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MEU IRMÃO DA ARTES

                           Quão curto foi o nosso convívio e que marcas tão profundas deixastes. Eras Lúcio, mais que um companheiro de trabalho; eras o meu melhor amigo, um confidente, um mestre a quem aprendi a admirar e amar. Não conheci um coração mais nobre que o teu, uma pessoa mais honesta, e isto não são simples palavras, mas a justa medida do que mereces que eu diga em tua memória. O teu lema de vida eram o trabalho, o amor à arte e a total dedicação aos teus familiares.
                          Quantas vezes ouvi de ti que tudo que você queria era viver da arte e dar uma vida condigna para tua família. Nunca desejastes fama alguma, mesmo sendo um dos maiores artistas desse estado, e por que não dizer, desse país. A tua discrição, a tua modéstia suplantavam todo e qualquer resquício de vaidade. Eras um homem de virtudes raras, de uma bondade ilimitada, sempre ávido por aprender e sempre disposto a ensinar.
Deixaste Lúcio um legado inestimável, não só pelas inúmeras obras que produzistes, seja em pedra sabão, em couro, em pirogravura, em talha, em pintura ou qualquer outro material que passaram por tuas mãos mágicas. O teu legado maior foi o da multiplicação, ensinando com carinho a tantas pessoas, a tua arte, considerando cada um destes alunos como se fossem teus filhos. Presenciei muitas vezes encontros teus com teus ex-alunos, e quão felizes tu e eles ficavam. Teus olhos brilhavam e teu largo sorriso enchia o ambiente de felicidade. Lembro o profundo respeito com que cada um te tratava, um respeito que conquistaste naturalmente, na espontaneidade de teus gestos simples de bom amigo. Como diz a canção, amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, dentro do coração. O teu coração era tão gentil, tão nobre, tão justo, tão humano que como a mais fina porcelana, tinha que ser tão frágil.
                           A cidade de todas as artes está órfã do seu maior artista, em tudo insuperável. A Casa de Cultura está tão vazia e triste com a tua ausência, que cada compartimento chora a dor de saudades tuas, de teus sonhos, de teus projetos e daquela tua frase: “Se eu pudesse passaria com prazer todo o meu tempo aqui, criando, produzindo arte.”
                           Tu eras um ser especial, que tinha o Dom de transformar pedra em beleza. O teu ideal na arte era  buscar sempre a perfeição, fazer sempre o melhor possível, e isto transmitias a cada aluno teu. Não sei mais o que diga, maior é a dor que me invade. Adeus Lúcio Lustosa, foi um privilégio gozar de tua companhia, de tua amizade.

Marcos Cavalcanti
Enviado por Marcos Cavalcanti em 21/10/2007
Reeditado em 04/04/2008
Código do texto: T704136

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Sobre o autor
Marcos Cavalcanti
Santa Cruz - Rio Grande do Norte - Brasil, 44 anos
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Marcos Cavalcanti