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DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Mulher dos meus cantos
Mulher dos meus encantos
Mulher dos meus prantos
Mulher da vida 
Mulher atrevida
Mulher da minha vida
Mulher ternura
Mulher moldura
Mulher pintura
Mulher madura 
Mulher dos meus pecados
Mulher que guarda cados
Mulher. Só. Não precisa de rima sequer
Mulher que luta. Que disputa. Mas não diz... 
Mulher que conquista. Mulher idealista...
Mulher mal-amada. Maltratada. Que resiste
Em nome de um amor que não mais existe
Mas que insiste. "Quem sabe ele não passa por
um momento difícil; triste?" 

Não vou falar da mulher pós-revolução industrial
Com jornadas de 12 a 15 horas por dia com
salários infinitamente inferiores aos dos homens
que exerciam a mesma atividade.
Não vou falar das 129 tecelãs da fábrica de tecidos Cotton,
de Nova Iorque que, em 8 de de março de 1857, decidiram
paralisar o trabalho reivindicando o direito à jornada de 10 horas,
marcando a primeira greve norte-americana e que lhes custou a vida: a polícia reprimiu violentamente a manifestação fazendo com que as operárias refugiassem dentro da fábrica. Os donos da empresa, junto com os policiais, trancaram-nas no local e atearam fogo, matando-as carbonizadas.

Não vou falar da arquiduquesa da Áustria e imperatriz do Brasil,
Dona Leopoldina de Habsburgo-Lorena, primeira imperatriz do Brasil,casada com uma besta-fera que ostentava o título de D. Pedro I, Imperador do Brasil. Em 2 de setembro de 1822, Dona Leopoldina,na regência do país, reuniu o Conselho de Estado, exigindo que todos os ministros assinassem a ata da reunião, na qual foi unanimemente aprovada a independência do Brasil. A História, como sempre distorcendo os fatos, sobretudo para exaltar o machismo, resolveu inscrever que foi D. Pedro I quem proclamou a independência no dia 7 de setembro.
Faleceu aos 29 anos, grávida, devido a um pontapé no ventre, dado por D. Pedro, por não concordar com a presença da marquesa de
Santos na corte. Sua morte foi precedida por terrível sofrimento, devido à eclampsia e aborto, o que causou um processo de septicemia. Ao fim de 15 dias de agonia, faleceu no dia 11 de dezembro de 1826, como disse, aos 29 anos.

Igualmente não falarei de Clara Zetkin, nascida em Wiederau, na Alemanda,em 5/7/1857, praticamente 4 meses após as tecelãs norte-americanas serem carbonizadas. Outra coincidência: a principal atividade econômica de Wiederau girava em torno da indústria têxtil e os habitantes, em sua esmagadora maioria,
eram tecelões, também com as mulheres submetidas a jornadas de 12 a 16h diárias, incluindo sábados e, em muitos casos, os domingos. Muitas dessas fábricas não possuiam refeitório ou sequer banheiros.

Em Copenhagen, no ano de1910, durante o II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, por iniciativa de mulheres vindas de 17 países, adotaram a proposição de criar um "Dia Internacional da Mulher". 

Como resultado das decisões tomadas em Copenhagen no ano anterior foi marcado, pela primeira vez, como Dia Internacional da Mulher, o dia 19 de março de 1911. Na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça mais de 1 milhão de mulheres participaram das manifestações. Além do direito de voto e de participação pública, foi pleiteado o direito de trabalhar, de treinamento vocacional e do fim da discriminação no trabalho.

Na Inglaterra, em 1792, Mary Wolstonecraft escreve um dos grandes clássicos da literatura feminista – A Reivindicação dos Direitos da Mulher – onde defendia uma educação para meninas que aproveitasse seu potencial humano.

No Brasil, em 1879, as mulheres têm autorização do governo para
estudar em instituições de ensino superior; mas as que seguiam este caminho eram criticadas pela sociedade. 

Em 1928 o Governador do Rio Grande do Norte,
Juvenal Lamartine, consegue uma alteração da lei eleitoral
dando o direito de voto às mulheres. Elas foram às ruas, mas seus votos foram anulados. No entanto, foi eleita a primeira prefeita da História do Brasil: Alzira Soriano de Souza, no município de Lages - RN. 

Porém só em 1932 Getúlio Vargas promulga o novo Código Eleitoral,garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras. 

No Estado Novo(1937 a 1945) foi criado o Decreto 3199 que proibia
às mulheres a prática dos esportes que considerava incompatíveis
com as condições femininas tais como: "luta de qualquer natureza,
futebol de salão, futebol de praia, pólo, pólo aquático, halterofilismo e beisebol". O Decreto só foi regulamentado em 1965. 

Em 1951 é aprovada pela Organização Internacional do Trabalho a
igualdade de remuneração entre trabalho masculino e feminino para função igual.

Através do lobby do batom, liderado por feministas e pelas 26 deputadas federais constituintes, as mulheres obtêm importantes avanços na Constituição Federal de 1988, garantindo igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres perante a lei.

Em 1990 é eleita a primeira mulher para o cargo de senadora: Júnia Marise, do PDT/MG. 

A  escritora Nélida Piñon, em 1966, é a primeira mulher a ocupar
a presidência da Academia Brasileira de Letras. Exerceu o cargo
até 1997 e é membro da ABL desde 1990.

As mulheres, no Brasil, ocupam 7% das cadeiras da Câmara
dos Deputados; 7,4% do Senado Federal; 6% das prefeituras
brasileiras (302). O índice de vereadoras eleitas aumentou
de 5,5%, em 92, para 12%, em 96.

Como vêem, as mulheres do Brasil, em que pese ser maioria da população, têm um pífio desempenho político. E eu me pergunto: por que não elegem uma presidente da República para acabar com essa bandalheira que vem acontecendo nos governos FHC/Lula, irmãos siameses e ventríloquos do mercado financeiro?   

Minha homenagem ao Dia Internacional da Mulher não vai para
nenhuma das que mencionei, mas sim para a mulher que nem sabe o que representa o Dia Internacional da Mulher. 

Fico com aquelas que sempre me emocionaram porque me trazem a infância de volta: as que vieram ao mundo com uma missão: procriar. 

Com os peitos secos alimentam seus filhos se tiver leite. Senão, que suguem o sangue. 

A mulher lavadeira que, à beira do rio, lava roupa todo dia, sem agonia, procurando uma pedra para bater a roupa até ficar clara. Com o velho ferro de carvão vê o produto final do seu trabalho e dele se orgulha. 

Da mulher que caminha léguas em busca de água potável e alguma folha verde para a sopa dos filhos, na sua única refeição diária. 

Da mulher que se ombreia ao seu homem nas mais pesadas e rudes tarefas para que não falte o pão nosso de cada dia para a família.

Às milhões de mulheres-coragem, ternas com suas crias, mas
feras em sua defesa, não têm dia; não têm noção dos seus direitos
de cidadania ou humanos.

Para essas mulheres, amigas/os, é que precisamos voltar nossa
atenção, porquanto sobrevivem em condições muito piores do que
as que levaram  129 tecelãs norte-americanas a ser carbonizadas
em 1857, portanto há praticamente 150 anos.

Para essas heroínas anônimas é que vai a minha homenagem... 
nvelasco
Enviado por nvelasco em 07/03/2006
Código do texto: T120140
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Sobre o autor
nvelasco
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