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A PENSÃO



        Totonho homem nervoso era proprietário da Pensão Paris, a qual administrava com mão de ferro, não permitia que os hóspedes ouvissem rádios em alto volume, transitassem de bermudas ou camisetas, enfim era um chato.
Devido roncar muito alto, decidiu-se a dormir em quarto separado, no fundo do corredor, assim não perturbaria ninguém, tão menos a sua esposa.
A sua mulher Violeta, com trinta e oito anos, aparentando bem menos, era uma morena muito bonita e bem feita de corpo.
A mulher cuidava da cozinha e era o oposto do marido, pessoa cordata, de bem com a vida, fazia suas tarefas sempre cantarolando, era a alma da pensão e a quem os clientes se socorriam nas mais diversas necessidades.
Poliana era a filha rebelde do casal de hospedeiros, tinha dezoito anos muito bonita e bastante parecida com a mãe, além da beleza, também lhe herdou a alegria de viver e o bom humor, em casa ajudava nas pequenas tarefas.
 A moça teve um caso com um hóspede advindo daí uma filha, uma linda garotinha já com dois anos, quanto ao pai, um representante comercial, simplesmente desapareceu.
        A pensão Paris além dos hóspedes diaristas, também tinha alguns mensalistas como o rapaz velho Erotilde mais conhecido como Tide Tatu, sócio do Supermercado Portugal o maior da região.
Tide Tatu notívago por natureza era pessoa de muitas posses, solteiro e muito cobiçado pelas moçoilas casadouras, porém até então preferia divertir-se com as duas empregadas da pensão.
As duas moças numa promíscua função se sucediam nas visitas noturnal ao quarto do hóspede, sendo bem recompensadas por tal mister.
Totonho homem de humor vário, alternando expansão e sisudez, fazia vista grossa quanto ao procedimento do freguês, pois lhe devia favores e dinheiro.
Ele ocupava o quarto ao lado do de Tide, e para observar o rapaz quando este estava com uma das suas empregadas, fez estrategicamente a meia altura, um minúsculo buraco na parede divisória dos quartos.
Assim o dono da pensão tinha parcial visão do que ocorria no quarto de Tide Tatu, as sessões de voyeurismo o levavam ao delírio e ao deleite.
Certa noite ao chegar em casa, já com a hora adiantada, Totonho ouviu rumores no quarto de Tide e rapidamente se posicionou no ponto de observação.
Do atalaia ele notou que a visita do rapaz não era nenhuma das sua funcionárias, e falou com os seus botões:
-- Vejam só, o safado trouxe menina de fora.
Totonho tentou de todas as formas reconhecer a mulher, porém em vão, conseguiu notar apenas uma pequena rosa amarela tatuada no alto da coxa esquerda.
No dia seguinte quando Tide Tatu tomava seu café, o dono da pensão aproximou-se he dando um bom-dia afetuoso e manteve a discrição como era seu feitio.
As visitas das empregadas continuaram até que no sábado ao retornar de uma rodada de carteado, já no seu quarto, reparou que o vizinho recebia visita, assim correu para o posto de observação.
Totonho com certa dificuldade devido ao miúdo orifício, não conseguia identificar a visitante, não era nenhuma das suas domesticas, no entanto notou-a nua com os seios arfantes, face ao clima erótico.
Observou também à mesma rosa tatuada no alto da coxa esquerda, porém de cor ermelha, fato que o deixou intrigado, mas deixou passar.
Certo dia Jesuíno pintor bateu a porta da pensão chamando por uma da mpregadas e foi atendido por Totonho:
 -- Pois não Jesuíno, o que manda? -- Tudo bem Totonho, quero falar com Lisbela. -- Um momento Jesuíno, entra e senta um pouco que ela já vem.
Totonho chamou Lisbela e ficou de lado ouvindo a conversa:
 -- Lisbela o material chegou hoje pelo correio, se você quiser pode passar lá em casa hoje à tarde. --disse Jesuíno.
-- Que bom, depois do almoço eu irei, pode esperar.
 Jesuíno preparou-se para sair quando Violeta e Poliana chegaram:
-- Como vai Jesuíno tudo bem? — perguntou Violeta. --Tudo bem graças a Deus dona Violeta. --A Lisbela vai fazer tatuagem? perguntou para todos Violeta.
-- Ela já marcou até a hora dona Violeta.
-- É mesmo Lisbela? -- muito bem, qual o tipo?
-- Eu quero uma rosa igual a que a senhora e a Poliana fizeram, mas quero maior e no ombro. respondeu Lisbela.
Ao ouvir a resposta, Totonho sentiu as pernas amolecerem, mas mesmo assim conseguiu perguntar:
-- Vocês fizeram tatuagem?
-- Fizemos meu pai, a minha, é uma rosa amarela ea da mamãe é vermelha.


RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Enviado por RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA em 27/08/2007
Reeditado em 18/12/2007
Código do texto: T626281

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Sobre o autor
RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Montes Claros - Minas Gerais - Brasil
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RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA