimentos (Michaelis, 1998).” ®Sérgio.

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Ajudaram na elaboração deste texto: Luft, Celso Pedro. Novo manual de português, gramática, ortografia oficial, redação, literatura, textos e testes. 9ª. ed. São Paulo: Globo, 1990 / Moisés, Massaud. Dicionário de Termos Literários. São Paulo: Cultrix, 1966.

Agradeço a leitura e, antecipadamente, qualquer comentário.

Se você encontrar omissões e/ou erros (inclusive de português), relate-me.

Ricardo Sérgio
Enviado por Ricardo Sérgio em 06/03/2009
Reeditado em 24/11/2010
Código do texto: T1473190

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Sobre o autor
Ricardo Sérgio
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 66 anos
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