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VERBO INTRANSITIVO, VERBO TRANSITIVO DIRETO, VERBO TRANSITIVO INDIRETO, VERBO TRANSITIVO DIRETO E INDIRETO - PREDICAÇÃO VERBAL

                             Só relembrando o que dissemos em outro texto. A regência, na língua portuguesa, é o estudo da relação existente entre os termos de uma oração ou entre as diversas orações que compõe um período. Dentro do estudo da regência, podemos ter a regência nominal e a regência verbal. Na primeira estuda-se a relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse nome. Já na regência verbal cuidamos da relação de dependência que se estabelece entre os verbos e seus complementos (objetos diretos e indiretos).
                             Como já dissemos em outra oportunidade, o verbo faz parte da oração, ele está inserido na parte da oração chamada de predicado. O verbo é um termo que traduz um fato, um processo, uma ação, um estado ou um fenômeno.
                             Algumas vezes o verbo consegue traduzir esses fatos, processos, ações ou fenômenos sozinho, sem precisar se unir a outras palavras para completar o sentido daquilo que eles pretendem passar ao leitor ou ouvinte. Exemplos: Ele adoeceu. Ele desmaiou. Ele morreu. Note que os três verbos explicitados (adoeceu, desmaiou e morreu) traduzem por si mesmos a idéia que pretendem transmitir. Você os lê e já entende a mensagem que eles transmitem. Não precisam de complemento. Eles até podem ter outros termos ligados a ele, que os esclareçam e dêem mais precisão naquilo que informam, mas não precisam da presença obrigatória desses termos. Exemplos: Ele adoeceu por causa da gripe. Ele desmaiou no quarto. Ele morreu após ser internado. Nestes casos em que o verbo basta por si só dizemos que a idéia que o verbo traduz não transita, ou seja, não passa para o outro termo que completa seu sentido. Estamos, portanto, diante de verbos intransitivos.
                             Outras tantas vezes, temos verbos que precisam de um complemento. Precisam que outras palavras se liguem a eles para que possam traduzir com precisão fatos, processos, ações ou fenômenos que pretendem comunicar. São verbos que nos passam uma idéia inacabada ou incompleta. Nestes casos costumamos dizer que o verbo transita, ou seja, sua idéia transita (passa) para os termos que o completam. Nestas hipóteses estamos diante dos verbos transitivos, os quais podem ser classificados como transitivos diretos ou indiretos, dependendo do tipo de complemento que será colocado “junto” ao verbo. Vejamos cada um dessas espécies de verbos.

                                 VERBO INTRANSITIVO

                             É aquele que traz em si uma idéia completa da ação, e não necessita de um outro termo para completar o seu sentido. Sua ação não transita. Ele basta por si só para expressar uma idéia. Exemplos:

a) A modelo caiu.

b) O ator morreu.

c) O professor chegou.

                             Note que os verbos das frases acima (caiu, morreu e chegou) transmitem por si mesmos uma idéia completa. Não é necessário qualquer outro termo para compreender a mensagem que pretendem passar. Porém, nada impede que acrescentemos outras informações aos verbos referidos. Vejamos:

a) A modelo caiu da passarela.

b) O ator morreu semana passada.

c) O professor chegou atrasado.

                             Essas informações ampliam o significado do verbo, mas não são necessárias para que se compreenda a informação básica expressa pelo verbo sozinho.

                             VERBO TRANSITIVO DIRETO

                             É o verbo que vem acompanhado por um complemento. O sentido desse verbo transita, isto é, segue adiante, integrando-se aos complementos que o acompanham, para assim adquirir sentido completo.
                             Em geral os verbos transitivos diretos indicam que o sujeito da oração pratica uma ação e que esta ação recai sobre um outro termo, que é chamado de objeto direto. Vejamos:

a) Eu visitei minha tia ontem.
(Quem visita, visita alguém: minha tia)
(visite: verbo transitivo direto)
(minha tia: objeto direto)

b) A moça encontrou sua bolsa.
(Quem encontra, encontra alguma coisa: sua bolsa)
(encontrou: verbo transitivo direto)
(sua bolsa: objeto direto)

c) Eu abracei minha mãe.
(Quem abraça, abraça alguém)
(abracei: verbo transitivo direto)
(minha mãe: objeto direto)

