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CAIXAS: de pandora ao túmulo.

CAIXAS: de pandora ao túmulo.
(Autor: Antonio Brás Constante)

A vida é uma caixinha de surpresas, e a maioria das coisas que sonhamos e procuramos se resumem em uma busca por essas formas cúbicas. Quando pequenos esperamos pacientemente pelos aniversários, dia das crianças e natal, querendo... Caixas! Cheias de presentes, mas inicialmente almejando encontrar as tais caixas. Coloridas. Enfeitadas. Misteriosas. Porém, depois de abertas, todo encanto é dissipado e os presentes recebidos acabam em um canto largados. Sendo o ápice desses eventos o ato de receber e abrir os belos pacotes quadrados.

Vivemos em um mundo redondo. Talvez isso explique o motivo de estarmos sempre em desarmonia com nosso planeta. Pois somos em nossa essência seres quadrados.  O Brasil demonstrou toda a incompatibilidade causada pela junção dessas formas geométricas, quando utilizou um “quadrado mágico” para jogar na copa do mundo, onde o centro das atenções era a bola. O resultado foi um gigantesco fiasco.

Os adultos preferem os embrulhos, vivendo embrulhados para pagá-los. As mulheres se contentam com pequenas caixas, recheadas de sapatos ou em forma de estojos com jóias brilhantes dentro. Já os homens gostam de caixas maiores, que se movimentem levando-os para todos os lados. Eles chamam estas caixas de “automóveis” e nutrem uma profunda adoração por elas.

Tanto os homens quanto às mulheres, também preferem outras caixas intituladas “apartamentos”. São caixas extremamente caras, e às vezes eles precisam dispor de uma caixa-forte recheada de dinheiro para poderem adquirir o imóvel de seus sonhos.

Já os políticos se contentam com “caixas dois”, através delas eles manuseiam todo dinheiro não contabilizado, advindo de verdadeiras caixas-pretas, pois ninguém consegue descobrir nada sobre as mesmas.

O destino da humanidade é morrer e ser colocada em uma caixa (caixão), para ali repousar por toda eternidade. Esta preocupação não costuma atingir os jovens, porém o homem adulto passa a se preocupar com sua mortalidade. Principalmente quando começa a ser taxado de “quadrado” pelas novas gerações, sinal de que sua vida já está mais perto do fim do que do início.

O ser humano é uma verdadeira “caixa de pandora”, guardando dentro de si uma infinidade de sentimentos que evita expor ao mundo para não destruir o que entende por realidade, ou simplesmente para não se indispor com os demais seres quadrantais que vivem ao seu redor. Enquanto agirmos de forma quadrada, seremos sempre párias em um universo de ilimitadas formas.

Enfim, para alcançarmos a paz e a felicidade que sonhamos, devemos transformar as linhas retas do quadrado de nossas vidas em algo flexível, que possa ser moldado de tal maneira que consiga transformar os lados de nossa caixinha existencial em um belo par de asas. Dando-nos assim, condições de seguir junto com nossa imaginação rumo ao infinito.

SITES: www.abrasc.pop.com.br e www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc)

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Antonio Brás Constante
Enviado por Antonio Brás Constante em 29/10/2006
Código do texto: T276538
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Sobre o autor
Antonio Brás Constante
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 100 anos
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Antonio Brás Constante