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Chapeuzinho Vermelho

Era uma vez... Um lobo mau, muito mau, que anda pelos bosques para agarrar chapeuzinhos vermelhos. Vem ele passeando por entre as árvores, de pulinho em pulinho, cantando aquela música: "Eu sou um lobo mau", quando, de súbito, tropeça num tronco caído ao longo do caminho e rola por entre espinhosos arbustos. Neste momento, alheia ao som lamentoso, surge Chapeuzinho Vermelho, pulando e cantando aquela outra música: "Eu vou para a casa da vovózinha, eu vou". Muito mal-encarado, peludão, dentadura enorme e garras afiadas, o lobo se encolhe em silêncio, amaldiçoando todas as gerações de espinhos. Espera cautelosamente a passagem da inocente menininha vestida toda de vermelho, com chapeuzinho da mesma cor. Quando se próxima, o lobo salta em cima dela, mas o rabo fica preso nos espinhos. Volta impulsivamente para trás e cai novamente nos arbustos. Conta cento e vinte e oito espinhos. Chapeuzinho Vermelho, nesta altura, já está longe. O lobo, porém, sabe de um atalho por onde, se correr, chega na casa da vovozinha antes dela. Sai meio cabaleando entre as árvores umedecidas pelo orvalho. A manhã sorri e os pássaros crocitam indiferentes. Chapeuzinho Vermelho leva consigo uma cesta de docinhos para a avó. Leva todos os dias, embora a vovó deteste docinhos. Por isso, ela come todos no caminho. Tanto comeu docinhos que está gorda, enorme, aparentando vinte anos. O lobão chega na casinha branca de sapé e varanda, olha para os lados, espia pela janela e nada de Chapeuzinho. Esfrega as mãos e bate na porta. A vovó pergunta quem é. Ele desmunheca a voz, imitando a menina, e diz ser a netinha dela. A porta abre muito devagarinho. O lobo respira fundo, estufa o peito e salta sobre a podre velhinha, dando voz de assalto e a tranca no guarda-roupas. Não muito depois, Chapeuzinho Vermelho bate à porta. O lobão, já deitado na cama da velha, vestido de camisola, imita a vovozinha e manda a menina entrar. Chapeuzinho Vermelho acha a querida vozinha um pouquinho diferente e diz:
— Vovó, seus olhos estão tão grandes.
— São olheiras, não conseguiu dormir a noite toda — responde o lobo.
— Suas orelhas estão tão grandes.
— São mordidas de pernilongos.
— Os seus dentes estão tão grandes.
O lobo fica irritado com tantas perguntas e rosna:
— É uma dentadura nova e você não tem nada a ver com isso — rosna o lobo.
A coitadinha da menina se assusta. A vovó não gritaria com ela. Pergunta então quem é se faz passar pela vovó.
— É o lobo mau que pega chapeuzinhos vermelhos — gargalha o lobo e de um sobressalto agarra o chapeuzinho vermelho da cabeça da menina e foge para o bosque.
Marcelo Melero
Enviado por Marcelo Melero em 28/01/2006
Reeditado em 08/10/2008
Código do texto: T105310
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Sobre o autor
Marcelo Melero
Curitiba - Paraná - Brasil, 49 anos
38 textos (5705 leituras)
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Marcelo Melero