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Caso de caserna- QUANTA RARIDADE

Esta, contam, se passou em uma “famoso “quartel de Infantaria , que hoje está longe do seu torrão.
A fama de um oficial já havia chegado na unidade logo após se formar na Academia. O comandante, precavido, não o deixou morar no quartel com os demais Aspirantes.
O oficial não bobeou: alugou um teatro abandonado e o fez de moradia. No hall de  entrada deixava o cavalo, seus arreios e ia para dentro do teatro propriamente dito. Na última fileira deixava a cobertura, na seguinte outra peça . Até ficar sem roupa e a partir daí, em fileiras seguidas encontrava as peças do pijama, de modo que ,chegava ao palco , onde estava sua cama, pronto para dormir. O armário era feito amarrando suas peças de roupa nas cordas que movimentavam o cenário. Após acordar , fazer sua higiene pessoal e antes de seguir para o trabalho, fazia tudo ao contrário e...
Foi ficando veterano no quartel e assumiu a função de Fiscal Administrativo. Uma das primeiras providências foi a de levantar o assoalho, pois a lâmpada elétrica era muito alta e lhe causava problemas de vista.
Por certo era de estatura baixa, e logo mandou cortar todos os pés dos sofás do cassino dos Oficiais, visto que, quando sentava, não conseguia tocar no assoalho.
Como o quartel situava-se em área de barro vermelho e o pátio para o rancho era de terra, novamente não titubeou e tomou mais uma decisão criativa: mandou fazer pernas-de-pau para todos cabos e soldados avançarem para o rancho em caso de chuva.
Acabou sendo transferido da unidade e voltou anos depois para comandá-la.
Na assunção  de comando, após  bradar “Assumo o comando do ...Regimento...” notou que estava sem espada. Como sempre , criativo, sacou o 45 e descarregou-o para o alto.
Dizem que a cavalhada dos oficiais está perdida até hoje.
No Comando,  aprontou mais uma: sentiu-se doente e achou que ia morrer. Sua iniciativa e criatividade falaram mais uma vez: mandou comprar um caixão de defunto. E como não morreu no comando, mandou incluí-lo em carga.
E este caixão , por longo tempo, foi o terror dos Almoxarifes , responsáveis pela sua guarda, do 17 Cachaça. Dizem que passou a champanhe depois, mas isto é outra história.
FLAVIO MPINTO
Enviado por FLAVIO MPINTO em 07/10/2006
Código do texto: T258932

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Sobre o autor
FLAVIO MPINTO
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 65 anos
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FLAVIO MPINTO