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Causos de lucas Durand. 7 e 8.

7 — O Causo da Botina!

Na pensão em Araújos dormiam no mesmo quarto dois amigos. E para economizar, cama beliche! Um em cima outro embaixo! O que dormia na primeira cama era trabalhador e levantava cedo! Por esse motivo, pediu para dormir embaixo, pois quando levantasse não incomodaria seu amigo farrista, que sempre dormia tarde e acordava mais tarde ainda.
Porém, todas as vezes que o vizinho de cima chegava pelas madrugadas, subia na cama e tirava suas botinas e as jogavam para baixo que ressonavam como um tambor no assoalho de tábuas. Aí, né, como dormir!
Com muito jeito, o amigo que levantava cedo pediu delicadamente ao colega de quarto, que colocasse vagarosamente as botinas pelo chão para não interromper seu sono... ou, então, que tirasse as botinas antes de subir na cama. Desculpas de um lado e agradecimentos do outro ficaram assim combinados! Nada de botinas despencando do segundo andar da cama de madrugada!
Bão! Já de madrugada, depois de uma boa noitada, lá vinha o farrista meio trôpego tentando não fazer barulho, pois todos já dormiam na silenciosa pensão. Cambaleou pelos corredores e adentrou-se pelo quarto às escuras e preparou-se para dormir. Tirou uma botina e pum!!! Ela ressonou pelo chão como um tambor!
Então, lembrou-se do pedido de seu amigo! Envergonhado, retirou a outra botina e delicadamente esticou o braço depositando a botina suavemente no chão.Virou para o canto e dormiu!
Duas horas depois se ouviu um grito de indignação dentro do quarto:
—Seu desgraçado!!! Jogue a outra botina para eu poder dormir!!!


8 — O Causo da Viúva!

Uma viúva, após pouco tempo que o distinto havia falecido, caiu nas garras de um espertinho. Ela havia herdado uma boa fazenda. Por isso, era um prato cheio para esse tipo de espertalhão. Só, que, realmente, ela era uma grande retardada mesmo e acreditava em tudo que lhe diziam e isto facilitava em muito as coisas... E o novo marido fazia gato e sapato dela e de seus bens!
Porém, ela sempre se lembrava do ex-marido fazia promessas e rezava constantemente para que ele tivesse uma boa vida em outros mundos. O “maridão” esperto achava aquilo uma grande bobagem... Mas, tolerava, pois estava ali sua independência financeira.
Um belo dia, ele foi levar uma boiada para outra fazenda e a deixou só na propriedade! Aí, ao andar pela casa sozinha pensando o tempo todo no ex-marido, eis que um ladrão soltou algumas telhas e despencou lá de cima do telhado bem no meio da casa numa manhã e bem na frente dela! Assustada, ela olhou para cima e para o intruso, não entendendo como tudo aquilo havia acontecido.
O ladrão, ao perceber que se tratava de uma pessoa, meio retardada, continuou quieto!
— Dá donde o senhor vem! O senhor veio do céu? — ela indagou, olhando novamente para o teto.
— Claro! Não tenha medo! Eu vim lá de cima! — disse o ladrão, aproveitando a deixa.
— Ó, Deus... Que milagre! O senhor, por acaso, conhece meu ex-marido... o Filisbino! Ele morreu há dois anos! Eu gostaria tanto saber notícias dele!
— Filisbino...! Meu amigo do peito! Gente boa! Só que está passando algumas dificuldades lá no céu... o custo de vida está para a hora da morte! Por isso, ele pediu para que eu viesse aqui e ver se a senhora poderia fazer alguma coisa por ele!
— Santo Deus! Ele está em dificuldades!
— Muita! Ele pediu um pouco de arroz, feijão, carne, roupas... e se a senhora pudesse... um dinheirinho para ele acertar algumas dívidas por lá!
Imediatamente tudo foi entregue ao emissário celeste, que, agradecido, jogou o saco pelas costas e ganhou a estrada.
Poucos momentos depois chega o marido cansado da viagem e satisfeito por ter feito bons negócios. Deparou com a esposa numa alegria imensa.
— Querido... você num sabe o que aconteceu! — e relatou a ele toda a história.
O marido quase descabelou!
— Deixe de ser idiota, mulher! Para onde ele foi!
— Pegou a estrada!
Então, montou na mula e rasgou atrás do safado!
O ladrão ao olhar para trás percebeu que alguém vinha pela estrada levantando poeira e em sua direção... Pensou rápido! Alguém havia descoberto o golpe!
Olhou na margem da estrada um imenso arrozal... Algumas enxadas estavam na beira da cerca... Deveria ser hora do almoço... Então, arregaçou as calças, jogou o saco cheio de coisas atrás de uma moita e passou por debaixo da cerca começando a capinar tranqüilamente o arrozal.
— Amigo! — disse ofegante o cavaleiro — Por acaso, viu passar por aqui um homem com um saco nas costas...
— Sim, senhor! Ele entrou pela mata... Parecia apressado! — vendo-o descer da mula, amarrá-la na cerca, sacar sua pistola e adentrar-se furioso para a mata à dentro. O ladrão, então, apanhou o saco de mantimento, trepou em cima da mula e rasgou o mundo!
Daí algum tempo, cansado de procurar em vão, tardiamente descobriu que também havia caído no conto do vigário.
Já de tardinha, com as pernas até doce de tanto caminhar de volta para casa, escornou-se na porteira da fazenda, vendo a esposa vir correndo ao seu encontro... e sem saber o que dizer a ela!
— Querido... você o encontrou!
— Sim, querida!
— E o que ocê fez com a mula!
— Ele disse que o Filisbino estava andando a pé lá no céu... eu dei a mula para ele levar também...
Lucas Durand
Enviado por Lucas Durand em 02/03/2006
Reeditado em 23/09/2008
Código do texto: T117900

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Sobre o autor
Lucas Durand
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Lucas Durand