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GRÉCIA ANTIGA


"O Século XX com todos os seus progressos técnico-científicos deve curvar-se
com humildade ante o esplendor da civilização da Grécia Antiga. Esta não
conheceu a estonteante velocidade da era dos aviões a jato e dos satélites
artificiais. Não conheceu o segredo da constituição e da desintegração do átomo.
Mas seus pensadores alcançaram vôos intelectuais que foram muito além das
regiões atingidas pelas naves espaciais e penetraram mais fundo que a natureza
constituitiva da matéria. Ultrapassaram os limites físicos do Universo e
atingiram o mundo só acessível ao raciocínio puro onde se encontra a resposta
sobre a razão última de ser de todas as coisas"

Mário Curtis Giordani/1972
Os séculos decorridos entre o início da idade do bronze, por volta do terceiro milênio a.C., até o fim do período micênico, por volta do ano 1100 a.C., são denominados Período Heládico. Durante essa fase, a população local, constituída inicialmente de pacíficos criadores e agricultores, transformou-se em povo guerreiro. A economia baseava-se no comércio marítimo com as ilhas e com os povos da costa leste do Mediterrâneo. Os chefes guerreiros dedicavam-se à guerra e à busca da fama e beneficiavam-se tanto do comércio quanto das terras de agricultura e pecuária, trabalhadas pelos servos. No ano 2600 a.C. houve uma invasão de povos oriundos da Anatólia que sabiam trabalhar o ferro e aperfeiçoaram as técnicas de agricultura e navegação. Cerca de seis séculos depois, tribos Indo-européias invadiram a península pelo norte e destruíram a sociedade existente. Absorveram as práticas dos habitantes anteriores, mas passaram a viver em complexos fortificados. Por volta do ano 1600 a.C., a fusão entre grupos do continente e a civilização minóica de Creta levou ao surgimento da Cultura micênica, nome derivado da cidade de Micenas, no continente. A civilização minóica, a mais característica de toda a região do Egeu, notabilizara-se por suas cidades populosas, com grandes edifícios e residências luxuosas; pelo agudo senso comercial; pelas conquistas artísticas, que incluíam a escrita; e pela forma de governo, que concentrava o poder político nas mãos de um rei, encarregado de administrar as riquezas do país. Diante da pressão dos Dórios, povo procedente do norte que migrou para a Grécia no início do século XII a.C., a civilização micênica sucumbiu. Os dórios eram um povo guerreiro, que usava armas de ferro e cultuava deuses masculinos, mais freqüentemente do que femininos. À medida que a Grécia se recuperava dos efeitos da invasão, o povo grego foi desenvolvendo uma língua e uma religião em comum com os dórios, e as populações tornaram-se semelhantes. Todos cultuavam uma família de deuses chamados Olímpicos, que habitariam palácios no Monte Olimpo. O culto compreendia a realização de festivais, disputas atléticas entre as cidades e cerimônias dedicadas ao deus protetor de cada cidade. A mais conhecida dessas celebrações eram os Jogos Olímpicos, realizados a cada quatro anos em Olímpia, em honra a Zeus e Hera. Os jogos começaram a ser disputados em 776 a.C., primeira data registrada da história da Grécia antiga. A partir de então, os gregos passaram a datar os acontecimentos fazendo referência ao ano olímpico.

