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O verdadeiro afeto

(Este texto teatral foi escrito por dois alunos meus de sexta  série.
Seus nomes são  Raphal Mendes e Júlia Dantas)

Narrador: _ Dona Marta é uma senhora já de idade, que vive muito só, passa todas as tardes sentada em sua cadeira, fazendo um crochê, muitas vezes até dorme. Um dia estava sentada em sua cadeira, quando á porta uma vizinha bate desesperada:
Cleonice: _Dona Marta!!!! Cadê a senhora? Ta aí dentro, será que dormiu?
Narrador: _ Cleonice está desesperada, mas Dona Marta parece nem ouvir.
Cleonice: _ Gente será que Dona Marta morreu? Pode até ser que sim ela vive aí sozinha o dia quase todo!!! E se um  estuprador entrou aí? Ai! Ai! Ai! (Cleonice fala isto, olhando para o público, com cara de espanto)
Narrador: _ Enquanto isso lá dentro, Dona Marta, vai acordando, tirando seus óculos arrumando a roupa, deixando de lado seu crochê e levanta-se, sem muita pressa, como se não tivesse nem aí pra tanto barulho, já está acostumada com a vizinha chata. Vai com calma abrir a porta.
Dona Marta: _ Que que foi Cleonice? Menina parece que ta indo tirar o pai da forca!!!!
Entra.
Narrador: _ Cleonice meio apavorada, entra toda desajeitada com seu bebe jogado na cintura.
Cleonice: _ Ah! Dona Marta, ne nada de sério não, é que fiquei preocupada, a senhora demorou muito pra abrir a porta, pensei até coisa ruim. Do jeito que as coisas andam, né?
Narrador: _ Dona Marta  se recompõe  e vai logo mudando se assunto:
Dona Marta_ Mas Cleonice, por que se bebe chora tanto?
Cleonice_ Não sei Dona Marta, ele chora o tempo todo, num me deixa dormir, e nem fazer nada, olha só meu cabelo nem tenho tempo de pentear!!!
Dona Marta_ Amiga Cleonice, depois que somos mãe, é assim mesmo! Os filhos vem em primeiro lugar, temos de dar toda a atenção, ainda mais quando são pequenos, dependem muito de nós. ( fala isso com ar de conselheira, experiente)
Cleonice _ Mas Dona Marta minha mãe dizia sempre que filho são um pé no saco!!! É carga pra toda vida!!!
Dona Marta_ Olha Cleonice, meus filhos são maravilhosos, dei tudo que podia, e muitas vezes dei o que não podia, mas hoje são pessoas de bem, formaram-se e são pessoas importantes. Sou feliz por isso.
Cleonice_ A senhora me desculpa, mas não vejo como a senhora é feliz, eles nem vem lhe ver!!!
D. Marta_ Não importa, o que importa é eu saber que fiz o melhor que pude, cumpri meu papel de mãe. Veja só meu filho Cleber é um excelente médico....( ficam cochichando baixinho....)
Narrador_ O filho Cleber de D. Marta é mesmo um médico bem sucedido e neste momento faz uma cirurgia em uma velha conhecida de sua família.
Cleber_ Colegas, vamos deixar que esta mulher descanse, pois já perdemos muito tempo com essa cirurgia e sabemos que é velha e não vai durar muito, desliguem os aparelhos, conheço-a desde menino e já  viveu demais.!!! Preciso me preocupar com coisas novas.

Narrador_ Dona Marta continua elogiar seus filhos e agora fala  de um outro filho:
D. Marta_ Veja só meu filho João, com certeza vai ser reeleito na associação de moradores e um dia vai ser um governador ou até mais!!! ( continua sussurrando sobre o filho.....)
Narrador_ João, num palanque da escola do bairro discursa para a comunidade de alunos.

João _ Queridos companheiros de luta, se reeleito for, prometo acabar com as chatas reuniões de pais e mestres, nas escolas, pois estas, só servem para expor nossas notas aos pais, que não tem nada haver com cada um de nós, pois somos independentes e não precisamos destes coroas nas nossas costas..... ( a platéia aplaude, e grita!!!! Eleito!!!!)
Narrador: D. Marta continua a elogiar seus filhos para a amiga Cleonice.
Dona Marta_ Veja meu filho Júnior este foi para a capital estudar, pois aqui não tinha mais estudo pra ele, quer ser um doutor.
Narrador_ Junior foi para a Capital e nesse momento está rodeado de amigos.
Júnior_ E aí gata, vamos dar um role? Que coisa mais linda!!! Vê, gata!! Vamos dar um role e tragar um baseado!!!
Dona Marta_ Ruth, minha mais velha, é mulher da sociedade de senhoras do bairro, ajuda os pobres, faz caridade, está sempre envolvida com as senhoras da igreja, em um trabalho beneficente.
Ruth_ Odeio ter que fazer compras, fico tão confusa, não sei o que escolher, mas na dúvida levo todas estas blusas, aqueles sapatos e deixa ver......estas bijuterias, também!!!!.....Ah!!! mandem meu motorista levar, pois estou atrasada para o cabeleireiro!!!
Narrador_  Cleonice, junto com D. Marta,faz uma pergunta:
Cleonice_ Mas D. Marta, e sua filha caçula, a Senhora não tem nada a dizerda Clarinha
Dona Marta _ Ah! Cleonice, essa sei não, não é filha minha de verdade, aí não posso dizer que vai dar boa coisa, você sabe como é encontrei na sarjeta, sem comida, doente, cheia de piolho, trouxe pra casa, cuidei, mas sei que um dia, vai ir embora, por isso nem me imporoa com ela.
Narrador: Enquanto isso, Clarinha lá no seu quarto de joelhos faz uma oração:
Clarinha: _Oh! Senhor Jesus, eu sei que o senhor talvez nem ta me ouvindo, pois sou uma menina que não tem nem nome direito, mas quero apenas te agradecer, porque o Senhor me deu uma mãe, como a D. Marta, uma mulher maravilhosa que tem cuidado de mim.
Abençoa ela sempre, senhor, para que  ela esteja sempre comigo!!! E eu prometo senhor que nunca vou deixá-la, sozinha.

Narrador:_ Dona Marta , nem imaginava a preciosidade que era sua filha Clarinha, mas a vida é assim mesmo, muitas vezes, não enxergamos o que está diante de nossos olhos.



Lena Leal
Enviado por Lena Leal em 08/10/2006
Reeditado em 08/10/2006
Código do texto: T259423

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Sobre a autora
Lena Leal
Goianésia - Goiás - Brasil
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Lena Leal