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Sabor de Aventura

Sabor de aventura

----Foi sim, senhor Delegado, eu mesmo chifrei essa vaca. Como! Que qui é!
Meu nome é Eleutério e não Adultério, esse é outro carinha. Já saquei, sou adulto sim, ela também é de maior, agora isso de co...como é mesmo?...meter, já é demais. O senhor tá querendo é me prejudicar.
Afinal, eu tava assentando uma porta, porque o senhor tem de entender, cortina não tá dando mais.
Tava lá em cima da escada apertando os primeiros parafusos da dobradiça e pensando junto com minha chave-de-fenda: como é bom ter porta só da gente, que abre e fecha só quando a gente quer.
Qual o lugar? Já expliquei que era no meu cantinho: cama e pinico,só! Foi aí que percebi uma sombra lá embaixo, quietinha, na moita. Se fosse rico ia pensar em assalto, mas no meu caso não era coisa nenhuma.
Aí a sombra falou: ----Oi, meu alazão!
Primeiro não entendi bem o deboche, pensei até que era deu tá montado na escada.
E a roupa? Tô lembrado sim, posso falar com segurança porque fiquei de olho lá de cima, com esses olhos que a terra há de comer: era pouca, quase nadinha.
Olha seu Delega, já tava lá embaixo e se quer saber a verdade, não sou frouxo não: tava quieto, assuntando, quando veio a conversinha de novo.
----Oi, meu alazão!
Só que nessa, eu não tava  mais montado na escada, tava no chão. Sacumé, nunca pensei que porta tivesse tanta serventia. Serviu pra mais de uma hora, jantar completo.
Violei ela ? Claro seu Delega ! O senhor já pegou um violão desse, sem violar ?
Eu já disse que violei pra mais de uma hora, com dobradiça e porta fechada. Sou carinha discreto, não dou bandeira.
Esquisitinha a potranca, repetia o tempo todo: ---Oi, meu alazão!
Não, não, eu tô  com vinte e oito e ela não sei não, mas tá bem vivida.
Bem seu Delega, se isso é crime, vou hoje mesmo desparafusar tudo e botar cortina no lugar, porque bandido não sou não.
Se...o quê?...questro?
Um instantinho, o senhor usa palavrinha de confundir, e já tá vacilando as pernas aqui, ô meu! Brinca não!
Uma horinha só de porta e dobradiça pra esse farrancho todo, assim não dá! Fala pra potranca que não vai ter mais porta, só cortina, e que alazão não sou não, e que a brincadeirinha chegou aqui, parou.
Tchau seu Delega, tô saindo de fininho, que o papo não tá agradando não. Lá na quadra que  eu freqüento rola muito samba com cerveja, tudo bem acompanhado, e não tem confusão nenhuma. Ninguém fala dessas complicações e não tem pecadinho não, tudo muito natural.
Pede pra essa potranca-sexo-arrependida evaporar, que pra mim esse negócio tá parecendo aquelas coisas que a gente jura: nunca mais, até pintar a próxima.

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(Miro Camargo)
Miro Camargo
Enviado por Miro Camargo em 17/06/2005
Código do texto: T25339
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Sobre o autor
Miro Camargo
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 81 anos
13 textos (1719 leituras)
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