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TABEFES

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      Ronaldo José de Almeida

Ofélia namorava com Levínio há uns seis meses não se desgrudavam, a toda folga estavam juntos.
O namoro incomodava as amigas de Ofélia, que não se conformavam, pois a moça era linda e seu namorado um horror.
Levínio era baixinho, magrinho, usava óculos, causava até má impressão à primeira vista, porém vestia-se bem e era educadíssimo, um cavalheiro.
Corria a boca pequena que Ofélia apanhava do namorado, fato que revoltava ainda mais as amigas e a família da moça, diante de uma pessoa tão terna, tão meiga.
No final do ano houve um jantar de congraçamento entre os funcionários do correio, onde a moça trabalhava há vários aos e Ofélia compareceu com o olho esquerdo roxo e outros hematomas, disse às amigas que era conseqüência de um tombo.
Genésia sua melhor amiga, nas conversas e confidências que mantinham, lhe aconselhava a deixar Levínio em virtude da violência e dos espancamentos sofridos, mas a Ofélia mantinha-se irresoluta.
De longe Levinio observava a namorada bebendo junto com as amigas, era um copo atrás do outro, dava para notar o comportamento alterado da moça.
Prevendo um escândalo, Levínio gentilmente tentou levar a amada para casa e obteve como resposta palavras de desprezo:
--Não vou seu frouxo, me deixe com minhas amigas.
Levínio notou os sorrisos das amigas de Ofélia, diante do desdém da amada, mas manteve-se calmo e em altivez.
A moça torturava o pobre rapaz, desacatando-o na frente de todo mundo, ele, serenamente, com uma mesura à Luís XV, submetia-se às piores desconsiderações, incapaz de um revide.
Mesmo sem conseguir demover a moça, Levínio permaneceu por perto, para alguma emergência, pois no estado em que Ofélia se encontrava, tudo era possível.
Instantes depois, ouviu-se enorme alarido, era Ofélia que em cima de uma mesa, iniciava ao som de palmas e gritos um stripper tease, para o delírio de uma seleta platéia.
Imediatamente o pacato Levínio, bruscamente a retirou da mesa sob vaias dos presentes, a levando para um local afastado.
Ofélia revoltada começou a ofender o rapaz:
-- Me leve de volta seu frouxo, eu quero tirar minha roupa.
-- Calma Ofélia, fique calma meu amor, nós vamos embora.
--Não vou coisa nenhuma, seu chifrudo, seu frouxo, você não é homem para mim, me deixe.
Não suportando mais as humilhações que lhe impunha a moça, Levínio olhou para os lados certificando-se da ausência de testemunhas e em ato contínuo deu uma bofetada em cima da orelha de Ofélia que caiu ao chão.
Movendo-se de quatro pés, lentamente ela agarrou suas pernas gritando:
 --Meu amor, me beije, me ame, totalmente transfigurada a moça pedia, me bate, anda! Me bate! --Amor eu adoro quando você me espanca.
Levínio tentava andar e Ofélia agarrada a sua perna tornava difícil sua locomoção.
De longe as pessoas e suas amigas não acreditavam na cena que presenciavam.
Genésia uma das amigas de Ofélia, com as mãos na cabeça murmurava revirando os olhinhos: -- Que homem, que homem!


RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Enviado por RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA em 06/09/2007
Reeditado em 18/12/2007
Código do texto: T641244

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Sobre o autor
RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Montes Claros - Minas Gerais - Brasil
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RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA