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GALINHA NOVA CERCANDO? MILHO PRA ELA...

       A donzela conta que encontra seu bem na hora do almoço e o bem vem lépido e faceiro, felizinho-da-vida-e-de-bem-com-a-humanidade falando das lindas flores que ela, a donzela, lhe enviara para o escritório na manhã daquele dia. Romântico, lindo e maravilhoso, não é, crianças? Até seria, não fosse pelo fato que a donzela em questão não mandara nadica de nada para seu amor naquele dia, muito menos flores. Incrédulo, o bem saca o cartão que acompanhava as flores e diz : “ Mas eu achei que fosse você, olha aí, ó, não é sua letra?”. Seria até natural desconfiar do moço porque o pobre não reconheceu a letra da donzela, a não ser pelo fato de que, nestes tempos cibernéticos, os dois se escrevem por e-mail, como qualquer outro ser vivente destes nossos dias.
         Isto posto, a donzela sapeia o cartão - óbvia e sabiamente não assinado (lembre-se que a curiosidade é comum a todos os viventes e deixa sempre várias pulgas atrás de qualquer orelha) que declara amorosamente querer encher de flores os dias do bem. O que deve fazer nossa donzela? 
         A moça tem um ataque de ciúme e enfia os caninos na jugular do bem? Assume um ar blasè do tipo “ oh! Que interessante, querido!”? Torce o nariz e das mais irritadas, inicia um interrogatório pra poder identificar quem é aquelazinha-sem-nada-pra-fazer-e-grandessíssima-filha-de-uma-profissional-do-sexo que anda rondando seu galinheiro?
        Meninos e meninas, quem assinalou qualquer das opções, lamentavelmente fez algo que só se faz no vaso sanitário: uma belíssima vocês sabem o quê. Não, não pule na jugular do moço. Ele não mandou flores para ninguém com cartãozinho amoroso. Ele RECEBEU, portanto, nada a ver você fazer estragos no seu amorzinho de estimação por algo que ele não fez. 
          Bancar a desinteressada, a superior, o tipo eu-sou-muito-da-gostosona-e-seja-lá-quem-for-a-mocréia-não-me-faz-sombra também não é uma atitude cem por cento sábia. Primeiro, porque o moço pode achar que você não dá a mínima pra ele ou então que você sofre de Tásse (tá se achando o máximo) em grau elevado.
          Mapear tudo em volta do moço para encontrar os indícios de quem pode ser a mocréia pistoleira? Só se você não tiver nada pra fazer na vida, situação em que recomendo fortemente que vá bater roupa no tanque ou procurar um emprego, sua folgada.
           Decisões sábias requerem reflexões sábias. Primeiro: se o bem tá assim com essa bola toda, meus amores, é prova cabal de que a donzela é uma moça de bom gosto e não está enganchada em algum canhão do museu da Segunda Guerra Mundial. Segundo: se o moço veio todo feliz contando pra ela (coisa que ele não precisaria , porque ela poderia passar a vida sem saber) é porque tá inocentinho-da-silva e se não estiver, é um problema de consciência dele. Terceiro: o cartão veio sem assinatura e a pistoleira em questão teve o cuidado de não deixar identificado sequer o lugar onde comprou as ditas flores. O que a moça pretende? Ora...Elementar, meu caro Watson. Confusão e nada mais. Pânico na casa alheia. Vai dar lenha pra fogueira? Só se for burra.
       Na história toda, só é pena não saber o endereço da admiradora-secreta-fazedeira-de-confusão pra gente mandar umas flores para ela também. E com um cartãozinho mimoso de agradecimento, com os seguintes dizeres: “ Grata por fazer a minha vontade. Economizou meu dinheiro e agradou meu amor. Continue assim. Nós dois adoramos.”
 


PS: A PROPÓSITO, HOJE TO COM A MACACA..DÁ UMA OLHADINHA LÁ NO MEU DIÁRIO..BJOSSSSSSSSSSS
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 16/02/2006
Reeditado em 16/02/2006
Código do texto: T112601

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai