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Causos de Lucas Durand

1— O Causo do Burro!

O pequeno sitiante possuía um burro do qual tinha a maior estima. Naquela época, cavalos, burros, carroças e carros de bois eram os únicos meios de transportes de qualquer fazendeiro e o único jeito de se locomover por estradas esburacadas e cheias de atoleiros no tempo das águas. Valiam ouro!
O pequeno sitiante entupia de carga o coitado do burrinho de estimação e vinha à cidade trocar suas mercadorias. Naquele tempo não corria dinheiro. Trocava-se mercadoria! Produtos da roça por produtos da cidade, como: sal, querosene, ferramentas e outras coisas mais.
Então, de tanto ir à cidade puxando seu burrinho e voltar o danado do burro já fazia o trajeto sozinho depois de algum tempo e seu dono podia ficar cuidando do roçado. O dono da venda sabedor do que se tratava, retirava a sacaria e de dentro dos sacos um bilhete lhe instruindo sobre a troca:
Um litro de carozeni, sar, um masso di vela pra muié pagá proméça, uma lamparina, uma foisse boa de corte, salamargo, 200 grama de porva e meio quilo de chumbo pra ispingarda, uma butina  e se desse, uns cumprimido pra dor de cabeça da muié...
Tudo era embalado cuidadosamente e jogado no lombo do danado do burrinho e o dono da “venda” o encaminhava de volta com uns bons tapas no traseiro.
Anos e anos o burrinho fazendo a mesma coisa...
Porém, o dono do burro começou a notar que seu burrinho de estimação não vinha mais todas as manhãs no curral e sempre o encontrava encostado numa árvore dormindo tranqüilamente. Praguejando, laçava o danado e o entupia de mercadoria rumo à cidade.
Quando olhou para a porteira já de tardinha, o coitado estava lá parado esperando que alguém tirasse aquele monte de sacos do seu lombo e de olhos completamente fechados! Mal seu dono acabou de retirar toda a carga o pobre animal cai de maduro pelo chão!
Surpreso, o sitiante o apalpou tentando encontrar uma explicação para aquilo! O danado do burro estava geladinho... Mortinho da Silva!
Não acreditou no que via! Imediatamente, mandou chamar na fazenda vizinha um veterinário que trabalhava para o governo e que estava fazendo uma campanha de vacinação contra febre aftosa nas redondezas...
O veterinário veio imediatamente!
Examinou! Examinou... E ficou olhando para o dono do burro...
— O que aconteceu com meu burrinho, doutô! Ele trabaiô direitinho até agora memo!
— Ele está morto há mais de uma semana, meu amigo! — exclamou o doutor.
— Chiii! Então, ele tava tão acostumado a ir à cidade e vortá... que mesmo morto ele feis isso a semana intera, doutô!

2 — O Causo do Zé do Efeito!

A cidade de Araújos tinha um excelente time de futebol que deixou saudades. E o mais fabuloso e lendário jogador era o Zé do Efeito!
Crem Deus padre! Tinha um efeito no pé que colocava a bola onde queria!
Araújos e Bom Despacho! Final de campeonato regional!
Primeiro tempo... Zero a zero! O goleiro de Bom Despacho pegava até vento! E o tempo passava! Segundo tempo... Quarenta e três minutos!  O empate de zero a zero dava o título à cidade vizinha! Pênalti! E a favor de Araújos! Quem vai para a cobrança? Zé do Efeito, claro! Quarenta e quatro minutos do segundo tempo! La vai Zé do Efeito para a bola! Uma bomba! O goleiro de Bom Despacho voou nela! Crau... Pegô! O campo de futebol calou-se! Parecia o Maracanã em 1950! O goleiro de Bom Despacho quicou a bola fazendo cera para colocá-la em jogo novamente... Já comemoravam o título! Quando a bola bateu no chão... rolou automaticamente para dentro do gol!
Araújos com o troféu nas mãos! A bola estava com um efeito tremendo ainda!
Lucas Durand
Enviado por Lucas Durand em 19/02/2006
Reeditado em 20/10/2012
Código do texto: T113672
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Lucas Durand
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Lucas Durand