Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Usos verbais

        Preste atenção nos versos iniciais de Malandragem, uma das mais conhecidas canções da saudosa Cássia Eler:
        Quem sabe eu ainda sou uma garotinha/Esperando o ônibus da escola sozinha...

        No trecho acima, o verbo ser encontra-se no presente do Indicativo, primeira pessoa do singular “eu sou”.  No entanto, será que esse modo verbal é realmente o mais adequado para expressar essa ideia de dúvida?  Perceba na expressão “quem sabe” que a autora tem dúvidas se aquela garotinha de outrora ainda se manifesta em sua fase adulta.
        Ora, o eu sou é uma afirmação, não exprime nenhuma dúvida. Sendo assim, o modo mais adequado seria usar o presente do Subjuntivo: que eu seja. Vejamos:
       Quem sabe eu ainda seja uma garotinha/Esperando o ônibus da escola sozinha...

                               USO DO PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO

        A gente ouve muito falar desse tempo verbal na escola, não é mesmo? Porém, na prática sua explicação é quase sempre deixada de lado.
        Explicando de forma simples, o pretérito mais-que-perfeito é o passado do passado. Para entender isso bem, vejamos o exemplo a seguir:
        Quando a empregada chegou, eu já tinha lavado a louça.
        Perceba que quando a empregada chegou (pretérito perfeito) eu já tinha (pretérito imperfeito) lavado a louça.  Assim, a empregada veio no tempo passado, porém, eu lavei a louça (num passado) anterior à chegada dela.  Calma, tem mais.
        Mas, suponhamos que eu não queira usar o verbo ter (tinha) para me referir ao passado ocorrido antes da minha empregada chegar. Hum, é aí que entra o pretérito mais-que-perfeito.  Só lembrando que todos os verbos desse exemplo estão no modo Indicativo.  Então vamos lá:
        Quando a empregada chegou, eu já lavara a louça.
        Isso mesmo, o verbo lavar foi para o pretérito mais-que-perfeito.

Obs: a forma verbal (lavado) está no particípio.


        Agora um equívoco de natureza grave que muitos poetas infelizmente ainda cometem: tu “fostes” o amor da minha vida.  PELO AMOR DE DEUS, meus amigos, não façam isso.  A segunda pessoa do pretérito perfeito do singular é: tu foste, tiveste, vieste, ficaste, compraste etc. Fostes e as outras formas com a terminação tes, pertencem a segunda pessoa do plural: vós fostes, vós ouvistes etc.  O talento para escrever não dispensa o esforço. Na dúvida, consulte sempre as conjugações dos verbos.


        Para finalizar as dicas de hoje, proponho um desafio.  No poema Desiludir-se, publicado aqui no Recanto das Letras, há um verso onde transformei um verbo em substantivo, mediante a chamada Derivação Imprópria.  Caro leitor, leia o poema citado e identifique esse verso.

       Boa sorte e até a próxima, pessoal!

Aldrin M Félix
Enviado por Aldrin M Félix em 23/08/2017
Reeditado em 23/08/2017
Código do texto: T6092474
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Aldrin M Félix
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil, 41 anos
385 textos (36436 leituras)
2 áudios (68 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/09/17 20:50)
Aldrin M Félix