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UMA CONFUSÃO BEM-ACABADA

Tudo começou com um desentendimento entre dois moradores de um povoado que se formava rapidamente bem ali no Vale do Paraíba. A confusão foi tão danada que houve até ocorrência policial e, segundo comentários regionais, foi assim que tudo aconteceu:
- Havia nos arredores desse povoado dois homens recém-chegados, que queriam construir suas respectivas casas, mas eles não tinham material de construção suficiente para fazê-lo na mesma rapidez que os demais moradores.
Para não perder muito tempo, eles saíram pelas estradas das redondezas procurando algum material de construção perdido nos lixões ali existentes. Poderia ser algum pedaço de madeira, sobra de tijolo, ou alguma sobra de areia, etc. Fizeram isso durante várias semanas, mas toda aquela busca estava sendo em vão.
Numa dessas procuras, já de volta para casa, eles perceberam que bem próximo dali havia um carro fazendo muito barulho. Talvez fosse um desses caminhões velhos que deixam entulhos em qualquer lugar.
O primeiro dos moradores, apelidado de "Limão Galego", convidou o segundo apelidado de "Quixabeira”, para ver se o tal caminhão havia deixado um pouco de lixo, recheado com alguns pedaços de madeira, e de pronto se dirigiram para lá.
Quando chegaram lá no lixão e viram os pedaços de tábuas, um deles logo percebeu que o material ali existente não ia dar para os dois, e foi aí que a discussão começou.
O morador conhecido pelo apelido de "Quixabeira", ficou quase roxo de raiva, pois o seu colega apelidado de "Limão Galego" foi logo se apossando de tudo que havia ali. Dando uma de “vivaldino”, de imediato, separou todos os maiores pedaços de madeira e, sem maiores explicações, desferiu um golpe nas costas desse seu companheiro, com um pedaço de sarrafo, querendo intimidá-lo, acredita-se.
O desenrolar daquele pequeno desentendimento transformou-se em briga e logo se estendeu por toda a vizinhança. Um dos moradores se sentindo incomodado chamou a polícia que fazia ronda próximo do local e, minutos depois, quando os policiais chegaram para apurar o que tinha acontecido, descobriram que não havia nenhuma razão para tanta confusão e ficaram perplexos quando souberam que tudo aquilo tinha começado por um motivo extremamente banal: disputa por uns pedaços de tábua.
Aqueles policiais interioranos, muito pacatos e de uma educação bem refinada, representando condignamente a segurança local, procuraram resolver o conflito de uma forma simples, dando apenas um "puxão de orelha" em cada um dos bagunceiros.
Por fim, para que o “serviço” deles fosse feito de forma plena, algumas ações de efeito imediato tinham de ser empregadas, e para não fugir à regra, além do registro da ocorrência, eles proferiram algumas palavras de ordem, tais como:
- Parem de brigar, seus desocupados, aqui não é lugar de bagunça. Como vocês podem ver, aqui é um ambiente familiar e, em vez de vocês ficarem aí, com essas caras de tacho, um olhando para o outro... Por que vocês não seguem por aquele caminho da direita? Quando nós estávamos vindo para cá passamos por lá e vimos que lá tem "tauba até" não querer mais.
Os dois moradores apertaram as mãos um do outro e fizeram as pazes rapidamente, e os policiais, bem sucedidos, continuaram com seu trabalho disciplinador nas comunidades daquelas redondezas.
Analisando bem, a confusão que foi gerada naquele lugar realmente não tinha nenhuma razão de ser, mas uma coisa continua me intrigando:
- Será que foi a partir desse episódio, meio tumultuado, que surgiu o nome de uma linda cidade do interior paulista, situada exatamente ali no Vale do Paraíba?
Germano Correia da Silva
Enviado por Germano Correia da Silva em 25/11/2006
Reeditado em 26/11/2006
Código do texto: T300637
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Germano Correia da Silva
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Germano Correia da Silva

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