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Pablo Neruda

Pablo Neruda, pseudônimo de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, nasceu a 12 de julho de 1904, em Parral, no Chile. Prêmio Nobel de Literatura em 1971, sua poesia transpira em sua primeira fase o romantismo extremo de Walt Whitman. Depois vieram a experiência surrealista, influência de André Breton, e uma fase curta bastante hermética. Marxista e revolucionário, cantou as angústias da Espanha de 1936 e a condição dos povos latino-americanos e seus movimentos libertários. Diplomata desde cedo, foi cônsul na Espanha de 1934 a 1938 e no México. Desenvolveu intensa vida pública entre 1921 e 1940, tendo escrito entre outras as seguintes obras: "La canción de la fiesta", "Crepusculario", "Veinte poemas de amor y una canción desesperada", "Tentativa del hombre infinito", "Residencia en la tierra" e "Oda a Stalingrado". Indicado à Presidência da República do Chile, em 1969, renuncia à honra em favor de Salvador Allende. Participa da campanha e, eleito Allende, é nomeado embaixador do Chile na França. Outras obras do autor: "Canto General", "Odas elementales", "La uvas y el viento", "Nuevas odas elementales", "Libro tercero de las odas", "Geografía Infructuosa" e "Memorias (Confieso que he vivido — Memorias)". Morreu a 23 de setembro de 1973 em Santiago do Chile, oito dias após a queda do Governo da Unidade Popular e da morte de Salvador Allende.

http://www.releituras.com/pneruda_menu.asp


Obra: Valsa
Autor:
Pablo Neruda

Eu toco o ódio como peito diurno
Eu sem cessar, de roupa em roupa
Venho dormindo longe.

Não sou, não sirvo, não conheço ninguém,
Não tenho armas de mar nem de madeira,
Não vivo nesta casa.

De noite e água está a minha boca cheia.
A duradoura lua determina
O que não tenho.

O que tenho está no meio das ondas.
Um raio de água, um dia para mim:
Um fundo férreo.

Não há quebra-mar, não há escudo, não há traje,
Não há especial solução insondável,
Nem pálpebra viciosa.

Vivo logo e outras vezes continuo.
Toco logo um rosto e me assassina.
Não tenho tempo.

Não me procureis então percorrendo
Outra vez o habitual fio selvagem ou a
Sangrenta trepadeira.

Não me chameis: minha ocupação é essa.
Não pergunteis meu nome nem meu estado
Deixai-me em meio à minha própria lua,
No meu terreno ferido. 

***

Obra:
O Poço
Autor:
Pablo Neruda 

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres. 

***

Obra: O teu riso
Autor: Pablo Neruda

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria. 


http://www.beatrix.pro.br/literatura/neruda.htm

***

MORTE

Pablo Neruda estava gravemente doente de um câncer de próstata, mas estável dentro de sua enfermidade.

11 de setembro: Golpe de Estado. O poeta sofre um agravamento inesperado na evolução de sua doença, atribuído à ansiedade dos acontecimentos políticos. Começa com febre alta. Seu médico lhe aconselha umas injeções e que não tome conhecimento das notícias.

14 de setembro: Neruda parece restabelecido, chama sua mulher e lhe dita o último capítulo de suas memórias. Nesse momento chegam caminhões militares para vistoriar a casa. Matilde esconde os papéis, que conseguem ser salvos da inspeção.

18 de setembro: Neruda volta a ter febre. Seu médico é localizado em Santiago e se encarrega de mandar uma ambulância para seu traslado a uma clínica.

19 de setembro: ingressa na Clínica Santa María. O embaixador do México vem lhe oferecer exílio, deixando um avião a sua disposição. O poeta se nega a sair de seu país.

20 de setembro: Matilde vai a Isla Negra buscar uns livros que lhe havia pedido Neruda. Quando ali estava, é avisada de uma piora de seu marido.

22 de setembro: Neruda toma conhecimento dos horrores da repressão política e entra em um estado febril ao saber sobre todos os seus amigos que haviam morrido. Nessa mesma noite a enfermeira lhe dá um calmante e Neruda passa a noite toda dormindo placidamente.

23 de setembro: Pela manhã continua dormindo, sua mulher se alarma quando transcorre toda a manhã e Neruda não desperta. Às 22:30 exala o último suspiro.

Parece que suas últimas palavras, ditas em um sussurro, foram: "Los fusilan! Los fusilan a todos! Los están fusilando!" (fato não comprovado). Morre de um infarto do coração.

Informação tirada das memórias de Matilde Urrutia ("Mi vida junto a Pablo Neruda") 

http://br.geocities.com/edterranova/neruda.htm



Pablo Neruda, além de um político incontestável, é o Poeta da minha vida. Nada que seja dito ou escrito, compara-se a sensualidade e dor deste grande Homem.

Angela Lara
Enviado por Angela Lara em 31/10/2006
Reeditado em 03/02/2013
Código do texto: T278158
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Angela Lara
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 55 anos
1830 textos (247896 leituras)
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Angela Lara