PALÍNDROMO
O que vou contar a seguir aconteceu realmente. Não é produto de minha imaginação, nem mero e intencional recurso de expor um fato aparentemente absurdo para impressionar o leitor.
Anos atrás, quando morava em Curitiba, um amigo propôs-me um problema semelhante a uma charada. Desses passatempos ditos intelectuais, gosto e resolvo com certa facilidade palavras cruzadas e rébus. Charadas foram, para mim, sempre “charadas” em sua derivação no sentido figurado, não tenho imaginação para resolvê-las. Entretanto o problema proposto pelo Ruibal despertou em mim vivo interesse e, encasquetado com ele, consegui uma solução que, inacreditavelmente, não era a mesma que meu amigo trazia consigo:
Para eu incluir as palavras faltantes, ele deu-me a palavra inicial e a palavra final de uma frase que, se lida de trás pra frente, seria idêntica à lida de forma convencional.
Posteriormente vim saber que esse tipo de frase ou palavra, que pode ser lida, indiferentemente, da esquerda para a direita ou vice-versa sem que o sentido dela seja alterado, gramaticalmente tem um nome: chama-se palíndromo, quando palavra ou frase, e anacíclico, quando verso.
Vamos, então, ao problema que o Ruibal apresentou-me:
“SOCORRAM-ME! ............................................................. EM MARROCOS.
Estávamos acompanhando o pregão da Bolsa de Valores na sala destinada aos clientes da corretora do Banespa, banco estatal vendido a um grupo espanhol pelo governo federal do senhor FHC (o mais nocivo presidente que mandou em terras tupiniquins), quando o Ruibal sugeriu-me o problema. Mas o ambiente tenso e barulhento das corretoras de valores, indubitavelmente não é local propício para se esquentar o bestunto na solução desses intrincados enigmas bolados pelo homem; por isso levei-o pra casa.
No dia seguinte trouxe a solução que, como já disse, não era a mesma que meu amigo tinha para o problema.
A frase do Ruibal era:
“SOCORRAM-ME! SUBI NO ÔNIBUS EM MARROCOS”.
A encontrada por mim:
“SOCORRAM-ME! SERES MATAM SERES EM MARROCOS”.
Não é preciso dizer da estupefação que acometeu o Ruibal ao ler a solução por mim encontrada.
Ele, que, aparentemente, supunha-me incapaz de resolver o enigma!
Moacyr Medeiros Alves
Enviado por Moacyr Medeiros Alves em 04/04/2012
Reeditado em 14/08/2012
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