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Identidade


Sou professora e quase poeta... Talvez me questionem o porquê do quase poeta? Porque sinto que ainda estou poeta, embora não deseje que isto seja efêmero...

Porque Ser é transcendental, e não isto de estar inspirado ou não... Ser professor é levar longe por entre os dedos a água que mata a sede do saber, que não sabe tudo...

Tenho tanto orgulho de ser que chega a doer; então, para sarar a dor que é fugaz, vai e vem, leva e traz... Luto, enfrento, confronto. Olho-me no espelho, limpo as feridas repetindo para que eu não esmoreça; porém entristeço-me...

Sinto-me uma formiguinha prestes a ser devorada pela sociedade que não nos enxerga, muitos renega-nos, poucos estendem a mão a àquele que lhe segurou o guidon quando aprendia a pedalar nos sobes e desces das linhas do caderno...

Tão poucos os consideram eternos... Dá pra contar nos dedos. Médicos, advogados, engenheiros é tantos outros profissionais que para o universo humano ainda são poucos...

Mas temos que sorrir! Qual o poeta (como disse Fernando Pessoa) o professor também é um fingidor! Não sintam se ofendidos os colegas com esta minha colocação, a justificativa virá em seguida...

 Sorriso de canto a canto, mesmo que o peito inflame e reclame o pranto... Nada de levar tristeza as salas! Leituras, interpretações, compreensões, são tantas e mais atuações. Diversas as personagens de um Mestre.

E assim voltam para casa “realizados”, relativamente sim, no que cinge o aspecto humano e nem tanto atualmente, com mais trabalhos para casa, livros e livros, pilhas de papéis quase que diariamente...

Sabe-se que quase todo profissional cumpre seu horário e vai pra casa descansar, mas nós, professores, fazemos dela uma extensão de nosso trabalho, e não porque queremos...

Quando uma arte está no sangue, quando ela lateja veementemente e está em constante estado de ebulição no dia-a-dia de um ser, muitas dores são suportadas...

É nunca sonhei, ser cantora, ser atriz, modelo, princesa, etc... Sempre quis ser professora e acabei virando artista... Subo no palco da minha vida desejada e finjo a dor de ser feliz com minha profissão escolhida e tão desprezada neste país...






Aos amigos e amigas professores do Recanto, como também a todos
os mestres do mundo! Bjsss
Nelciene Santos
Enviado por Nelciene Santos em 15/10/2007
Código do texto: T694924

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Sobre a autora
Nelciene Santos
Cabo de Santo Agostinho - Pernambuco - Brasil, 44 anos
1104 textos (68806 leituras)
1 e-livros (34 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/08/17 03:41)
Nelciene Santos