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Batendo um bolão!!!

Este conto é uma homenagem aos meus grandes amigos do Recanto. Todos já meio passadinhos. O Ziber. O Leopoldo Sliwac. O Fernando Brandi.O Henricabilio( que tá chegando aos 50).  O Pedrinho Goltara.  O Lucas Durand.  O Alexandre Halfeld( que num diz a idade) E todos os de mais de 50 aninhos. Se esqueci de algum amigo, me desculpe, é que idade é soda!

                 Temos um time de futebol para passar o tempo. Em vez de ficar toda tarde de  sábado e domingo jogando baralho ou vendo a vida passar, vez em quando batemos uma bolinha.
                  Desde a fundação queríamos um nome imponente. Por isso mesmo batizamos o time de Imponentes Futebol Clube!
                  Tem uns engraçadinhos que dizem que o nome real é Impotentes Futebol Clube, mas não ligamos. Sabemos que não é bem assim. Eu, por exemplo, já transei duas vezes esse ano e olha que nem chegamos em setembro ! Falta pouco mas isso é um detalhe menor. O Turco, que veio do Líbano mas chamamos de Turco só pra sacanear e joga no ataque, dia desses perguntaram do que gostava mais, se de sexo ou aniversário. Respondeu no ato que de aniversário. “ Porque?” perguntaram.
                 - É mais perto um do outro! Respondeu na lata.
                 - E soprar as velinhas dá menos falta de ar!- completou.
                 Trudia um gozador chamou o time de 699 Futebol Clube.
                 Ninguém sabia porque. Achamos que fosse uma gozação pela posição sexual que alguns praticam, mas quando descobrimos a verdade ficamos putos da vida e se tivesse sobrado alguma energia depois do treino de meia hora, a gente acabava dando umas bengaladas no desavisado.
                  O lazarento teve o capricho de somar as idades dos jogadores e a soma deu 699. Sacanagem das grossas! Mas não sabem que o Tortinho, nosso zagueiro central nasceu em 42 e não em 45 como afirma. Então a soma está errada. Rarararara!
                   O Imponentes só joga amistoso.
                   Tenho a impressão que não faríamos feio no Brasileirão. Com esse bando de pernas de pau que pensam que jogam futebol pelai, campeões seria muito, mas cair, acho que não íamos não.
                   E sempre tem muita gente na platéia. Deve ser porque  que tem um bolão correndo pela cidade apostando em qual jogador vai bater as botas em campo. Achamos que é gozação. Por garantia fazemos exames dia sim, dia não e antes dos jogos. Como muitos erravam a pontaria e urinavam no chão na hora do xixi do antidoping, agora arrumamos um cone de plástico, desses de linha de pescar, e o xixi vai que vai direitinho aos tubinhos.
                    Só aceitamos times adversários que tenham jogadores acima dos quarenta anos, senão ia ser um massacre todo jogo.
                    O ingresso quase sempre é um quilo de alimento que doamos para as instituições carentes. Estamos pensando seriamente em proibir sal. No último jogo, por exemplo, só doaram isso. Deu até vergonha levar uma tonelada do produto para o asilo. E se usam tudo aquilo a pressão dos internados ia subir igual balão de gás. Pensamos em exigir leite em pó ou arroz. Bem, qualquer produto serve, menos sal.
                    No último jogo obtivemos nossa primeira vitória. Perdemos de cinco a zero!
Não estranhem não! Espero que entendam: qualquer derrota por menos de sete gols, para nós é vitória.
                     Semana passada o Juvenal, nosso goleiro, avisou que tinha agendado um jogo para o Imponentes Futebol Clube. Ainda perguntei que time a gente enfrentaria mas ele fez boca de siri e não respondeu. Devia ter desconfiado que havia sujeira ali.
                      Quando entramos em campo, gelei.
                       Não que os caras fossem novinhos, coisa e tal, mas era o seniors do Corinthias-Palmeiras. Quando vi o Ademir da Guia e o Dino Sani conversando com um sorriso no canto da boca, olhando para a gente, imaginei a goleada.
