Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

A CACHAÇA

CAUSO DA CACHAÇA


ESTA ESTÓRIA É UMA DAS MAIS INTERESSANTES QUE JÁ OUVI, ENTRE OUTROS CAUSOS JÁ DEGUSTADOS PELO MEU OUVIDO.

O FATO ACONTECEU COM DOIS GRANDES COMPADRES QUE SE ENCONTRARAM NA VENDA DO SR. NESTOR, ANTIGO COMERCIANTE DA CIDADE DE LIMA DUARTE, CIDADEZINHA BEM PEQUENA QUE FICA NO INTERIORZÃO DE MINAS GERAIS.

DEPOIS DE MUITA PROSA, POIS JÁ SE FAZIA TEMPOS QUE NÃO SE VIAM, RESOLVERAM COMBINAR UMA PESCARIA LÁ PROS LADOS DA FAZENDA DO FACÃO, LOCAL EM QUE PASSAVA UM IMENSO RIO, VERDADEIRO RECANTO PARA QUEM GOSTA DE “MOIÁ UMA MINHOCA”, TERMO MUITO USADO NA REGIÃO PELOS PESCADORES.

ELES MARCARAM A TAL PESCARIA PRÁ UMA MANHÃ DE DOMINGO,
MÊS DE JULHO, ÉPOCA DE MUITO FRIO. UM DOS COMPADRES ERA O SR. FIRMINIO DE ALMEIDA (PRIMO EM SEGUNDO GRAU DO MEU PAI) E O OUTRO O MAURICIO IGNACIO, CABOCLO DANADO PRÁ ENTORNAR UMA “MARDITA” (PINGA) GOELA ABAIXO. PRÁ ELE, TUDO ERA DESCULPA PRÁ BEBERICAR A “TARSINHA”.

CHEGOU O DOMINGO MARCADO PELOS COMPADRES. O FIRMINIO LEVANTOU BEM CEDINHO, PEGOU O ENCHADÃO, FOI PRÁ TRÁS DO CHIQUEIRO, QUE ERA SÓ ESMIUÇAR COM O ENCHADÃO, QUE AS BICHINHAS JÁ SAÍAM PRÁ FORA. ENCHEU UMA LATINHA ATÉ A BOCA COM AS MINHOCAS E SE FOI PRÁ ENCONTRAR COM SEU COMPADRE MAURICIO A UMAS 2 LÉGUAS DALI. COMO SEMPRE FIRMINIO CHEGOU PRIMEIRO E FICOU UM TEMPÃO ESPERANDO SEU COMPADRE QUE NÃO CHEGAVA NUNCA.
QUANDO ESTAVA JÁ DESISTINDO, VINHA LÁ MAURICIO IGNACIO, NUM PASSO LENTO PITANDO UM CIGARRINHO DE “PAIA DOS BÃO”, COM UMA VARINHA DE BAMBU EM UMA DAS MÃOS E DOIS EMBORNAIS, UM EM CADA OMBRO.

- BOM DIA CUMPADE FIRMINIO.


- BOM DIA, CUMPADE IGNACIO. COMO SEMPRE ATRASADO.

- SABE QUI É, CUMPADE! EU FIQUEI PREPANDO ESSES EMBORNAL E CABEI ME ATRASANDO.

- QUE MAR LHE PERGUNTE, CUMPADE. O QUE OCÊ TRAZ NESSES EMBORNAL.

- AH, NESSE MAIORZINHO, TÔ TRAZENDO UMA GARRAFINHA DE PINGA MUITO BOA, LÁ DO ALAMBIQUE DO FERRERINHA.

- MAIS CUMPADE, OCÊ NUM PARÔ DE BEBÊ?

- SABE O QUÊ, CUMPADE. DÁ DE NÓIS TÁ-LÁ TRINQUILO MOIANDO AS MINHOCA, AÍ VEM UMA COBRA DAQUELAS CERTEIRA E DÁ UMA PICADA NA GENTE, NÓIS TEM A PINGUINHA PRA PASSÁ NO LUGÁ DA MORDEDURA DELA, PRÁ MODE NUM IFRAMÁ E BEBERICÁ UM TANTINHO, PRÁ INFRAQUECE O VENENO DA BIXA.

- TÁ CERTO, CUMPADE. E ESSE OUTRO EMBORNALZINHO MENÓ, O QUE OCÊ TRAIS AÍ DRENTO?

- AH CUMPADE (DEU UMA PITADA NO CIGARRINHO, SOLTOU A FUMAÇA E RESPONDEU):

- NESSE EMBORNALZINHO PITITINHO, BEM FECHADINHO, TÔ TRAZENDO UMA COBRINHA, POIS OCÊ JÁ PENSOU SE NÓIS FICA LÁ UM TEMPÃO E NUM APARECE NENHUMAZINHA...
ze paulo medeiros
Enviado por ze paulo medeiros em 24/08/2005
Código do texto: T44776
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
ze paulo medeiros
Santana de Parnaíba - São Paulo - Brasil, 61 anos
75 textos (9325 leituras)
1 e-livros (122 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 17:59)
ze paulo medeiros