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Relaxa, que a filha é tua...

A mulher queria que o marido assistisse o parto – para acalmá-la. Ele não sabia se seria válido, já que era mais emotivo que ela. Mas era, também, espirituoso. E nisso os dois concordavam. Ela não era tanto, era sempre mais séria e gostava de dizer isso a ele.

Afirmava sempre que tudo que ela dizia era verdadeiro e no entanto não sabia se podia considerar o mesmo com relação às coisas que ele dizia – já que vivia brincando com tudo e com todos o tempo todo.

Chegou o dia do parto e ele estava ao seu lado. Seria uma cesária e ela, após a injeção, ficou meio sonolenta. Ele ali, ao lado, fazendo piada do médico, das enfermeiras e ela sempre dizendo:
-  “Não achei graça nenhuma.”
-  “Relaxa, mulher, você está nervosa, muito nervosa!”
E assim foi – várias vezes.
-  “ Não achei graça nenhuma!”
-  “Relaxa, mulher, você está nervosa!”

Qdo a criança nasceu, o médico colocou-a nos braços dele. Emocionado e muito nervoso ele olhou para sua mulher e disse:
-  “Olha, querida, é a cara do pai!” -
-  "Você o conhece?” - Disse-lhe ela, sonolenta e muito séria.
-  “Hein?!!!” - disse ele.

Ela olhou diretamente nos seus olhos, sorriu e disse:
-  “Relaxa, homem... você está muito, muito nervoso!”

Todos riram – médico e enfermeiras.
Ele não sabia mais se ria ou chorava – ficou apenas com cara de tacho! A menina, que até então chorava em seus braços, parou de chorar e começou a sorrir.
-  “Ta rindo de quê, minha filha, não achei graça nenhuma...”
     
Lourenço Oliveira
Enviado por Lourenço Oliveira em 04/06/2006
Reeditado em 05/06/2006
Código do texto: T169517
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Lourenço Oliveira
Salesópolis - São Paulo - Brasil
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