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Vírgula - um contexto sintático-semântico

     Pois há alguns apaixonados pela Língua Portuguesa que sugerem que se traga à tona alguma coisa sobre a vírgula e seus adequados usos.
     Cabe-me dizer-lhes (não vou declinar os nomes porque são vários e cada qual saberá onde 'se achar' por aqui) que...

     Virgular  adequadamente requer um bom conhecimento das estruturas sintáticas. Óbvio é que não vou ficar dando 'dicas' sobre quais são essas estruturas (ninguém aguentaria... convenhamos...), mas posso afirmar que isso passa pelas funções sintáticas (os conhecidos 'termos da oração') e mais em especial pela 'sintaxe de colocação', esta, a parte da gramática que orienta a disposição dos termos no contexto frasal.

     Quando estou com o 'aluno' ou com o 'cliente' ('revisora' é minha atividade constante e deveras envolvente!), meu trabalho consiste em 'estudar' com eles o texto que precisa ser 'acertado'. Aí é uma beleza!!!... Super barbada!

      Já assim à distância, confesso que me sinto sem todos os elementos necessários para dizer 'direitinho' sobre os usos adequados da vírgula, uma vez que tudo que se estuda em nosso idioma deve, preferentemente, estar contextualizado. Mas usarei exemplos para me fazer entender.

     Vamos lá...


     A vírgula, sabe-se, não segue mais aquela ortodoxa determinação da gramática. Também ela não é o que se dizia há um tempo não muito distante, ou seja, "a vírgula indica a respiração, já que esta não tem como aparecer no texto de outra forma".

     A vírgula indica, isto sim, a "entonação" do texto. E justo por isso ela deixou de seguir uma norma gramatical rígida. Ora, se escrever é desenhar a própria fala, a vírgula ganha um papel importante na hora em que se encarcera no papel, na tela do pc (de modo quase inflexível) tudo que se está pensando e se quer escrever.

     Alguns itens devem ser mantidos na mente:

     * a vírgula é obrigatória...  ou  'casos obrigatórios'
     * a vírgula é facultativa...  ou 'casos livres'
     * a vírgula é proibida..       ou  'casos proibidos'

     Casos em que o uso da vírgula é obrigatório:

     * nas datas,  quando aparece o local -
        Pelotas, 18 de novembro de 2009
        (observação: é facultativo o ponto nas datas)

     * na separação das palavras que exercem a mesma função
       sintática - sujeitos compostos, objetos compostos, adjetivos que
       modificam o mesmo substantivo
         As escadas, os pátios, tudo, enfim, refervia de escudeiros.
         Mas tive a cruz, os cravos, a coroa de espinhos.
         Proponha-se a tarefas moderadas, estreitas, circunscritas.

     * na separação de adjuntos adverbiais de certa extensão
        Triste no sumo bem, triste no excelso instante,
        o poeta compreendia agora o mal de ser feliz.

     * na separação de orações intercaladas
        Sou, disse ele, um homem pobre.

     * na separação de apostos e vocativos
        O avô, um espanhol já velho, era o senhor e amo do castelo.
        Guarde as armas, Rodrigo.
     
     * na separação de elementos de uma enumeração
        Devia ser algum empregado, alguma secretária, servente...

     * para indicar a omissão de um termo
        No meio do salão, a mesa de jantar. E sobre a mesa, o corpo do
        preto velho, duas velas à cabeceira.
     
     * na separação das orações coordenadas assindéticas
        Abaixou-se, examinou o aspirador, remexeu na maleta.
        Vim, vi, venci!

     * na separação das orações coordenadas sindéticas, exceto as
        iniciadas por 'e'
        É linda a igreja, mas sua beleza é triste.
        Ele era brasileiro, mas às vezes deixava escapar uma palavra
        em espanhol, pois morava na fronteira com o Uruguai.
        Aí a raiva desapareceu e ela teve pena daquele coitado.

        EXCEÇÃO

        As orações coordenadas sindéticas são separadas por vírgula
        quando introduzidas pelo "e" apenas:
        - quando têm sujeitos diferentes
        A mãe foi fazer a comida, e Rafael sentou a esperar.
       
        - quando tem o "e" repetido (polissíndeto)
        E avança e luta e vence bravamente...

       * na separação de orações subordinadas adverbiais (reduzidas
         ou não), especialmente quando antepostas à principal
         Se tomar um cafezinho, morre; se der um espirro, morre no fim
         do espirro.
         Sendo rico, mentiu que era pobre.
       
      * na separação de orações subordinadas substantivas
         antepostas à principal
         Quanto tempo caminhei, não sei.
          Quanto tempo caminhei - or. subord. substantiva objetiva
          direta; não sei - or. principal.
       
     * na separação de orações adjetivas explicativas
        O guri, que salvou a vida do bebê, acabou cuidando deste.

      Leitores

      Em linhas gerais, os casos acima são os que se referem ao uso obrigatório da vírgula.
     Para não ficar cansativo e para que o interesse de cada leitor não acabe indo 'pro ralo', paramos aqui e seguiremos em próximas explicações com os demais casos.


      Beijos líricos,

      lilu
       
lilu
Enviado por lilu em 18/11/2009
Reeditado em 19/11/2009
Código do texto: T1931510
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Sobre a autora
lilu
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil
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