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CASOS OBRIGATÓRIOS DE CRASE

                               CASOS OBRIGATÓRIOS DE CRASE

                               O termo crase é de origem grega, crasis, e significa etimologicamente fusão, contração e é indicada graficamente pelo sinal grave (`) colocado sobre a letra a. Vejamos cada um dos casos em que o uso da crase é obrigatório.

                                            1ª HIPÓTESE

                               A crase será obrigatória quando ocorrer a contração da preposição a + o artigo feminino a (s). Isso ocorre porque há na oração um termo (representado por um substantivo, adjetivo, verbo ou advérbio) que exige um complemento necessariamente iniciado com a preposição a. Logo em seguida a este termo temos outro termo representado por um substantivo feminino que permite ser antecedido pelo artigo feminino a. Quando ocorre essa situação temos a ocorrência da crase. Vejamos alguns exemplos neste sentido:

a) O acusado, em honra à presença do juiz, levantou-se.

                               Nesta frase temos o substantivo honra. Note que quem honra, honra a alguém. Logo a palavra honra exige complemento nominal introduzido pela preposição a. Logo em seguida ao termo honra, temos a palavra presença, a qual é um substantivo feminino (a presença), e admite ser precedida pelo artigo feminino a. Desse encontro da preposição a + o artigo feminino a temos a crase (à) na frase referida.

b) A oitiva das testemunhas é indispensável à instrução processual.

                               O Adjetivo indispensável exige complemento introduzido pela preposição a. O que é indispensável é indispensável a alguém ou a alguma coisa. Já a palavra instrução é um substantivo feminino e admite ser precedida pelo artigo feminino a (a instrução. Conseqüentemente temos crase na frase.

c) O joalheiro devolveu a jóia à mulher.

                               O verbo devolver exige complemento, no caso um objeto direto e um objeto indireto. Quem devolve, devolve alguma coisa a alguém. Devolver exige objeto direto para coisa e indireto (com preposição a) para alguém. Já a palavra mulher é  um substantivo feminino que requer o artigo feminino a. Daí termos o uso de crase na frase exemplo.

                                            2ª HIPÓTESE

                               A crase também será obrigatória quando ocorrer a contração da preposição a + o a inicial dos pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s) e aquilo. Formando desta forma: àquele(s), àquela(s) e àquilo. Nestes casos temos na frase ou oração um primeiro termo (substantivo, adjetivo, verbo ou advérbio)  que exige como complemento o uso da preposição a.
                               
                               Este primeiro termo é acompanhado por um dos pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s) ou aquilo.

a) O traficante oferecia dedicação àquilo como se fosse um trabalho honesto.

                               O Substantivo dedicação requer complemento introduzido pela preposição a. Quem se dedica, se decida a alguma coisa ou a alguém. Logo ocorre a contração da preposição a com a vogal inicial do demonstrativo aquilo.

b) Vamos àquele jantar romântico?

                               O verbo vamos requer complemento introduzido pela preposição a. Quem vai, vai a algum lugar. Logo neste exemplo também ocorre a contração com o pronome aquele.

c) Dirijo-me àquela sala.

                               Verbo dirigir requer preposição “a”. Quem se dirige se dirige a algum lugar. Essa preposição “a”;se contrai com o pronome aquela e daí temos crase no exemplo citado.

                                            3ª HIPÓTESE

                               Também temos caso de crase obrigatória quando há na frase substantivos, adjetivos, verbos ou advérbios que requerem a presença de complemento introduzido pela preposição a e logo em seguida a estes termos aparece o pronome demonstrativo a.

a) O novo chefe preferiu esta sala à do outro andar.

                               O verbo preferir requer dois complementos, um objeto direto e um objeto indireto. Quem prefere, prefere uma coisa a outra, logo temos um objeto direto (sem complemento) e um objeto indireto (que deve ser introduzido pelo pronome demonstrativo a, que no caso substitui o pronome demonstrativo aquela). Contração da preposição a com o pronome demonstrativo a temos a ocorrência de crase obrigatória.

