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Hoje a receita é: RIR

   Estamos casados há 25 anos, e desde que conheci meu esposo, ele sempre teve uma história bem humorada pra me contar. Criado no interior, em meio ao povo simples, guardou lembranças gostosas. Saiu de casa bem menino, para estudar. Hojé é um conceituado cirugião dentista e seu lado de contador de "causos", é uma constante em nosso cotidiano. Assim, aqui vai uma das muitas que já ouvi.
         
                 No então Distrito de Goioxim, havia um homem chamado Félix, que trazia consigo um desgosto muito grande: um caso de bócio, vulgo 'papo', o que lhe rendera muitos apelidos. Sendo um homem metido a valente, ninguém ousava dar-lhe risadas, ou fazer graçinhas com ele por perto, mas ele sabia que todos lhe chamavam de Félix-papudo. Andava sempre com um revólver na cintura e um facão bem afiado, dependurado numa bainha de dar medo. Certo dia, Félix chegou no armazém de Seu Olegário para tomar um trago. Os que alí estavam, respeitosamente o cumprimentaram, falaram do tempo, das roças, do fumo, da bota apertada, do defunto de ontem, do baile de sábado, etc... Lá pelas tantas, eis que chega o mais famoso sarrista do local: Caperengo! Uma figura sem igual. Tocava gaita, violão, cantava, dançava, sempre rindo. Era o eletricista da "cidade". Tinha amizade com todos e todos lhe queriam muito bem. Gostavam de suas brincadeiras e de sua originalidade. Entrou já conversando com todos e foi logo para o lado de Félix, seu grande amigo. - E daí, lobisome véio, tá firme ainda? Félix, sabendo do jeito de Caperengo, respondeu-lhe abertamente: - Se não fôsse esse papo, eu até que podia tá bem melhor, mas que fazer? Seu Olegário que ria com tudo que se passava, foi dizendo: - Não é você Caperengo, que sabia lidar com esse negócio de papo? Caperengo notando a quebrada do amigo, foi se mostrando entendido no assunto: - Pois foi um tio, muito veinho, que me ensinou a receita da benzedura de papo, mas nunca fiz, nem sei se ainda me lembro como era a simpatia. Ouvindo isso, Félix pôs-se diante de Caperengo e segurando-lhe o braço, enfatizou: - E você, hein seu Caperengo dos inferno, que nunca me disse isso, eu aqui sofrendo com esse papo, tantos anos, homem! Vê se alembra da simpatia e me cura de uma veiz. Caperengo, em um repente de extrema criatividade, foi dizendo: - Lembro sim... deixa ver...ah, sim ... E olhando para as armas na cintura de Félix, exclamou: - Bem, pelo que meu tio me ensinou, em primeiro lugar não pode estar armado... Félix, olhou meio de lado, pensou um pouco e decidiu: - Tá bão, eu tiro. Pegou o revólver e o facão, colocou-os no balcão do armazém. Caperengo piscou para Seu Olegário, que imediatamente guardou-os em uma gaveta longe do alcançe de Félix. - Vamo, Caperengo, como faz a simpatia?
- Primeiro, o compadre vai e compra uma latinha de pasta preta pra sapato, uma lata cheinha. Chega em casa, pede pra comadre lhe ajudar. Ela pega uma flanela, de um metro, mais ou menos, passa toda a pasta no papo. O senhor deita-se de bruços, enquanto que a comadre, firma bem um joelho em suas costas, passa a flanela, como se tivesse fazendo uma alça, e começa esfregar. Puxa com a mão direita, depois com a esquerda, mas com muita força mesmo, até esquentar bem...
Félix, admirado, prestava atenção em cada movimento de Caperengo, imitava-o por vezes, na tentativa de aprender bem a simpatia. - Mas me diz uma coisa Caperengo? Isso cura mesmo esse tipo de papo que eu tenho? Caperengo, já meio por cima do balcão, foi falando de mansinho: - Olha... se cura..., não sei, mas que deixa lustroso, isso deixa sim...
E, foi uma correria danada...
NENINHA ROCHA
Enviado por NENINHA ROCHA em 09/06/2006
Código do texto: T172549
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Sobre a autora
NENINHA ROCHA
Guarapuava - Paraná - Brasil, 56 anos
310 textos (10916 leituras)
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NENINHA ROCHA