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NAMORO EM PLENO CEMITÉRIO

Há pouco menos de dois séculos, existia uma pequena localidade que hoje faz parte do conglomerado de municípios que formam a Grande São Paulo, que, assim como acontece com todos os lugarejos que surgem de forma inesperada, tal localidade, naquela época, ainda não tinha um nome definido.
Hoje ela é conhecida como a terra de muitos japoneses, terra dos hortifrutigranjeiros, berço dos estudantes universitários, entre outros.
Segundo pesquisas feita por um historiador anônimo e informações colhidas atualmente de alguns pescadores da região, o nome dessa cidade surgiu por acaso, da mesma forma que tem acontecido com o surgimento de nomes de uma grande maioria dos municípios, lugarejos, vilas e arraiais desse imenso país.
Eles disseram que foi assim que tudo começou:
- Um casal de namorados, formado por uns desses jovens que gostam de namorar às escondidas, estava sempre a namorar dentro do pequeno cemitério existente naquele lugarejo habitado por muitas pessoas de descendência oriental.
Um belo dia, a uma certa hora da noite, quase meia-noite, ambos os jovens estavam naquele mesmo lugar de sempre. A garota, meio preocupada e talvez querendo ir embora para casa, disse ter ouvido um barulho estranho.
- Parece que tem alguém gemendo, ou um animal urrando, ou talvez alguém querendo nos assustar - sussurrou a garota morrendo de medo.
O jovem, por sua vez, fez pouco caso, na verdade, ele nem deu bolas. Afinal, o momento estava tão propício que ele nem se deu conta do suposto perigo que ali rondava.
Passado alguns minutos, o som estranho se repetiu. A garota quis novamente ir embora, mas o jovem, um tipo daqueles muito corajosos, metido a machão, foi verificar o local de perto e ao retornar respondeu à garota:
- Meu bem, não há ninguém ali naquele local para onde você estava apontando. Eu já estive lá, olhei e não vi nada.
O lugar estava muito escuro e por mais que ele tivesse se esforçado nada pode ver. Na verdade, havia uma vaca que estava caída dentro de uma catacumba e, todas as vezes que ela tentava sair, provocava aquele som estranho, um mugido diferente, que assustava a garota.
A moça insistiu e ele para não deixá-la muito preocupada, respondeu-lhe de uma forma muito calma e convincente:
- Querida, fique tranqüila, aqui onde estamos não há almas penadas, "ghosts" , nem lobisomens. O ruído que você está ouvindo deve estar sendo produzido pelo "mugido das cruzes" existentes aqui neste cemitério. A moça acalmou-se, deixou de questionar o namorado e o casal continuou namorando naquele dia e em muitos outros que lá retornaram.
- Você que deve ser uma pessoa perspicaz e principalmente curiosa, já ouviu falar no nome de algum lugar que pode estar relacionado com o desfecho deste episódio?
Se você já ouviu falar ou até mesmo conhecer algo semelhante, não se assuste, é mera coincidência, pois o tal cemitério ainda existe e, vez em quando, o mugido das vacas que pastam nas fazendas e chácaras daquelas redondezas, ainda é confundido com o “mugido das cruzes” daquele cemitério ali existente.
Germano Correia da Silva
Enviado por Germano Correia da Silva em 24/06/2006
Reeditado em 01/05/2007
Código do texto: T181671
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Germano Correia da Silva
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Germano Correia da Silva

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