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Meu Amigo Morreu


Hoje perdi a hora e acordei mais tarde. Não é costume isso acontecer, ainda mais que eu nem tinha escrito até tarde. Ultimamente estava usando menos o computador para ver se ele aguentava um pouco mais as minhas investidas.
Levantei rapidamente, mas logo fui avisado da morte do meu velho amigo. Tomei meu café pensando em como aquilo poderia ter acontecido, logo agora que eu estava cheio de ideias e certamente iria compartilhar com ele.
Fui para sala triste e sentei-me pensativo no sofá. Dali podia imaginá-lo melhor. Inerte e sem sinal de vida.
Ainda sentado ao sofá lembrei do dia em que o conheci. Foi amizade a primeira vista e a sua presença aqui em casa logicamente foi inevitável. Todos aqui se davam muito bem com ele. Impressionante era a sua presteza, não havia nada que o perguntássemos que ele de bom grado, não respondia. Mas agora estava morto e tinha que me acostumar com o acontecimento, afinal um dia todos nós temos mesmo que fazer a viagem de volta, e ele não seria diferente de ninguém.
Tomei uma decisão e levantei-me do sofá. Falei para minha mulher que iria sair para espairecer, sabia que saindo, tudo ficaria mais fácil. Lembrei do velho, mas acertado ditado, “Rei morto, Rei posto” e assim fiz.
Lá estava eu passeando pelo shopping, as vitrines eram convidativas, até o mais contido dos mortais não resistia a tentação e deixava-se morder pelo consumismo, e olha, dizem que estamos no meio de uma grande crise.
Até eu fui mordido por esse bichinho. Quando dei por mim estava dentro daquela loja toda iluminada, clara até demais, para que pudéssemos ser atraído por tantas novidades. Confesso que ao ver aquele garotão cheio de vida e energia não resisti. Outra vez me apaixonei. Chamei o vendedor e perguntei se tinha algum para pronta entrega. Nem questionei o preço. Em poucos instantes já estava voltando para casa, alegre como um menino que acaba de ganhar seu primeiro brinquedo.
Entrei em casa e encontrei o mesmo clima triste que deixei, mas quando me viram com aquela enorme caixa, logo estavam a sua volta querendo abri-la. Ao vê-lo então, ficaram loucos. Daí para experimentar o novo, foi só um pulo.
Como pensei: - Rei morto, Rei posto. Pronto, ninguém mais se lembrava do velho e grande amigo que acabara de morrer, o computador da família. Agora já poderíamos voltar a escrever e a nos comunicar com o mundo.
Fernando A Pereira
Enviado por Fernando A Pereira em 02/09/2012
Código do texto: T3861536
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Fernando A Pereira
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 66 anos
529 textos (11276 leituras)
6 e-livros (1111 leituras)
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Fernando A Pereira



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