Pressionada pelo crescimento demográfico na Grécia continental, a população fundou várias colônias, da Anatólia e do Mar Negro à França, Espanha e Norte da África. Os oriundos de Atenas fundaram as primeiras colônias na Anatólia, ajudados pela Lídia. As cidades jônicas originaram-se do comércio no mar Negro. Os habitantes das novas cidades da Ásia ou das margens do Mediterrâneo consideravam-se gregos e mantinham laços com suas cidades de origem. No final do século VII a.C., a cunhagem de moedas, que os gregos jônicos aprenderam com os lídios, revolucionou o comércio. O século V a.C., foi a um só tempo infausto e glorioso para a Grécia continental. Os Persas invadiram por duas vezes o território grego, de forma devastadora. Em 490 a.C. Dario I lançou uma força invasora, mas o exército ateniense rechaçou o ataque, na Batalha de Maratona. A vitória foi importante por duas razões: mostrou as perdas que os Hoplitas (soldados de infantaria com armadura pesada ou fortemente armados) gregos foram capazes de impor aos persas e pôde ser usada para fins de propaganda. A segunda guerra greco-pérsica, dirigida por Xerxes, filho e sucessor de Dario I, teve início com a expedição punitiva realizada dez anos depois, quando os persas derrotaram os gregos no desfiladeiro das Termópilas e incendiaram a Acrópole. Mesmo assim, Temístocles, comandante da frota ateniense, destruiu com as trirremes gregas - naus dotadas de três pavimentos de remos e vela redonda - a frota persa, em Salamina. Sem o apoio naval, o exército persa foi finalmente dizimado na Batalha de Platéia, em 479 a.C., por uma confederação de cidades gregas. Em 477 a.C. Atenas firmara com as cidades jônicas uma aliança, a Liga de Delos, para protegê-las dos persas. No início, as cidades que faziam parte da liga mantiveram sua autonomia, mas Atenas desde o primeiro momento assumiu a direção militar e a administração dos recursos que os aliados haviam depositado no templo de Apolo, em Delos. Ao afastar-se o perigo persa, a hegemonia ateniense começou a ser discutida por algumas cidades, como Naxos e Tasos, que tentaram sem êxito abandonar a liga; pelas cidades independentes, como Corinto, que se sentiam ameaçadas; e pelas que faziam parte da Liga do Peloponeso, à frente das quais estava Esparta. Os choques entre Atenas e outras cidades se tornaram cada vez mais freqüentes. A intervenção ateniense no conflito entre Corinto e Corcira (atual Corfu) provocou, a pedido de Corinto, a reunião da liga do Peloponeso, cujos membros decidiram declarar guerra a Atenas. Os atenienses nada fizeram para evitá-la, confiantes nas vultosas reservas de ouro, suficientes para financiar um longo conflito, e na frota de navios, imensamente superior à dos peloponesos. Mas o exército espartano era mais numeroso e estava melhor preparado que o ateniense. Começou assim uma guerra que se prolongaria por quase trinta anos, com resultados desfavoráveis para ambos os lados.

Depois da guerra do Peloponeso instalou-se a hegemonia lacedemônia e Esparta tentou impor o regime oligárquico em toda a Grécia. Descontente com o acordo de paz e com o predomínio de Esparta, Tebas fez uma aliança com sua antiga inimiga Atenas. Em 379 a.C., dois tebanos, Pelópidas e Epaminondas, organizaram uma conspiração contra a guarnição espartana da Cadméia (cidadela de Tebas), que marcou o começo da decadência de Esparta. Ameaçados pelo avanço tebano, os espartanos assinaram, em 374 a.C., um novo tratado de paz com Atenas: esta reconhecia a supremacia espartana no Peloponeso, e Esparta, em troca, reconhecia a segunda liga marítima ateniense. Esparta, no entanto, quebrou o acordo e interveio contra Atenas mais uma vez no oeste. Começou nessa época o apogeu da Thessalia e de Tebas, que reorganizaram seus exércitos e restauraram a Liga Beócia, o que motivou a reaproximação entre Esparta e Atenas. Na Batalha de Leuctras, em 371 a.C., Epaminondas, renovador da tática militar, infligiu à infantaria espartana uma derrota de que ela nunca mais se recuperou. Depois da Batalha de Mantinéia (362 a.C.), em que os tebanos, apesar de terem vencido os atenienses e espartanos, perderam Epaminondas, assinou-se uma paz pela qual nenhum estado conseguiu impor seu domínio. O equilíbrio alcançado após Mantinéia se apoiava unicamente na exaustão a que tinham chegado igualmente todos os estados gregos. Com o desmoronamento definitivo dos sonhos e ambições hegemônicas de Atenas, Esparta e Tebas, a Grécia ficou à mercê de um país do norte: a Macedônia. A dissolução da liga ateniense ocorreu ao mesmo tempo em que a Macedônia começava a ascender, liderada por Felipe II. Depois de unificar o reino, Felipe II iniciou uma política de expansão cujo primeiro objetivo foi proporcionar ao país uma saída para o mar. As cidades que resistiram foram destruídas. A conquista das minas de ouro do Monte Pangeu forneceu os recursos necessários para fazer da Macedônia uma potência. O exército macedônico foi reorganizado por Felipe II, que o dotou da famosa falange e de equipamentos de guerra. Atenas não se opôs ao avanço macedônico. Só mais tarde o orador Demóstenes concitou os cidadãos atenienses a resistirem a Felipe II, mas, juntamente com os tebanos, os atenienses foram derrotados na decisiva Batalha de Queronéia, em 338 a.C. Felipe II uniu todas as cidades gregas, com exceção de Esparta, e assumiu pessoalmente o comando da confederação, o que na prática significou submeter a Grécia à Macedônia. Felipe II foi assassinado em 336 a.C., quando se preparava para realizar a conquista da Pérsia.

