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O SUPER CÃO DO MARCOLINO


Pois é, amigo leitor, relendo as postagens do recanto, eu deparei com uma colocação que meu irmão fez, sobre uma situação que por algum tempo nos acompanhou lá na nossa terrinha.
 
Então, aquela cidade nossa não era fraca em coisas fantásticas, com um pouco de imaginação, de tudo dava lá.

Entre muitas coisas que nos aconteceram, há uma situação que não posso me furtar a dar conhecimento a todos vocês.
Seria uma situação cômica se não fosse trágica!Teve até certo comentário, uns falavam que era boato, outras afirmavam ser fato, mas, eu sou testemunha, ainda viva, embora me corte o coração ao me lembrar daquele valente cão, que mais parecia ter sido vítima da “Talidomida”, como dizia o Moura, veterinário lá da minha cidade.

Mesmo que este medicamento, este tal de talidomida, fosse coisa de gente grande, primeiro substituto encontrado para a camisinha, com funestos efeitos...

Tirando de lado os preliminares, vou contar o que aconteceu, então.
 
As casas lá da cidade todas tinham portas e janelas para a rua, calçada estreita, e numa porta daquelas tinha um menino sentado com um estranho filhote de cachorro no colo, mais parecia uma lula, de tanta perna que tinha. Mas cachorro é quadrúpede! Você dirá...

Pois é. Aquele especificamente era assim, sei lá, octopode! Alguma coisa assim. Deixando de lado as maravilhas da nossa língua portuguesa, o danado do cão tinha sim oito pernas!
 
Enquanto o menino ficava acariciando aquele cão que mais parecia uma aranha, foi juntando gente pra ver e começou certo tumulto por lá. Tinha gente que até pensava em vender o bichinho pro circo, mas, o pai do menino acabou com a festa e sumiu com o cachorro lá da vila.

Então. O cãozinho foi crescendo, crescendo... Ficava correndo lá no quintal do Marcolino,que era bom caçador de veados, mas que já andava desacreditado pela idade. E o cão, andando pra lá e pra cá, com aquelas quatro pernas penduradas nas costas, coisa estranha! Oito pernas, quatro nas costas, meio que mortas, balançando como lanças em lombo de touros, aqueles das touradas em Madri! E o Marcolino cuidava do bichinho como se fosse filho dele!

O cão então, passado algum tempo, ficou adulto, esperto e valente, companheiro inseparável do Marcolino, que por sua vez, ninguém sabia como, passou a ser de novo respeitado como um grande caçador. Ninguém daquelas redondezas conseguia caçar mais veados do que Marcolino. Era a glória do velho!

Eu, embora moleque que era, tinha um bom relacionamento com o velho, que numa manhã de domingo, depois da missa do padre Aristeu, depois da minha obrigação de coroinha a repetir os Kyrie eleison, Cristie eleison, depois que o Marcolino deu a ajuda do ofertório e tirou o troco,  me convidou a participar com ele de uma caçada, só pra eu ir segurando as tralhas dele, visto que já não agüentava muito peso além da cartucheira, amiga de muitas décadas.
 
Pois é meu amigo e paciente leitor. Foi aí que descobri como o velho Marcolino recuperou o respeito de grande veadeiro.

Seguimos então lá pras bandas da fazenda Santa Helena, eu, o Marcolino e aquele cão cheio de pernas. Foi então que se revelou a eficiência do Marcolino no trato com os veados.

O cachorro, que tinha um jeito de extra terrestre, farejou a caça e saiu em desabalada carreira em campo aberto, o veado saiu na velocidade a se defender da morte certa e eu fiquei observando aquela correria de gato e rato, ou melhor, de cão e veado.

A gente tava no alto do morro e via bem a correria dos bichos. Veado corre muito e cansa o predador, no caso o cão do Marcolino.Mas, que nada! Que engano do veado... Aí se revelou o sucesso do Marcolino nas caçadas.

Depois de muito correndo e já cansado, o danado do cachorro dava uma cambalhota e começava a correr com as pernas que tinha nas costas, e aí, já viu! sucesso garantido que acompanhei e provo!

Diga você, amigo leitor, que veado agüenta um cachorro deste?


Paulo de Tarso
Enviado por Paulo de Tarso em 20/09/2006
Reeditado em 30/04/2012
Código do texto: T245245
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Sobre o autor
Paulo de Tarso
São Paulo - São Paulo - Brasil, 60 anos
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Paulo de Tarso