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VIVENDO E APRENDENDO... SEMPRE!

O que eu + queria, qdo criança, era ficar grande. Cresci... e não fiquei (grde)!

Mas já estou aprendendo, pelo menos, a abreviar; embora tenha apreendido nas escolas em que estudei (antigamente) que isso seria contra-cultura. Teoricamente até concordo em não fazer da exceção uma regra. Mas dia desses descobri na prática, no meu 1º diálogo bem sucedido através do MSN – com a Sílvia (Deusa Indiana), que os tempos realmente mudaram.

O lado de lá parecia uma metralhadora giratória. Mal eu respondia a um fogo e já vinham outras rajadas – curtas e embaladas, ininterruptas, cortando sem dó meus pensamentos desvairados. Teve um momento em que não deu mais. Eu rolava a janelinha para cima e para baixo, tentando me localizar no diálogo, mas não conseguia concatenar mais nada.

Levantei a bandeira branca e gritei: “VAI COM CALMA, SÍLVIA!... DEIXA EU RESPIRAR!!!” Se meu sobrinho Cláudio visse a cena, com certeza despacharia uma carreira daqueles bonequinhos (emoticons) rolando de rir... Mas ela foi compreensiva e educada! Pediu até desculpas!!! E foi tolerante - agüentou até esgotar toda a adrenalina de um desesperado em meio ao bombardeio.

Eu não sabia mais como parar aquele embalo e ficava olhando para a tela esperando respostas que não vinham, sem saber identificar na linha específica que ela não estava nem digitando. Aproveitava, então, para descobrir alguns macetes – formatar tipo (colorido, negrito, itálico, etc).

Não sabia das regras do jogo, não compreendia que o jogador podia sair do campo qdo quisesse e retornar qdo bem entendesse. Podia, até, entrar em outros campos  (virtual ou literalmente) - conversar com outros ou cuidar do almoço na cozinha.

Tornei-me, pela falta de prática, inconveniente; mas sei que fui perdoado pela minha inocência. Recebi até um prêmio (sorte de principiante?): a notícia em primeira mão sobre o “meninão” – através, depois, do ORKUT.

Sempre quis fazer parte da comunidade, mas minhas filhas não deixavam. “Queima a cara!” diziam elas. Fizeram até um complô com os primos para que ninguém me indicasse. Fui numa LAN HOUSE e o Luís (proprietário) resolveu o impasse. Meu primeiro impulso e atitude foi comunicar minhas filhas: “Oi! Ói eu aqui cô 6...” (também sei ser espirituoso). A 1ª mensagem delas pra mim foi mais ou menos assim: “Oi, papi!!! Até vc por aki quem diria hein!!!” A 1ª providência com os amigos foi “Cuidado, MEU PAI tb tá no orkut!”

Minha mulher qdo soube, perguntou: “Pra que você quer isso?” “Sei lá – respondi – vou descobrir agora!” “Tem gente que não se enxerga...” – retrucou com um pouco de ciúmes. Concordei com ela mas, como sempre, ironizei: “Jovem é otros papo!” O que veio a seguir também já era de praxe: “Ai, meu Deus, até qdo cuidarei dessas crianças?...”

É fácil transformar-se num adulto. Difícil é separar-se do espírito da criança. Sei que querer é poder! Mas eu não quero... E nessa questão sou mais minha sogra: “Ruim comigo?... Pior sem migo!” Que saber? Tô indo... Fui!

Quem quiser que me acompanhe, porque minha avó materna morreu inconformada aos noventa e dois anos – na dúvida, queria continuar por aqui. Eu não tenho dúvidas – quero conhecer o que tem do lado de lá e sempre fui aventureiro, mas se estou na meia vida quero aproveitar para crescer mais um pouco para enfrentar a outra metade e me preparar para trocar de casca com o espírito ainda faiscando. Agora vou mesmo... Fui de novo! (de verdade) – (pronto! Já tô fora...) tum tum tum tum...
Lourenço Oliveira
Enviado por Lourenço Oliveira em 01/06/2006
Código do texto: T167606
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Sobre o autor
Lourenço Oliveira
Salesópolis - São Paulo - Brasil
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Lourenço Oliveira