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Texto
           
                         
                        Abordagem I  
                             
(Ernani Terra)

    "A gramática é um conjunto de regras que estabelecem um determinado uso da língua, denominado norma culta ou língua padrão.  Acontece que as normas estabelecidas pela gramática normativa nem sempre são obedecidas pelo falante.
    Quando o falante se desvia do padrão para alcançar uma maior expressividade, ocorrem as figuras de linguagem. Quando o desvio se dá pelo desconhecimento da norma culta, temos os chamados vícios de linguagem.


                       As qualidades:
                       correção
                       clareza
                       concisão
                       elegância
                       coerência
                       coesão

 
1 – Correção
Um texto deve obedecer às regras gerais da língua, ressalvando-se sempre algumas liberdades como consequência do estilo.  

Os desvios da norma culta que são comumente encontrados nas redações referem-se à ortografia, pontuação, concordância e regência.
 
 
2 – Clareza
Se o texto não obedece às normas gerais da língua, torna-se pouco claro, difícil de ser compreendido.  As palavras devem ser bem colocadas, as idéias devem obedecer a uma determinada lógica.  


 
3 – Elegância
É, o resultado final obtido quando se observam as qualidades e se evitam os defeitos.  É o texto agradável de ser lido tanto pelo seu conteúdo como pela sua forma.

 
 
4 – Concisão
Consiste em apresentar uma idéia em poucas palavras, sem, contudo, comprometer a clareza; deve ser entendida como sinônimo de precisão, exatidão, brevidade.

O procedimento oposto é a prolixidade, que deve ser evitada.  Ser prolixo é usar muitas palavras para dizer pouco ou nada.
 
 

5 – Coerência
Encadeamento de idéias; qualidade de coerente; que possui nexo, lógica, ligação recíproca; resultado da harmonia entre as idéias existentes num texto. 
Coerente, portanto, é o texto onde sobejam lógica, consequência, compreensão.

 
 
6 – Coesão
Conexão, entrosamento das palavras entre si; união íntima entre as partes de um todo; conexão, concordância, consonância.
Superfície física do texto, em oposição ao plano, à esfera, à região das idéias, argumentos e conceitos.
 
 

 
                         Os defeitos:
                         ambiguidade
                         arcaísmo
                         barbarismo
                         
cacofonia
                         
eco
                         laconismo
                         neologismo

                         obscuridade 
                         
pleonasmo ou redundância
                         prolixidade
                         solecismo


1 - Ambiguidade ou anfibologia: ocorre quando a frase apresenta mais de um sentido, em consequência da má pontuação ou da má colocação das palavras. 
Trata-se portanto de construir a frase de um modo tal que ela apresente mais de um sentido:
O guarda deteve o suspeito em sua casa. 
(na casa de quem: do guarda ou do suspeito?)

O menino viu o incêndio do prédio. 
(o menino estava no prédio e viu um incêndio, ou viu um prédio que estava pegando fogo?)

O Ricardão está com sua namorada.
(de quem é a namorada? dele ou sua?)


 
2 - Arcaísmoconsiste na utilização de palavras que já caíram em desuso:
Vossa Mercê me permite um aparte? (em vez de você)
O boticário não me recomendou este remédio.
(em vez de o farmacêutico)


 
3 - Barbarismoconsiste em grafar ou pronunciar uma palavra em desacordo com a norma culta.
pesquiza  (em vez de pesquisa)
prototipo (em vez de protótipo)
rúbrica  (em vez de rubrica)
excessão  (em vez de exceção)

 
São também considerados barbarismos os desvios semânticos (uso de uma palavra semelhante à que deveria ser empregada):
O iminente deputado presidiu a sessão. (em vez de eminente)
É preciso combater com rigor o tráfego de drogas. (em vez de tráfico)



4 - Cacofonia ou cacófato
Trata-se do som desagradável resultante da combinação de duas ou mais sílabas de diferentes palavras. 
Consiste, por conseguinte, no mau som produzido pela junção de palavras. Exemplos:
Caro deputado, nunca gaste dinheiro com bobagens.
Meu coração por ti gela.
Paguei cinco mil reais por cada.
Você notou a boca dela?

uma mão
vou-me já

Outra vez citamos Camões, em um de seus sonetos mais famosos:
Alma minha gentil que te partiste
tão cedo desta vida descontente!



5 - Ecotrata-se da repetição de palavras terminadas pelo mesmo som. Essa repetição, desnecessária, resulta num texto desagradável, com um ritmo batido e monótono:
O aluno repetente mente alegremente.
A decisão da eleição causou comoção na multidão.
Cuidado com as terminações ão, ade e mente, por exemplo, para evitar frases como esta:
Contra sua vontade, e apenas por bondade, ele foi à cidade; na verdade..."


6 – Laconismo
Característica oposta à prolixidade; ocorre quando a economia de palavras é tanta que a compreensão do texto se torna dificílima ou impossível.


7 - Neologismoé a criação desnecessária de palavras novas. Ex.:
Respondendo aos que o criticavam, aquele político disse que eram todos neobobos e fracassomaníacos.
 
Não é considerado vício de linguagem, nem desnecessário, quando a nova palavra é criada para designar algo igualmente novo, ou para obter efeito estilístico:
Naquele estúdio, faziam a remasterização das gravações.
Para diminuir custos, a empresa resolveu terceirizar os serviços.
Para ilustrar seu trabalho, é preciso antes escanear estas imagens.
Segundo Mario Prata, se adolescente é aquele que está entre a infância e a idade adulta, envelhescente é aquele que está entre a idade adulta e a velhice.

 


8 – Obscuridade
Trata-se da falta de clareza, de transparência, nexo, lógica, simplicidade.

É o defeito que se opõe à clareza.   Dentre os vícios que acarretam obscuridade, podemos citar:
má pontuação
rebuscamento da linguagem
frases excessivamente longas (prolixas) ou exageradamente curtas (lacônicas)
emprego equivocado de pronomes relativos e conjunções
erros de concordância e regência.



9 - Pleonasmo ou redundância
Consiste na repetição desnecessária de um termo ou de uma ideia.  

Em alguns casos, no entanto, o pleonasmo tem a função de realçar uma ideia, torná-la mais expressiva; dessa forma, o pleonasmo deixa de ser um vício e passa a ser uma figura de linguagem, um recurso estilístico. 
Portanto, torna-se necessário distinguir dois tipos de pleonasmo: 
Pleonasmo viciosoconsiste na repetição desnecessária de uma ideia. Ex.:
subir para cima, entrar para dentro, decisão unânime de todos, monopólio exclusivo etc.
A brisa matinal da manhã deixava-o satisfeito.
Ele teve uma hemorragia de sangue.

A brisa do vento é tão suave!
Eu, na minha opinião, acho que...
Não podemos mais continuar fingindo...
O boêmio voltou novamente.
Quando amanheceu o dia...
Sem exceção, todos compareceram.
Só alguns, nem todos aqui trabalhamos.
Viva intensamente, pois só temos uma única vida!
Vou repetir mais uma vez...


Pleonasmo de reforço ou estilístico: Camões, em Os Lusíadas (Canto V, estrofe 18), faz uso de um pleonasmo célebre ao iniciar a descrição de uma tromba-d'água marítima:
Vi, claramente visto, o lume vivo
Que a marítima gente tem por santo.

Conforme podemos perceber, o pleonasmo tanto pode ser um vício como uma figura de linguagem; isto dependerá sobretudo da eficácia e originalidade da mensagem.
 
 
10 – Prolixidade
Característica do texto muito longo, palavroso, enfadonho.  Defeito de estilo que consiste em escrever muito para dizer quase nada.



11 - Solecismo
Consiste em desviar-se da norma culta na construção sintática. Ex.:
Fazem dois meses que ele não aparece.
(em vez de faz; desvio na sintaxe de concordância)

Não espere-me, porque eu não irei.
(em vez de não me espere; desvio na sintaxe de colocação pronominal)
Assisti o filme que você recomendou.
(em vez de assisti ao filme; desvio na sintaxe de regência)


          Do livro: Minigramática, de Ernani Terra
                         (supervisão de José de Nicola).
                         Editora Scipione, SP, 2002.


 
                             Abordagem II 
                         (Texto da Internet)
                    A – Qualidades:
           1) Coerência – “Harmonia entre as ideias existentes num texto; encadeamento de ideias num texto; qualidade de coerente; que possui nexo, lógica, ligação recíproca.
         Coerente é o texto em que há lógica, consequência, compreensão.”
 
 
         2) Coesão – União íntima das partes de um todo; conexão, condordância, consonância.
         Conexão, entrosamento das palavras entre si; superfície física do texto, em oposição ao plano, à esfera, à região das ideias, argumentos e conceitos.
 
        
         3) Correção – Obediência às regras gramaticais, evitando-se desvios da norma culta. 
 
 
         4) Clareza Seu texto deve ser compreensível.  Utilize frases curtas.  Não seja esnobe empregando palavras “difíceis”; o uso de um vocabulário simples, porém culto, evita o risco do seu texto não ser compreendido.
          
 
         5) Concisão É a virtude de expressar um fato, uma opinião com o menor número possível de frases e palavras. Cuidado porém com o excesso de concisão, pois pode redundar em obscuridade. 

          No exemplo abaixo, as palavras destacadas são dispensáveis:
“Há algumas ocasiões em que é melhor ficar calado do que falar besteira. Eu posso contar um caso recente que me aconteceu há pouco. Eu saí de casa rumo ao bar para beber alguma coisa. Percebam vocês que não tinha nada planejado, apenas queria beber um pouco e ficar a observar os habitantes da noite, os boêmios. Foi então que algo totalmente inesperado aconteceu...”

 
         6) Elegância – Produto final resultante da observância das qualidades e evitação dos defeitos, quando surgirá um texto equilibrado e agradável de ler, opulento em forma e conteúdo.
 
 
          B – Defeitos:
          1) Obscuridade (falta de clareza, de transparência, nexo, lógica, simplicidade). Vícios que a causam: má pontuação, rebuscamento da linguagem, frases muito longas ou muito curtas e erros de concordância e regência.
 
 
          2) Ambiguidade ou anfibologia – Imperfeição, deficiência de construção frasal devido à colocação desleixada, incoerente das palavras.  Ex.:
     Chefe, o funcionário acaba de sair com sua mãe.
     (Mãe de quem?  Do chefe ou do empregado?)


  
          5) Redundância – Compõe-se de pleonasmos viciosos (termos, expressões ou ideias repetidas sem necessidade): 
check-up geral
decisão unânime de todos

entrar para dentro
monopólio exclusivo.

subir para cima

 
        6) Cacofonia ou cacófato – Som repugnante, ridículo oriundo da pronúncia de duas ou mais palavras, ocasionando um sentido deplorável:

Nosso hino é tão lindo!
Por razões que desconheço, eis-me aqui.
Que o governo nunca gaste mais do que arrecada..."
                                                                                 (Fonte: Internet)      


 
Ernani Terra / Internet
Enviado por Jô do Recanto das Letras em 25/10/2009
Reeditado em 18/07/2013
Código do texto: T1886578
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Jô do Recanto das Letras
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