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A verdade sobre a princesa e o sapo


Quando a princesinha Doreli deixou a sua linda bola de ouro cair dentro do poço, começou a chorar, retorcendo as lindas mãozinhas:
– Oh! Como hei de fazer para ter de volta a minha linda bola dourada? Oh! Como estou triste! Oh! Como estou infeliz! Oh! Não tem ninguém aqui que possa pegá-la para mim – Buaaa! Buaaa! Buaaa! – chorava a linda princesa.
Um sapão, chamado Chulé, gordão, olhudo como ele só, resolveu tirar partido da situação e falou:
– Eu posso trazer-lhe a sua bola, mas com uma condição.
– Diga! Diga! Diga! –  Disse a princesinha, muito alegre.
– Só se você me levar para  o seu castelo e tratar-me como gente.
– Eu levo, eu trato, eu prometo! – Falou com tanto assanhamento que o sapo, mais que depressa, mergulhou e trouxe-lhe o rico brinquedo,
Ao ter a bola nas mãos, a princesa saiu correndo, deixando o sapão pra trás.
Chegando ao  castelo, Doreli subiu aos pulos a escadaria e... Páh! Bateu a porta. Sua mãe, a rainha Eulália Christina Lisieux Lucia Terê de Albuquerque e Aragão, ao ver a filha assim vermelha, assim suada e assustada, falou:
– Nós estávamos esperando você para o almoço. Anda depressa, está atrasada, vá lavar as mãos. Até parece que você viu um fantasma! (Sou louca por estórias de fantasmas!).
O rei, Edmilson Paulo Henrique Eder Gonzalez de Aragão VIII, já estava sentado à cabeceira da enorme mesa, esperando a rainha e a sua filha:
– Venham imediatamente – disse ele, furioso – Já passam três minutos da hora do almoço! E eu estou aqui plantado, esperando...esperando. (O rei era muito pontual e exigente).
Quando as duas se sentaram o mordomo deu ordem     para que os serviçais servissem o repasto. Nisto – Tap! Tap! Tap! – bateram na porta do palácio. O mordomo foi abrir e  o sapão entrou cansado, não mais aos pulos mas se arrastando. Babando de raiva, contou ao rei, apontando a princesa:
– Ela me enganou!
(E para não gastar muito espaço do meu blog e encher o leitor, chego logo aos finalmentes).
O rei mandou a filha atender o sapo porque “palavra de princesa não volta atrás”. O sapo Chulé, mais que depressa, pulou para perto do prato da princesa.
Quando a entrada foi servida ele esticou o beição e ... chuuupt... sugou todo o consumê com ovos “pouchè” e camarões.
– Ah! Que delícia! – disse Chulé.
Daí, veio a salada completa com direito à maionese. O sapo avançou no prato da Doreli e – nhoc! nhoc! – em duas colheradas transbordantes, engoliu tudo, dando uma olhada de soslaio (aqui, com o uso desta palavra, conto a minha idade...), para a moça  que estava encolhida de nojo.
Então veio o peru, com passas e purê de maçã. O sapo não titubeou – grunch! grunch! grunch! (gíria norte americana) – papou tudo e quando chegou a sobremesa, um vasto bolo coberto com chantili e enfeitado com morangos, os olhos de Chulé saltaram e ele se afundou naquela maravilha.
A princesa ficou tão horrorizada que pegou-o pelos pés e atirou-o, com toda a sua força, contra â parede  e – puuft! – o sapo virou um belíssimo príncipe, com roupa de seda adamascada à ouro, sapatos de cristal (copiados da Cinderela), e na cabeça uma riquíssima coroa de brilhantes e rubis.
Tirando do bolsinho do palitó um delicado lenço de renda, o príncipe levou-o à boca para disfarçar um arroto e, fazendo uma bela reverência ao rei, deu um olhar  para a princesa e disse, ante a admiração de todos:
– Majestade, tenho a honra de pedir, para o meu casamento, a mão de sua cozinheira!
???!!!

PS – Eu resolvi  jogar o sapo contra a parede  porque não haveria princesa neste mundo que desse um beijo naquela meleqüência...
 
 

 
 
 
   
Christina Cabral
Enviado por Christina Cabral em 27/08/2007
Código do texto: T626310
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Sobre a autora
Christina Cabral
Aracaju - Sergipe - Brasil, 88 anos
59 textos (5846 leituras)
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Christina Cabral