Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

GARANHÃO DA PRAÇA

                                            Ronaldo José de Almeida

O relógio da torre da matriz marcava 10 horas, Jason, mais conhecido por Alfinete, apelido que traz desde a adolescência devido ao seu físico esguio e delgado, se encontrava sentado no banco de cimento, tristonho, a face demonstrava sofrimento arraigado de dor e ressentimento, pensava com amargura que não se fazia justiça a uma pessoa como ele.
Estava desempregado há quase um ano e ninguém lhe dava a mínima importância, passava parte do dia naquela praça, dando em cima das babás que passeavam por ali com as crianças, raramente obtinha êxito.
De repente Alfinete notou uma bela senhora que o olhava com insistência e sorridente, estava ao volante de um carro esporte, contornou a praça vagarosamente o acompanhando com o olhar, o rapaz correspondeu ao flerte.
A jovem senhora estacionou o carro e continuou a mirar o rapaz, sempre sorrindo, Alfinete sem tirar os olhos dela, arrumou a camisa, passou a mão sobre os cabelos e caminhou lentamente, em direção a moça.
- Bom dia, tudo bem? - disse o rapaz.
- Tudo bem, meu nome é Diana e o seu?
- Me chamo Jason, ao seu dispor - respondeu estendendo a mão.
- Muito bem Jason, eu sempre passo por aqui e vejo você conversando com as babás.
-Eu sempre venho aqui pela manhã, e de tanto vir já sou amigo das meninas - respondeu Alfinete.
- Você faz o que Jason? - perguntou Diana.
- No momento estou desempregado, estou estudando umas propostas de empregos, mas ainda não me decidi.
- Vamos dar uma volta, entre aí - disse Diana indicando o carro com um gesto.
Imediatamente o malandro acomodou-se na poltrona e perguntou:
- Aonde vamos, gata?
- Vamos a minha casa, tudo bem?
- E o seu marido?  Vejo que usa aliança.
- Sim sou casada, mas meu marido viajou hoje cedo - respondeu Diana.
- Ótimo, então podemos ir para sua casa afirmou Alfinete com um pequeno sorriso cínico entre os lábios.
Durante o trajeto o malandro imaginava ter Diana em seus braços, de relance olhava as belas pernas da motorista que tinha o vestido repuxado para facilitar a direção do carro.
O carro parou em frente ao portão da garagem, de dentro do automóvel a moça acionou o controle remoto abrindo passagem e estacionando o veículo.
Diana sensualmente a frente de Jason, subiu os poucos degraus de mármore, chegando a uma sala luxuosa e bem decorada. Ela serviu uma dose dupla de uísque escocês para Alfinete que já se encontrava ousadamente desmoronado sobre um confortável sofá.
A moça pediu licença e saiu da sala, o rapaz acompanhou com o olhar o andar lascivo de Diana e continuou a sorver o uísque quase deitado no sofá.
Em instantes a moça voltou, segurou o rapaz pela mão e o conduziu pelo corredor que dava acesso aos quartos, acompanhando a mulher ele viu pelas paredes quadros maravilhosos de pintores de renome, para ele, meros desconhecidos, assim chegaram ao quarto de Diana.
Alfinete ficou maravilhado, ele nunca tinha visto tanto luxo, Diana tomou-lhe delicadamente o copo de uísque, colocou-o sobre o móvel e disse:
- Jason tome um banho rápido, no banheiro tem toalhas limpas, vista este short e deite-se, me aguarde. Mas não se esqueça de vestir o short.
- Amor, não demore - disse autoritário Jason que já se sentia dono da situação.
- Mesmo sem entender, o rapaz que se encontrava em total excitação, cedeu ao pedido da moça e aguardou a sua volta.
Enquanto esperava a mulher, o rapaz ficou a indagar:
- E se Diana se decepcionasse com seu físico de faquir? Porém logo arranjou um argumento favorável, se ela o conheceu magrinho e praticamente o arrebatou, é porque deve gostar de magrelos.
Abelhudo como era, Jason usou o perfume francês da moça, que estava sobre o móvel, fez poses em frente ao espelho, achava-se um verdadeiro galã. Agradecia a Deus ter encontrado uma mulher como Diana, bonita, rica e gostosa. Era tudo que ele queria.
De repente Diana entrou no quarto de supetão, e encontrou Alfinete deitado na cama, usando somente o short como ela havia pedido. Diana não conseguiu esconder um sorriso ao ver a cena.
A patética figura de Jason deitado somente de short o expunha ao ridículo. Podiam contar-se as costelas, as orelhas eram enormes, as pernas de tão magrelas pareciam de seriema.
Os ossos ilíacos, que compõem a bacia, se destacavam dos demais, aumentando a feiúra, a horrível estética. Era um verdadeiro ET.
- Venha querida, venha deite-se aqui, pediu Jason em exacerbado e incontrolável estado de excitação.
- Gabriel, entre - disse Diana.
Os olhos de Jason arregalaram-se, começou a tremer e a gaguejar.
- Calma Jason, este é meu filho Gabriel, ele tem seis anos.
Jason Alfinete soltou-se caindo de costas, bastante aliviado. Imaginou ser o marido da
moça a entrar no quarto.
- Veja Gabriel, olhe bem para este rapaz, se você insistir em não comer direito vai ficar magrinho igual a ele. Você quer ficar assim, quer?
- Cruz credo! Deus me livre mãe.

                          ***
RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Enviado por RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA em 14/09/2007
Reeditado em 27/01/2008
Código do texto: T652357

Copyright © 2007. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Montes Claros - Minas Gerais - Brasil
391 textos (149545 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/08/17 19:48)
RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA