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 Vaga-lume - Era tão bom tomar injeções!

Ele chegava de avental branco, todo cerimonioso.
Abria uma maleta de couro, tirava do bolso uma lixinha branca que tinha uma ponta preta em forma de V e ali, atritando num vai e vem, cortava o pescocinho da  garrafinha.
Passava um algodão com álcool e cravava as
 injeções em nossas bundas.
Umas lágrimas pelos sustos e pelas dores, 
mas que saudosa felicidade vinha depois!
Quando caía a noite, armados de nossas garrafinhas, lá
íamos, eu e minha irmã, capturar vaga-lumes.
A disputa era ferrenha. 
Quem pegava os maiores, os mais reluzentes.
A gente os prendia nas tais garrafinhas, pendurava-as nos pescoços e desfilávamos orgulhosos com nossas posses para o Japão, nosso gato e Doli, nosso vira-lata.
Até hoje não sei porque, eles não davam 
a menor importância para nós.
Certamente eles não sabiam que o pulsar dos 
vaga-lumes coincidiam com as batidas 
de nossos corações inocentes e felizes.
Mas hoje eu sei o que significa pulsar 
um coração abestado, que às vezes dá umas fibriladas, 
umas descompassadas, mas que continua 
cheio de amor pela vida e por você minha irmã.
 Feliz aniversário!!!
13/setembro
Augusto Servano Rodrigues
Enviado por Augusto Servano Rodrigues em 13/09/2007
Reeditado em 02/10/2007
Código do texto: T651101

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Sobre o autor
Augusto Servano Rodrigues
São Paulo - São Paulo - Brasil, 69 anos
156 textos (50684 leituras)
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Augusto Servano Rodrigues