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Essas crianças...

    Sempre tive uma admiração especial por crianças. Enlevo-me apreciando suas brincadeiras e tentando seguir a lógica tão peculiar de seu raciocínio - tão mais perfeito que o de nós adultos.
    Selecionei algumas situações que considero engraçadas, e que presenciei durante minha convivência com esses serezinhos tão imprevisíveis.

EPISÓDIO 1 –
Duas sobrinhas minhas foram treinadas a chamar a avó materna(que morou na Itália) de “Nona” e a avó paterna de “vó”, a fim de diferenciá-las. Certa ocasião, brincando com coleguinhas, a mais velha, de 4 anos explicava: - Você está errada, Blane. Não pode chamar de vó essa aí. Chame de nona, pois:  nona quer dizer a mãe da nossa mãe e vó quer dizer a mãe do nosso pai.

EPISÓDIO 2
Um sobrinho meio miúdo, muito falante, vindo do interior, foi orientado a confirmar para o cobrador que tinha apenas 5 anos, para evitar pagar o passe de ônibus. Após passar a roleta, sentou-se próximo do cobrador. Depois de algum tempo começou a conversar com ele e entre outros assuntos tentava justificar. Eu tenho 5 anos só até chegar ao centro. Quando descer do ônibus eu já vou fazer 8 anos.

EPISÓDIO 3
Meu filho, aos três anos, com uma crise violenta de tosse, foi levado até a farmácia, para aviar uma receita. Entre outros medicamentos, havia a aplicação de uma injeção. Quando a enfermeira se aproximou com a seringa, ele esperneava e gritava: - Injeção não, mãe. Injeção nâo!  Eu tentava acalmá-lo, explicando:- É para a tosse, filhinho, calma! Ele gritava suplicante. – Eu não tusso mais, mamãe. Prometo. Eu não tusso mais!

EPISÓDIO 4
Minha filha de 3 anos, adorava brincar com bichinhos. Certa ocasião, brincava com alguns insetos conhecidos como “tatu-bola”, que se encolhiam ao toque, formando pequenas bolinhas. Eu distraída, lia enquanto ela brincava. Passado certo tempo ela veio pedindo ajuda: - Mamãe. Troca as pilhas deles. Eles não estão mais se mexendo.

EPISÓDIO 5
Por insistentes pedidos de meus filhos comprei vários peixinhos coloridos que ficaram num pequeno aquário, na cozinha.  Após algumas horas, ao entrar no banheiro, vejo a minha filha menor, com 3 anos, com sabonete, escovinha e...alguns peixinhos, já sem vida. Preocupada, indaguei sobre o significado daquilo e ela, ingenuamente me explicou: - Esses aqui estão manchados, mamãe. Estou lavando com escova para tirar as manchas.

EPISÓDIO 6
Minha filha, com 3 anos, certa vez, em visita ao curral da fazenda de gado, surgiu com um “bicho-de-pé”, que a incomodava com coceiras e febre localizada. Eu, prestativa, como usualmente se fazia nesses casos, muni-me de algodão, Merthiolate,  uma agulha desinfetada e preparei-me para retirar o bichinho. Quando ela percebeu o que ia acontecer, protegeu o pé com as mãozinhas e falava, suplicante: - Não tira não, mãe. Coitadinho! Vai morrer!  Eu empresto o meu pé prá ele morar...

EPISÓDIO 7
Meu marido, certo dia, apareceu com alguns filhotes de cachorro em casa, mesmo sabendo que eu não aprovava a idéia. Em consideração aos três filhos pequenos, que ficaram encantados com a idéia, eu concordei, mas resolvi cercá-los, no fundo do quintal. Fui à uma serraria e encomendei a madeira no comprimento que achei conveniente. Depois de muito trabalho, com a ajuda dos filhos, terminamos a cerca e  colocamos os animais dentro. Antes mesmo que nos afastássemos, um deles, com algum sacrifício, saltou e veio até nós abanando o rabinho. Imediatamente fizemos mais um lance de cerca, dobrando a altura da mesma. Após tanto trabalho fomos tomar refresco para descansar, na varanda de casa. Logo que sentamos o mesmo filhote, todo feliz, veio abanando o rabinho e se esfregando nas crianças. Todos desatamos a rir e com isso ele ganhou o direito de ficar fora do cercado.

EPISÓDIO 8
Os três filhos preparavam a pose para a foto. Eu, com a máquina na mão recomendava as posições. A filha mais nova – 2 anos -  estava com uma banana semi descascada na mão. Tentando dar mais naturalidade à foto recomendei: - Coloca a banana na boca, filha. Sem pestanejar, ela jogou a casca, colocou a banana inteira na boca, ajudando com as mãos e tentando, sem conseguir, fechar a boca. Nem preciso dizer que, de tanto rir nem consegui bater a foto.