                             O objeto direto pode ser representado por um SUBSTANTIVO ou PALAVRA SUBSTANTIVADA, UMA ORAÇÃO (oração subordinada substantiva objetiva direta) ou por um PRONOME OBLÍQUO.
                             No caso dos pronomes temos os pronomes oblíquos átonos e os oblíquos tônicos. Entre os oblíquos átonos que geralmente funcionam como objeto direto temos os seguintes: me, te, se, o, a, nos, vos, os, as.
                             Já entre os pronomes oblíquos tônicos que funcionam como objeto direto temos: mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas. No caso destes pronomes tônicos temos uma ocorrência interessante, pois como os mesmos só são usados com preposição, teremos um objeto direto que virá acompanhado de uma preposição. Esse objeto direto preposicionado gera muita confusão com o objeto indireto que, por natureza, vem acompanhado por preposições. Mas atentem que mesmo no caso do objeto direto preposicionado o verbo continua sendo transitivo direto. Exemplos:

a) Ele comeu do pão.
(comeu – verbo transitivo direto)
(do pão – objeto direto preposicionado)

b) Eles amam a Deus.
(amam – verbo transitivo direto)
(a Deus – objeto direto preposicionado)

                             Uma boa forma de se identificar se um verbo é transitivo direto é colocar a frase na voz passiva. Como somente o objeto direto admite este tipo de construção da frase, com a inversão facilmente identificamos se estamos diante de um objeto direto e conseqüente verbo transitivo direto ou não. Caso tenha interesse há outros textos meus exatamente sobre este assunto: voz passiva e objeto direto.

                         VERBO TRANSITIVO INDIRETO

                             O verbo transitivo indireto assim como ocorre com o transitivo direto não traduz sozinho a idéia que pretende transmitir. Ele necessita de um complemento. Entretanto, esse complemento vem ligado ao verbo indiretamente, ou seja, com preposição obrigatória.
                             O objeto indireto pode ser representado por um SUBSTANTIVO, ou PALAVRA SUBSTANTIVADA, uma ORAÇÃO (oração subordinada substantiva objetiva indireta) ou por um PRONOME OBLÍQUO.
                             Os pronomes oblíquos átonos que funcionam como objeto indireto são os seguintes: me, te, se, lhe (substituindo pessoas), nos, vos, lhes (substituindo pessoas).
                             Os pronomes oblíquos tônicos que funcionam como objeto indireto são os seguintes: mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas.
                             Detalhe, não se utiliza os pronomes o, os, a, as como complementos de verbos transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que não representam pessoas, usam-se pronomes oblíquos tônicos de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes átonos lhe, lhes (que em geral substituem pessoas representadas na oração).
                             Vejamos alguns exemplos de verbos transitivos indiretos:

a) Aquele morador não conhece a vizinha.
(conhece: verbo transitivo indireto)
(a: preposição que liga o objeto ao verbo)
(vizinha: objeto indireto)

b) O juiz realizou a audiência.
(realizou: verbo transitivo indireto)
(a: preposição que liga o objeto o verbo)
(audiência: objeto indireto)

c) Assistimos à palestra.
(assistimos: verbo transitivo indireto)
(à: preposição que liga o objeto ao verbo)
(palestra: objeto indireto)

                  VERBO TRANSITIVO DIRETO E INDIRETO

                             Por ser um verbo transitivo ele exige complemento. Sua peculiaridade está no fato de ser um verbo que exige concomitante dois complementos. Um com preposição, e outro sem, ou seja, um objeto direto e um objeto indireto.

a) O garoto ofereceu um livro ao colega.
(Quem oferece, oferece alguma coisa a alguém)
(ofereceu: verbo transitivo direto e indireto)
(um livro: objeto direto)
(ao colega: objeto indireto)

b)  Paguei a dívida a minha tia.
(Quem paga, paga alguma coisa a alguém)
(paguei: verbo transitivo direto e indireto)
(a dívida: objeto direto)
(a minha tia: objeto indireto)

c) Desculpei-lhe o atraso.
(Quem desculpa, descupa alguém de alguma coisa)
(desculpei: verbo transitivo direto e indireto)
(lhe: objeto indireto)
(o atraso: objeto direto)
ADRIANO ALVES
Enviado por ADRIANO ALVES em 25/02/2011
Reeditado em 25/02/2011
Código do texto: T2814503

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Sobre o autor
ADRIANO ALVES
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