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Hã...

Era 2:30 da tarde, Viviana estava atrasada, era uma jovem loira alta, tão orgulhosa, que além de andar empinando o nariz, jamais descia de seus grandes saltos, nem mesmo quando percorria o andar em que mora, o 6º andar, sem se mostrar a ninguém. Era cobiçada por todos os homens, porém, nunca ninguém a teve. João Pedro estava sossegado, sem pressa, era desajeitado, meio curvado, dentes falhados, porém, simpático, nunca fora cobiçado, nunca tivera nenhuma mulher, na verdade, nunca tivera nada, somente seu apartamento no 7º andar... Os dois entraram no elevador rumo à baixo, de repente a energia elétrica cessou, o elevador parou, onde nem a porta abria...
Passou se muito tempo...
3:15 da tarde...
Dona Flor, uma senhora saudável, cristã, devota de todos os santos que se pode imaginar, passava ali na frente, quando eis que surge um zumbido...
- Vai, isso, com cuidado, vai, ai minha perna, ai não, assim não dá, Aiii, um pouco mais para cima, isso, aí mesmo, esse é o ponto, acho que eu chego lá...
Dona Flor se benzeu três vezes, de repente, a empregada de Dona Ântonia subindo as escadas e reclamando o fato de ter que usá-las, viu Dona Flor se benzer...
- Oxente Fror, que que tá acontecendo aqui?
Dona flor olhou e disse...
- Minha filha, esse elevador é do Demo!!! É verdade, ele virou um ântro de perdição, escuta só que sons pecaminosos...
A empregada encostou a orelha na porta do elevador, ouviu, virou-se para Dona Flor e ...
- Minha Nossa Senhora Fror, isso não é do Demo não, é a tal da procriação, me aguarde aqui...
Correu para o apartamento da patroa, chamou ela e as duas mulheres que estavam lá, vieram correndo com as saias erguidas, encostaram as orelhas no elevador, e ficaram ouvindo...
- Um pouco mais para cima, isso, para com isso, João, eu tô tentando arrumar o nosso lado e você fica ai me machucando...
- Descupa, Viviana, é que eu não aguento com você, é demais para mim...
Do lado de fora, já tinha se acumulado metade do prédio, jovens que subiram as escadas com o porteiro, o técnico do elevador, moradores daquele andar... Todos ouvindo...
- Vai, João, vai logo antes que a energia volte... Isso tem que ser rápido, senão eu morro aqui mesmo...
- Calma ai Viviana, eu não sou dois, já disse que não aguento... Sou muito fraco...
- É fraco mesmo, vai, anda logo, espera, ai, fica ai, agora vai, agora acho que vai...
Todo mundo escutando, davam rizada, cochichavam, comentavam...
- Nossa, o João não aguenta, que bicha...
- Não acho que aquele mulherão deu bola para ele...
- Ai gente, deixa eu ouvir...
E assim ia...
De dentro do elevador, o que acontecia não era mais que uma tentativa de abrir a porta, João segurava Viviana, enquanto ela tentava abrir a porta de emergência que fica no teto do elevador, para tentar dar um curto circuito nos fios que ficam na parte superior, e então abrir a porta... Porém, suas falas inusitadas causaram outra impressão...
- Isso, tô conseguindo, aguenta ai João...
- Tá dando Viviana? Abre mais, não da para entrar assim...
ELES ESTAVAM FALANDO DA PORTA DE EMERGÊNCIA QUE A VIVIANA ESTAVA QUASE CONSEGUINDO ABRIR COM SEU BICO-DE-PATO...
Os comentários do lado de fora continuaram...
- Olha só o João, pra quem não estava aguentando, hein...
- Essa Viviana, dando uma de santinha hein?
Logo, a energia voltou, o elevador sacudiu, Viviana caiu em cima de João, nisso, sua minuscula saia levantou e um de seus sapatos saiu do pé, seu rosto ficou no colo de João, e ele caiu encostado na parede do elevador todo largado... O bico-de-pato de Viviana e sua bolsa ficaram jogados pelo elevador...
De repente, a porta se abriu... Todos que estavam ali olharam curiosos, espantados viram Viviana e João daquele jeito, e concluiram seus pensamentos sórdidos sem nem deixarem eles se explicar...
Hoje, João é o cara mais falado e cobiçado do prédio e Viviana vive tirando seus sapatos, baixando a cabeça, para correr pelas escadas, fugindo de tarados no elevador, e da senhoras cristãs que jogam bolsas nela...
NOSSA, COMO AS COISAS MUDAM...
Daiane Rodrigues
Enviado por Daiane Rodrigues em 25/06/2005
Código do texto: T27585

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Sobre a autora
Daiane Rodrigues
Américo Brasiliense - São Paulo - Brasil, 27 anos
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Daiane Rodrigues