EPISÓDIO 9
Meu pai reuniu eu e meus irmãos para dar algumas lições de vida. Discorreu longamente sobre os males da mentira, recomendando que nenhuma criança deveria mentir. Mamãe interrompeu-o avisando que o seu companheiro de trabalho vinha chegando, provavelmente para emprestar o serrote, como costumava fazê-lo. Meu pai pediu para mamãe dizer que ele havia saído e levara a chave do balcão de ferramentas. Logo que mamãe saiu, minha irmãzinha, com os olhos arregalados, fitando fixamente o pai falou: - Só o pai que pode, né? Após alguns minutos de silêncio meu pai caiu na gargalhada, seguido por todos nós.

EPISÓDIO 10
Mamãe costumava contar que meu irmão mais velho, quando criança, gostava de ajudá-la na cozinha. Certa vez, prontificou-se a descascar a cebola enquanto ela prepara outra coisa. Passado algum tempo, ela pediu a cebola descascada. Ele, meio sem jeito, tentava explicar que não havia nenhuma cebola dentro. Ele foi descascando, descascando e jogando no lixo ... e não encontrou nada.

EPISÓDIO 11
Meu filho sempre gostou de bolos e tortas. Certa vez perguntou se poderia comer o bolo que havia sobrado na geladeira. Avisei-o que deveria cortar ao meio para que sobrasse também para sua irmã. Quando ela chegou e fui servir, só havia uma finíssima fatia. Estranhei e fui saber o que havia acontecido. Ele, com cara de falso ingênuo explicou que comera a metade. Passado algum tempo, comera de novo a metade. Novamente cortou na metade. O que havia ali era a última metade, que ele deixara para a irmã...

EPISÓDIO 12
Minha filha, no Jardim de Infância, fazia muitos desenhos. Certa ocasião, a professora  me chamou, preocupada com um fato estranho. Os  desenhos da última semana estavam todos com riscos pretos, verticais, cobrindo-os. A professora tentava achar uma explicação, perguntando-me se houvera algum problema de rejeição, de depressão, algo que tivesse causado forte emoção nela e que estaria perturbando a sua tranqüilidade, pois parecia que ela  estava destruindo seus próprios desenhos, numa  crise depressiva. Olhei os desenhos e achei-os estranhos, mas antes de fazer qualquer conjectura chamei a menina e perguntei o que significava aquilo. Olhando-me com certo desprezo ela explicou, com claro descaso: - Não vê que está chovendo? Realmente, naquela semana havia chovido todos os dias...

EPISÓDIO 13
Quando perdi minha irmã, demorei muito para me conformar. Uma vez, meu filho, com 6 anos, perguntou por que eu chorava. Expliquei que era pela morte de minha irmã. Intrigado ele me perguntou - Mas você não disse que ela foi para o paraíso? Que no paraíso é muito bom e que ela está esperando por nós? Então vamos morrer logo e encontrar com ela para você ficar contente.

EPISODIO 14
Minha filha de 4 anos tinha muitos bichinhos de pelúcia. Eu os lavava constantemente pois o lugar onde morávamos acumulava muita poeira (terra vermelha do norte do Paraná).
Após lavados, os bichinhos eram dependurados no varal. Minha filha fazia questão de ajudar nessa atividade.
Ela amava bichos de qualquer espécie e sempre tinha em casa tartaruguinhas, peixes, cães, gatos, etc.
Certa ocasião compramos para ela, um coelhinho - ou porquinho da Índia - "humster"  com o qual ela brincava constantemente.
Qual não foi minha surpresa quando, um dia, ao recolher do varal os ursinhos de pano que eu ali havia colocado, encontrar também o porquinho da Índia dependurado... obviamente, já sem vida!

EPISODIO 15
Meu sobrinho havia perdido recentemente sua mãe. Costumava passar alguns dias em nossa casa, com a avó e as tias.
Um dia, quando estava brincando com uma tomada elétrica, a avó, muito preocupada, reprendeu-o dizendo: Não mexa na tomada F., você pode levar um choque... pode até morrer!
O menino, refletindo por alguns instantes, questionou a avó: se eu morrer posso ir para o céu ver a minha mãe?

EPISODIO 16
Na sala de aula, uma colega de minha irmã, também professora, estava discorrendo sobre o perigo da destruição da camada de ozônio que envolve a terra. Explicava que os "sprays" são parcialmente responsáveis por isso, uma vez que os gases que desprendem vão se acumulando e fragilizam essa camada, permitindo a passagem dos raios UV.
Tentava motivá-los para que convencessem os pais a não utilizarem tais produtos, para não prejudicar o planeta.
Durante a explicação - um alvoroço. Crianças se levantaram e corriam pela sala. Havia surgido, por detrás do armário, uma barata.
Ràpidamente a professora abriu o armário, pegou o inseticida direcionou o jato contra a barata e espirrou-o.
Em poucos instantes, a barata ficou inativa.
As crianças voltaram a sentar-se. Silêncio...
Um dos alunos arrisca uma conclusão: "-Na sala de aula, pode, não é professora?..."
Serelepe
Enviado por Serelepe em 19/11/2006
Reeditado em 20/11/2006
Código do texto: T295725

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Sobre a autora
Serelepe
Curitiba - Paraná - Brasil
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