                                            4ª HIPÓTESE
                 
                               Também é caso de crase obrigatória a contração da preposição “a” + o “a” inicial dos pronomes relativos a qual e as quais. Nestas hipóteses a ocorrência de crase vai depender do verbo que precede o termo a qual ou as quais. Se o verbo exigir complemento iniciado pela preposição a estaremos diante de caso obrigatório de uso de crase, se o verbo não exigir esse complemento não teremos crase na oração.

                               Um bom macete para detectar a ocorrência da crase nestas hipóteses e substituir o termo regido feminino da oração por um termo regido masculino.  Caso surja a forma “ao” com a troca do termo feminino por um masculino estaremos diante de frase que requer crase.

a) A tese à qual aderimos foi aprovada.
        O projeto ao qual aderimos foi aprovado.
b) As idéias às quais apoiamos são perigosas.
        Os ideais aos quais apoiamos são perigosos.
c) A igreja à qual me referi é aquela em cima do morro.
        O teatro ao qual me referi é aquele em cima do morro.

                                            5ª HIPÓTESE

                               A crase também é obrigatória quando ocorre a contração da preposição a com topônimos femininos (nomes próprios de lugares, regiões, países, oceanos, rios, montanhas, etc.) que, ao serem modificados por um adjunto adnominal, aceitam o artigo a. Exemplos:

a) Vou à Roma dos Césares.
b) Iremos à Paris dos grandes museus.
c) Viajaremos à Veneza das gôndolas e dos canais.

                               Um bom recurso para saber se na frase ocorre ou não a crase é usar a expressão “volto da”. “Volto da Roma dos Césares”, se volto da, crase há. “Voltamos da Paris dos Grandes museus”. Voltaremos da Veneza das gôndolas e dos canais”. Note que: Vou a Roma (não tem crase), pois não há aqui a presença do adjunto adnominal modificativo (dos Césares). Não há como dizer volto da Roma. A mesma impossibilidade ocorre com “Iremos a Paris” e “Viajaremos a Veneza”, também não corretas as construções “Volto da Paris” e “Voltamos da Veneza”.

                                            6ª HIPÓTESE

                               A crase também é obrigatória nas locuções femininas prepositivas, adverbiais, adjetivas e conjuntivas. Em que pese não ocorrer a contração da preposição a + artigo a, ocorre a presença da crase. De fato, nessas locuções não existe artigo, mas tão somente preposição. Porém a crase é empregada por motivo de clareza e por questões históricas do idioma. Assim, usa-se o acento diferencial da crase no “a” que as compõe. Vejamos as hipóteses:

I) Locuções prepositivas (a + subst. feminino + de): à vista de, à procura de, à espera de, à custa de, à luz de, à (moda de), à (maneira de) etc.
II) Locuções adverbiais: à bala, à facada, à navalha, à mão, à força, às cegas, às claras, às pressas, à distância, à (moda), à (maneira), às 3h, à 1h, à zero hora etc.
III) Locuções adjetivas: à toa, etc.
IV) Locuções conjuntivas: à medida que e à proporção que.
VI) Nas locuções adverbiais que indicam hora determinada com a seguinte correlação: de ... a.

                               Vejamos alguns exemplos:

a) A audiência será das oito às onze e meia.
b) A audiência será de oito às onze e meia.
c) O acusado saiu às pressas quando viu a testemunha chegar.
d) A audiência começará às oito horas.
e) O assaltante ficou à distância, esperando a vítima sair do banco.
f) O réu ficava mais nervoso à proporção que o interrogatório se estendia.
g) À medida que a audiência ocorria, mais tenso ficava o acusado.

                               Gostou? Quer aprender mais sobre língua portuguesa? Então leia mais outros textos meus. É só clicar no link textos, ao final desta página, e depois no link Gramática e Ortografia. Boa leitura.

ADRIANO ALVES
Enviado por ADRIANO ALVES em 04/03/2011
Reeditado em 06/03/2011
Código do texto: T2828103

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ADRIANO ALVES
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