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Desgraça da graça

É engraçado, tem quem goste de fazer graça com a desgraça alheia. Mais engraçado ainda é quando a desgraça é grande. Tem quem ache falta de consideração, outros acham falta de graça mesmo. Tem quem não sabe fazer graça e se torna uma desgraça, tão grande quanto aquela da qual acha graça. Daí, não é mais engraçado e sim ridículo e de mau gosto. Aliás, tem quem não deveria abrir a boca, evitaria assim ficar sem graça e não visar desgraça. Desgraça chama desgraça e aí não tem graça. O bom mesmo é não se meter à besta em tentar ser engraçado se está desgraçado. Fica patético, apesar de existir quem ri à toa, sem saber se está rindo da graça ou da desgraça. Para falar a verdade, tem quem ri mesmo sem graça ou desgraça, então vira bobo. O bobo é ridículo e rindo provoca graça, mesmo não sendo engraçado. A bobeira contagia e é mais bobo quem ri de um bobo. Os expertes dizem que a graça está no acaso. Tem quem confunde com ocaso, então dá no mesmo e vira desgraça. Quando não existe graça nem ridículo, nem desgraça nem bobeira, então se está chapado ou louco. O chapado ri à toa e faz papel de bobo; o louco ri do que não existe, equivale à desgraça que não tem graça. Resta ainda o palhaço, quer ser tudo ao mesmo tempo, não consegue e acaba sendo um chato. Chato não tem graça, é bom porque não rola, mas enrola. Tem quem não se manca e deveria levar porrada. Isso até fica engraçado, contanto que não se confunda manca com manco, senão vira desgraça e vai ter quem ache graça.
Marcelo Melero
Enviado por Marcelo Melero em 28/01/2006
Reeditado em 08/10/2008
Código do texto: T105312
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Sobre o autor
Marcelo Melero
Curitiba - Paraná - Brasil, 49 anos
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Marcelo Melero