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O GOZADOR

Num Quartel da Brigada, servia um praça, ladino e manhoso como sorro manso, sempre fazendo troça e gozando os colegas de serviço, não escapando nem algum superior, dentro da camaradagem e disciplina respeitada.
Além de ser um dos melhores, que a Briosa já teve, capaz de fazer um cerco com mais de trinta viaturas sem olhar,sabendo de cor todos os prefixos de serviço.
Mas vamos ao causo que é tarde e vem chuva, toda vez que alguém lhe perguntava alguma coisa em tom de gozação, saltava longe, escamoso e escoregadio como sabão em tábua de tanque, ia logo dizendo:
_ “Saltei”, “Faca”, “Eu fora!” – e ninguém conseguia pega-lo.
A vítima constante era um recruta, que esperando completar a turma, ficou encostado na sala de Operações, atendendo telefone, estafeta e “otras cositas mas.”
Numa dessas madrugadas geladas como bunda de pingüim, a rede de rádio num silêncio sepulcral, o recruta humilde chegou para o muçum ensaboado e perguntou com toda a calma.

      _ Praça veio, o pato dá o cu nágua. E o senhor?
    _ Eu Fora! Eu Fora! – gritou o veterano saltando da cadeira.
JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES
Enviado por JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES em 04/05/2006
Código do texto: T150241
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Sobre o autor
JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES
Eldorado do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil, 54 anos
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JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES