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A DIFÍL ARTE DE JOGAR NO LIXO

A DIFÍL ARTE DE JOGAR NO LIXO
(Autor: Antonio Brás Constante)

Vivemos em um mundo onde todos os recursos naturais diminuem a cada dia, contudo o lixo aumenta. Pensando nisto, pessoas, governos, empresas, etc, procuram desenvolver técnicas para minimizar este efeito drástico, tentando evitar que nosso planeta não se transforme em um monte de detritos na mais completa imundície.

Uma dessas técnicas é a separação do lixo para seu reaproveitamento. Primeiramente foi implantada a separação do lixo entre seco e orgânico. Porém, parece que de uns tempos para cá a idéia evoluiu de forma assustadora. Para meu espanto, me deparei outro dia com um grupo de lixeiras de diversas cores em um local público. Cada uma delas era indicada para um tipo diferente de lixo. Uma para metais, outra para papéis, a terceira para vidros, a quarta para plásticos e a quinta e última para orgânicos.

Dado o grau de complexidade das tantas opções de onde se deveria largar cada tipo de lixo, fiquei imaginando cursos preparatórios, ou manuais de instrução para as dúvidas que fatalmente poderiam vir a surgir. Por exemplo: caixinhas de suco, revestidas de papel laminado? Jogamos na lixeira de papeis ou de metais? E se contiver ainda um pouco de suco dentro? E quanto à madeira? Enquadra-se no lixo reservado para papel, graças ao seu parentesco com o mesmo, ou fica no orgânico? Pior ainda. Digam-me onde coloco a borracha?

Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas. Nunca se pensou que descartar algo acabaria sendo algo tão difícil de fazer. Agora imagine você diante das tais lixeiras, segurando o item indesejado com as mãos suadas de nervosismo, pois não quer parecer ignorante frente às pessoas que porventura estiverem ali presentes. Afinal, um homem que não sabe nem jogar o próprio lixo fora, não merece viver em sociedade. Sem falar nas multas. Sempre tem alguém pronto para nos multar sobre tudo. O ensino pode estar um caos. A saúde totalmente deficiente. A segurança uma vergonha. Mas o setor de multas continua extremamente eficiente, cruel e implacável. Com certeza devem ter inventado algum tipo de multa para descarte errado de lixo, no exato momento em que pensaram naquela variedade de lixeiras.

Em caso de dúvidas, talvez o melhor a se fazer é chegar assobiando perto das lixeiras, encostando-se nas mesmas como se estivesse apenas descansando um pouco. Então, quando ninguém mais estivesse olhando, você colocaria de forma rápida e discreta o objeto indesejado na primeira delas. Seguindo adiante, sem olhar para trás, com um ar de alívio em sua face. Porém, com a consciência pesada por ter jogado o que talvez fosse o seu lenço sujo (feito de pano), em um local impróprio. Mas não tinha outro jeito. Mesmo porquê, não havia uma lixeira própria para depositar tecidos recheados de compostos orgânicos, resultantes de uma pavorosa gripe.

Você se afastaria dali, pensando que talvez devesse existir uma sexta opção entre elas. Algo intitulado como: “outros”. Ali seria depositado tudo que não pudesse ser enquadrado nas demais lixeiras. Desde esculturas de gesso trincadas e seringas descartáveis contaminadas, até políticos comprovadamente corruptos entre outros dejetos humanos.

Aproveitando que estamos em ano de eleições, gostaria de finalizar lembrando que as urnas não são lixeiras, e seu voto tem um valor inestimável para ser desperdiçado ali de forma inconseqüente. Muitas das sujeiras políticas que percebemos em nossa volta nascem no momento em que votamos em políticos inescrupulosos, permitindo que os mesmos transformem nossos direitos em lixo. Colabore com a limpeza política: Não descarte, anule ou venda seu voto. Vote consciente.

(SITES: www.abrasc.pop.com.br e www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc)

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Antonio Brás Constante
Enviado por Antonio Brás Constante em 28/08/2006
Código do texto: T226940
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Sobre o autor
Antonio Brás Constante
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 100 anos
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Antonio Brás Constante