                      Mas como diria o Vicente Matheus, “quem está no fogo é pra se molhar”, então tratamos de adular a pelota e fazer o quê? O negócio era jogar para a platéia. E tínhamos a vantagem do Sócrates jogando para eles. Sendo médico, qualquer mal estar que acontecesse ele socorria.
                     Minha posição é bem cômoda no time. Meio de campo. Desde a formação pedi para jogar ali, só de malandragem.Se o time toma gol é culpa da defesa. Se não marca, culpa do ataque. De qualquer maneira eu me safo.
                     Quando o Nei, do antigo Palmeiras pegou a bola na defesa deles e veio vindo, veio vindo, driblando todo mundo, me posicionei. Pensei comigo: Ele passa, a bola não! Mas quando a desgraçada da dentadura de cima  froxeou na minha boca, fui arrumar e quando vi: GOOOLLLLL.!
                      Terminado o primeiro tempo a gente perdia de 23 a zero.
                      Nosso técnico, o Zezinho Bocamuxa, tentou levantar nosso astral no vestiário:- Vamulá moçada! Ainda dá tempo de virar!
                      Foi aí que pensei comigo mesmo: Vai ter otimismo assim na putaquipariu!
                      O segundo tempo começou parecendo que eles tinham amolecido um pouco, ou se cansado. Ficavam ali trocando bolas entre si no meio do campo, como quem não quer nada até que o Bin Laden roubou a pelota. Nosso time fez Urrah! . Afinal é o mais novinho da turma, entrou nos cinqüenta faz pouco e só tem um neto, estudando Fisioterapia na USP.
                      Como ia dizendo o Bin roubou a bola do Zito e deu um pique espantoso na lateral esquerda rumo ao gol. Parecia o Massa com sua Ferrari. Tentei acompanhar, mas dez metros depois a falta de ar chegou e eu me agachei para tomar um fôlego, pensando que finalmente o Japa ia usar a arma secreta que estava aperfeiçoando fazia tempo.
                      Deixa eu explicar: o Japa, nosso atacante de peso com seus 105 quilinhos tinha bolado uma estratégia genial. Na véspera dos jogos comia um monte de paçoquinha e chupava o máximo de laranjas que podia.
                     - É só peidar na hora do cruzamento! explicava. – Eu pulo e capricho no gás. O goleiro deles vai tapar o nariz por causa do budun e eu Pimba! Golaço!
                     Só havia um problema. Aliás, dois. Até hoje nenhum jogador nosso conseguiu chegar na linha de fundo para cruzar e se chegasse, será que o Japa ia conseguir concatenar direitinho o tempo da bola e do pum?
                     Em todo caso era uma esperança de gol, isso se o Bin tivesse conseguido chegar.
                     Terminado o jogo – 37 a zero – confraternizamos trocando de camisa. Eu com o Nilton Santos que fez cara de preocupado quando tirei a minha e chamou o Doutor Sócrates para me auscultar. Até agora não descobri de onde tirou o estetoscópio.
                      Não foi dessa vez que conseguimos marcar nosso golzinho de estréia.
                      Só que a partir de agora tomamos uma decisão. Qualquer jogo, por menos importante que seja, faremos duas exigências.
                      Primeiro o sal. De jeito nenhum permitiremos que paguem o ingresso com ele ou fubá, só porque são mais baratinhos.
                      E segundo: queremos dois tubos de oxigênio. Um de cada lado do campo. Se alguém  quiser jogar com a gente é assim. Senão vamos voltar ao jogo de baralho.
                      Afinal de contas somos um timaço. Não é qualquer um que pode se orgulhar de pertencer ao Impotentes Futebol Clube.
                      Merda! Até eu acabei errando o nome do time.


Nickinho
Enviado por Nickinho em 29/08/2007
Código do texto: T628976
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Sobre o autor
Nickinho
Ibitinga - São Paulo - Brasil, 63 anos
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