Seu filho e herdeiro, Alexandre o Grande, que tinha então vinte anos, transformou em realidade esse ambicioso projeto. Toda a sociedade grega sofria então as conseqüências de suas próprias guerras civis e dos confrontos com a Macedônia. Alexandre o Grande se propôs unificar sob seu poder todo o mundo civilizado. Entretanto, antes de iniciar suas campanhas contra a Pérsia precisava assegurar o domínio sobre as cidades gregas. Primeiramente, conseguiu que a Liga de Corinto o nomeasse comandante supremo dos gregos. Depois de submeter, em 335 a.C., os Trácios e Ilírios, que se haviam sublevado, voltou-se contra Tebas, que também se rebelara e destruiu a cidade, matando ou escravizando todos os seus habitantes. A Grécia comprovou a impossibilidade de opor-se a Alexandre, que pôde então empreender suas conquistas na Ásia. Depois de confiar a Antípatro a regência da Macedônia e o governo da Grécia, cruzou o Helesponto. Em 334 a.C., Alexandre atravessou a Ásia, desafiou Dario III e chegou à Índia. Suas conquistas e seu projeto de construir uma ponte entre o oriente bárbaro e a civilização grega constituíram a origem da chamada Civilização Helenística, que se desenvolveu em grande parte da Ásia (Pérsia, Síria e Índia) e no Egito. Assim, depois que a Grécia perdeu o poder e a independência política, sua língua e sua cultura se tornaram universais. Alexandre concebeu o plano de um império que resultaria da união de gregos e persas, mas morreu de febre na Babilônia, em 323 a.C. Liderados por Atenas, os gregos se revoltaram nesse ano contra a Macedônia na chamada Guerra Lamiana, mas tiveram de capitular depois da derrota de Amorgos e a Liga de Corinto foi dissolvida. O problema da sucessão de Alexandre arrastou o país a novas guerras. Por fim, impuseram-se os Antigônidas na Macedônia, a Monarquia Selêucida no Oriente e a Ptolomaica no Egito. Com isso, o império dividiu-se definitivamente, embora os anseios de liberdade dos gregos os levassem ainda a novas guerras e coligações, de êxito esporádico, até a intervenção final e a ocupação do território pelos romanos. As primeiras relações dos romanos com as cidades gregas haviam sido amistosas. Todavia, quando em 215 a.C. Felipe V da Macedônia aliou-se ao cartaginês Aníbal, Roma resolveu intervir militarmente e obteve a vitória contra os macedônios em Cinoscéfalas, no ano 197 a.C. Seguindo uma política de prudência, Roma respeitou o reino macedônio e devolveu a autonomia às cidades gregas. A partir de 146 a.C., porém, a Grécia ficou submetida definitivamente ao domínio da República Romana, embora tenha continuado a manter a primazia espiritual sobre o mundo antigo.


O MUNDO GREGO

ATENAS
Berço da civilização ocidental, a cidade que foi...

ESPARTA
Frente aos ideais atenienses de liberdade e democracia...

CORINTO
Magníficas ruínas dão testemunho da grandeza da antiga cidade...

ILHA DE AEGINA
A ilha de Aegina, situada na costa de Atenas,...

MAGNA GRÉCIA
Os primeiros helênicos a chegar à região da Magna Grécia foram...

ARTE GREGA
A síntese de realismo e idealismo, que consiste em harmonizar as...

ARQUITETURA GREGA
Na construção de templos e edifícios públicos, os arquitetos gregos...

MÚSICA GREGA
Os antigos gregos criaram uma música clássica cuja teoria influenciou...

MOEDA GREGA
Unidades Monetárias da Grécia Antiga.


O DOMÍNIO MACEDÔNIO

REINO DA MACEDÔNIA
Depois de submeter a Grécia a seu domínio, o grande império macedônio...

FELIPE II
Felipe II transformou a Macedônia na maior potência da antiga Grécia...

ALEXANDRE O GRANDE
A poderosa figura de Alexandre III pertence ao reduzido grupo de homens que...

HELENISMO
A era helenística marcou a transição da civilização grega para...

DINASTIA DOS SELÊUCIDAS
O reino dos selêucidas fundiu as culturas helênica e asiática...

SELEUKOS I
Entre os estados surgidos com a desagregação do império de Alexandre III...

DINASTIA DOS PTOLOMEUS
Família macedônica que reinou no Egito durante o período helênico...

PTOLOMEU I
Um dos mais influentes generais de Alexandre o Grande...

REINO DA BACTRIA
Com a invasão da Índia por Alexandre o Grande estabeleceu-se...
Akasha De Lioncourt
Enviado por Akasha De Lioncourt em 30/08/2006
Código do texto: T228468
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Sobre a autora
Akasha De Lioncourt
São Paulo - São Paulo - Brasil, 45 anos
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